Quatro peças do meio para a frente foram arrancadas do time titular de uma vez só, e mesmo assim o Flamengo precisa vencer o Vasco neste domingo (3), às 16h, no Maracanã, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Arrascaeta fraturou a clavícula direita e passou por cirurgia. Lucas Paquetá e Erick Pulgar seguem entregues ao departamento médico. Jorge Carrascal cumpre suspensão. Em quase 30 anos cobrindo futebol, poucas vezes vi um Flamengo chegar a um clássico com tamanha sangria no setor de criação.
O peso do que falta
Arrascaeta é, desde 2019, a espinha dorsal do Flamengo que acumulou dois títulos da Libertadores — em 2019 e 2022 — e seis campeonatos brasileiros no ciclo recente. O uruguaio participou diretamente de mais de 80 gols nos últimos quatro Brasileirões. Perdê-lo para uma fratura na clavícula direita, com cirurgia já realizada, significa que o camisa 10 não voltará em semanas. Paquetá, convocável para a Copa do Mundo, e Pulgar somam outras duas baixas no meio. Carrascal, que chegou ao clube como solução criativa, está suspenso. A combinação transforma o Flamengo num time diferente daquele que empatou com o Estudiantes pela Libertadores na última rodada.
Há um precedente histórico que merece ser evocado: em setembro de 2013, o Flamengo também chegou a um clássico contra o Vasco sem Elano, Vagner Love e Hernane, três dos seus principais atacantes, e venceu por 2 a 0 com gols de jogadores considerados coadjuvantes até aquela noite. O elenco profundo já salvou o clube antes; a questão é se tem qualidade suficiente para repetir o feito em 2026.
As peças que tentam tapar os buracos
A provável escalação divulgada aponta para Rossi no gol; Varela, Léo Pereira (ou Danilo), Léo Ortiz e Alex Sandro na defesa; Evertton Araújo, Jorginho e Luiz Araújo no meio; Samuel Lino, Plata e Pedro no ataque. De la Cruz aparece como opção imediata para substituir Arrascaeta na armação. O uruguaio tem características distintas — é mais físico e de penetração do que o camisa 10, mas carrega a mesma leitura de jogo sul-americana que o clube cultiva há anos.
Bruno Henrique, que sofreu um trauma na perna direita no último compromisso, foi confirmado na lista de relacionados e deve ser utilizado. O veterano atacante, 33 anos, é um símbolo da era vitoriosa rubro-negra — participou dos dois títulos continentais — e sua presença no banco representa uma carta de baralho experiente para os minutos finais de um clássico truncado.
Léo Pereira, zagueiro titular e cotado para a convocação da Seleção, que a CBF anuncia em 18 de maio no Museu do Amanhã no Rio, passará por reavaliação após sofrer um corte na perna. Royal, lateral, aguarda a chegada de uma máscara protetora para cobrir a fratura no nariz. Ambos têm boas chances de jogar. E Léo Pereira deixou claro em que estado de espírito vai para o campo:
"A gente vive a expectativa, mas, quando entra em campo, é muito difícil controlar. Nós vamos jogar contra o Vasco e, se eu estiver jogando, não vou querer saber se estou com corte ou não na perna. Vou para o choque, para o contato", declarou o zagueiro.
O defensor completou o raciocínio com pragmatismo de quem entende o calendário:
"Todo mundo que vai a campo dá o seu melhor porque está sendo visto. Tem que estar bem no clube primeiro para depois pensar em Seleção e Copa do Mundo."
O que o Vasco tem a oferecer
O adversário chega embalado: goleou o Olimpia por 3 a 0 em São Januário na quinta-feira (30), pela Sul-Americana, mas o técnico vascaíno teve o bom senso de poupar Andrés Gómez e Thiago Mendes pensando no clássico. Cuiabano, por questões físicas, deve seguir como desfalque. O Gigante da Colina ocupa a 10ª colocação no Brasileirão — seis pontos abaixo do pelotão da frente — e precisa do resultado para se aproximar do G-8.
A escalação provável do Vasco tem Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan e Lucas Piton; Hugo Moura (ou Rojas), Barros, Thiago Mendes; Andrés Gómez, Adson e David. É um time competitivo, especialmente no setor ofensivo, com David mostrando regularidade no Brasileirão.
A resposta tática e o que o histórico sugere
Conforme levantamento do SportNavo, nos últimos dez clássicos entre Flamengo e Vasco disputados no Maracanã pelo Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro venceu seis, empatou dois e perdeu dois. A vantagem histórica do mando de campo é real, mas foi construída majoritariamente com Arrascaeta em campo — o que torna este domingo um cenário inédito nesta sequência recente.
A solução mais provável do técnico rubro-negro é fechar linhas mais baixo no primeiro tempo, explorar o contra-ataque com a velocidade de Samuel Lino e Plata pelas beiradas e apostar em Pedro como referência central. O centroavante, autor de 14 gols no Brasileirão de 2024, será a principal ameaça ofensiva e a âncora de um time que precisará ser funcional antes de ser bonito.
Na avaliação do SportNavo, a saída de Arrascaeta tira fluidez, mas Pedro e De la Cruz formam um eixo capaz de resolver jogos mesmo sem o brilho habitual do uruguaio. A partida deste domingo, transmitida pela TV Globo, SporTV e Premiere, definirá também se o Flamengo consegue manter pressão no topo da tabela — e se Léo Pereira chega ao dia 18 de maio, data da convocação da Seleção, com a moral de quem venceu um clássico carioca mesmo em adversidade.








