Quando Luciano Juba balançou as redes nos acréscimos e transformou a virada do Santos em um decepcionante empate de 2 a 2 com o Bahia, a Vila Belmiro não calou — xingou. Com 8.796 torcedores nas arquibancadas neste domingo (6), o estádio que já viu Pelé fazer história virou palco de uma crise técnica que acelera a cada rodada: Pedro Caixinha está sob pressão máxima após dois jogos no Brasileirão, nenhuma vitória e um retrospecto que a diretoria santista não quer mais tolerar.
O jogo que resume a crise
O Santos chegou a virar o placar na segunda etapa, graças a gols de Thaciano e Diego Pituca, após sair atrás com gol de Erick na primeira etapa. Mas o empate cedido nos acréscimos, combinado com a derrota para o Vasco na estreia, deixou o Peixe na 16ª colocação com apenas um ponto. O Bahia, que entrou em campo com time misto montado por Rogério Ceni visando a Libertadores, terminou na 13ª posição com dois pontos — um número que já diz tudo sobre o nível de exigência no Santos.
A análise do SportNavo sobre as atuações revela um time sem identidade coletiva. O melhor jogador em campo foi Rollheiser, que recebeu notas entre 6,5 e 7,0 nas avaliações especializadas e, segundo os veículos que acompanharam a partida, foi o único que "brigou sozinho na frente" tentando criar jogadas. Na contramão, Luisão recebeu nota 4,0 — a pior da equipe — após erros graves que contribuíram diretamente para o primeiro gol do Bahia, quando Luciano Juba foi liberado pela defesa falha do zagueiro. Tiquinho Soares, o centroavante titular, acumula mais uma partida sem gols e atuações abaixo de 5,0 em duas rodadas consecutivas.
Caixinha na corda bamba — e a torcida que já não aguenta
No intervalo, com o Santos perdendo por 1 a 0, Caixinha tirou Barreal e Rollheiser — justamente os jogadores que tinham mais participação ofensiva — e colocou Soteldo e Thaciano. A decisão foi imediatamente rechaçada pelas arquibancadas: o técnico português foi chamado de "burro" pelos torcedores presentes na Vila Belmiro. A ironia é que as substituições funcionaram taticamente — o Santos virou para 2 a 1 na segunda etapa —, mas o gol sofrido nos acréscimos apagou qualquer argumento favorável ao treinador.
"A reação do Santos veio depois de críticas a Pedro Caixinha. O treinador foi xingado e chamado de burro após tirar Barreal e Rollheiser no intervalo, mas Soteldo e Thaciano entraram bem e mudaram a partida. Nos acréscimos, porém, esse cenário favorável foi apagado", descreveu o UOL Esporte em cobertura do confronto.
Não foi só a torcida. A diretoria do Santos cobrava abertamente uma vitória após a estreia com derrota para o Vasco. O empate contra um Bahia que poupou titulares para a Libertadores não satisfaz nenhum critério mínimo de desempenho esperado para um clube que retornou à Série A com obrigação de se firmar rapidamente na tabela.
A polêmica do VAR e o contexto fora de campo
O jogo também teve uma controvérsia arbitral que movimentou as redes sociais. O árbitro Alex Gomes Stefano marcou pênalti para o Bahia após entender que houve toque de mão de Erick Pulga dentro da área. O VAR interveio e reverteu a decisão ao constatar que a bola havia tocado no rosto do atacante, não no braço. A web ironizou a marcação inicial com comentários como "graças a Deus tem VAR", segundo cobertura do Lance. Para o Santos, o episódio não gerou consequência prática — mas ilustra o nível de tensão em torno de qualquer lance do jogo.
Neymar apareceu brevemente na Vila Belmiro, entrou no vestiário para conversar com o elenco e retornou para casa sem participar da partida. O craque deve ficar à disposição para o próximo jogo, contra o Fluminense, o que pode ser a última cartada da diretoria para segurar Caixinha no cargo — ou a confirmação de que a troca se torna inevitável caso o resultado não venha.
Os próximos jogos que decidem o futuro do técnico
A avaliação do SportNavo aponta que Caixinha provavelmente tem, no máximo, dois jogos para apresentar resposta concreta: contra o Fluminense no próximo domingo e, eventualmente, na sequência do calendário. Dois jogos sem vitória numa fase inicial do Brasileirão já colocam o Santos em zona de rebaixamento, e a estrutura do clube — que precisou reconquistar a elite nacional — não comporta um início de temporada claudicante.
O Santos enfrenta o Fluminense no próximo domingo, precisando vencer para sair da zona de rebaixamento e dar a Caixinha o mínimo de respiro diante de uma diretoria que, ponto a ponto, reduz sua margem de manobra.









