Quatro lesionados de uma vez só — essa é a realidade com que Roger Machado chega a Bogotá para o duelo desta terça-feira (28), às 21h30 (horário de Brasília), contra o Millonarios no Estádio El Campín, válido pela terceira rodada do Grupo C da Copa Sul-Americana. O São Paulo lidera a chave com 6 pontos, mas os desfalques transformam o que seria uma missão gerenciável em um exercício genuíno de gestão de elenco — algo que os grandes clubes europeus encaram com naturalidade, mas que ainda expõe as fragilidades estruturais do futebol brasileiro.

O peso real das ausências no setor ofensivo

Lucas sofreu fratura em duas costelas, enquanto Ferreira trata um edema muscular na coxa esquerda — duas perdas que retiram de campo exatamente os jogadores com maior capacidade de criar desequilíbrio em transições rápidas. Na linguagem do futebol moderno que se pratica na Premier League ou na Liga, diríamos que o Tricolor perde seus principais carriers, aqueles atletas capazes de conduzir a bola sob pressão e abrir espaços verticais. Segundo apuração do SportNavo, Roger Machado estuda alternativas que passam por uma linha mais compacta no setor de criação, com eventual sacrifício da largura ofensiva.

"O técnico Roger Machado deve preservar alguns titulares por conta do desgaste físico", informou o clube, sinalizando que a gestão do calendário pesará tanto quanto as lesões em si na definição do time inicial.

A ausência de Ferreira é particularmente sensível porque o atacante acumulava minutos relevantes nas últimas rodadas e havia se consolidado como opção de velocidade pelo corredor direito — exatamente o lado que o Millonarios costuma explorar com as subidas de Sebastián Valencia e Beckham David Castro, filho do ex-jogador que empresta o nome ao jovem colombiano.

Meio-campo esvaziado e o dilema do pressing

As lesões de Marcos Antônio (coxa direita) e Pablo Maia (fratura nos ossos da face e nariz) aprofundam o problema uma linha abaixo. Maia, em especial, é peça central no pressing alto que Roger Machado tenta implementar — um estilo que remete ao gegenpressing popularizado por Klopp no Liverpool e que exige atletas com altíssima capacidade aeróbia e leitura posicional precisa. Sem ele, o São Paulo arrisca abrir espaços no terço médio, justamente onde o Millonarios encontra fluidez pelo pé esquerdo de David Mackalister Silva e pela movimentação de Mateo García.

O peso real das ausências no setor ofensivo Quatro desfalques e um teste real pa
O peso real das ausências no setor ofensivo Quatro desfalques e um teste real pa
"O confronto tende a ser equilibrado e o Tricolor pode enfrentar mais dificuldades por levar a campo jogadores que não atuam com frequência", avaliou análise técnica circulada entre os palpiteiros do mercado colombiano, que já apontam o Millonarios como favorito no El Campín.

A última vez que as equipes se encontraram foi em 2007, nas quartas de final da própria Sul-Americana. Os colombianos prevaleceram com 3 a 0 no agregado — Ricardo Ciciliano marcou dois gols — enquanto o Tricolor era treinado por Muricy Ramalho. Dezoito anos depois, o El Campín volta a ser palco de um encontro que, desta vez, chega com o São Paulo em posição de força na tabela, mas fragilizado no papel.

Possíveis soluções táticas para suprir os ausentes

Com o elenco reduzido, Roger Machado tem opções limitadas mas não inexistentes. A análise exclusiva do SportNavo mostra que o técnico pode optar por um 4-3-3 mais conservador, utilizando Alisson ou Galoppo como meia de box-to-box para compensar a ausência de Marcos Antônio na saída de bola. No ataque, Erick e Jamal Lewis surgem como candidatos a preencher as lacunas deixadas por Lucas e Ferreira, ainda que sem o mesmo padrão técnico — o que tende a gerar justamente o problema de falta de entrosamento que os colombianos podem explorar.

O Millonarios, por sua vez, chega com uma escalação bem definida: Guillermo De Amores no gol; linha defensiva formada por Carlos Sarabia, Andrés Llinás e Danovis Banguero; e um meio-campo construído em torno de Rodrigo Ureña e Mateo García, que dá ao time colombiano a solidez necessária para neutralizar o tiki-taka de construção curta que o São Paulo tenta praticar quando tem o elenco completo. Leonardo Castro lidera o ataque com experiência e capacidade de segurar a bola nas costas da defesa adversária.

Diante desse cenário, o São Paulo precisará de uma atuação coletiva acima da média para sair de Bogotá com ao menos um ponto. O próximo compromisso do Grupo C acontece na quarta rodada, quando o Tricolor volta ao MorumBIS e terá a chance de ampliar a liderança — mas uma derrota em El Campín reabre a disputa com O'Higgins e Millonarios, ambos com 3 pontos, e transforma as rodadas finais em algo bem mais tenso do que parecia duas semanas atrás.