O placar do Maracanã ainda dói. Foi ali, na primeira rodada do Grupo C, que o Independiente Rivadavia entrou em campo como zebra e saiu com vitória, deixando o Fluminense na lanterna antes mesmo de a competição ganhar forma. Agora, na quarta rodada da Copa Libertadores, o Tricolor das Laranjeiras atravessa a fronteira e vai até Mendoza — ao Estádio Malvinas Argentinas — carregar o peso de um histórico que não perdoa: quatro vitórias, quatro empates e sete derrotas em 15 jogos oficiais disputados em território argentino. A hora é agora.
O que está em jogo nesta quarta-feira em Mendoza
O Fluminense de Luis Zubeldía ocupa a última posição do Grupo C e chega à partida desta quarta-feira (6), às 21h30 (de Brasília), sem margem para cálculos. Uma derrota para o Rivadavia não apenas compromete matematicamente a classificação — ela pode precipitar uma crise institucional que já circula nos bastidores do clube. Segundo apuração do Lance!, uma derrota pode selar o destino do próprio treinador argentino, que assumiu o comando tricolor sob expectativa de reconstrução.
Do outro lado, o Independiente Rivadavia é a revelação continental de 2026. Sob o comando de Alfredo Berti, o clube de Mendoza lidera o grupo com 100% de aproveitamento e vem de duas goleadas consecutivas como mandante. Uma vitória nesta rodada carimba a classificação às oitavas de final — feito inédito para um clube que só recentemente voltou ao mapa do futebol argentino de elite.
A escalação confirmada do Fluminense traz Lucho Acosta de volta ao time titular, ao lado de Hércules e Alisson no meio-campo. No ataque, Savarino, Canobbio e Rodrigo Castillo formam o trio ofensivo, com John Kennedy como alternativa no banco. Já o Rivadavia deve ir a campo com Alex Arce e Sartori na frente, dupla que vem sendo decisiva nos jogos em casa.
O tabu argentino do Fluminense em números e contexto histórico
Isolando apenas os confrontos pela Copa Libertadores, o retrospecto tricolor melhora, mas não tranquiliza: quatro vitórias, dois empates e cinco derrotas em 11 jogos. O equilíbrio relativo nessa competição específica esconde, porém, a dificuldade estrutural de jogar em solo argentino — altitude, intensidade física e torcidas que transformam qualquer estádio em caldeirão.
O levantamento histórico compilado pelo SportNavo mostra que o Fluminense nunca conseguiu encadear duas vitórias consecutivas na Argentina em competições continentais. As quatro vitórias estão distribuídas ao longo de décadas, o que reforça a irregularidade como padrão, não como exceção. A dificuldade não é nova — ela é sistêmica.
"O Rivadavia nos surpreendeu no Maracanã. Agora temos que surpreendê-los em casa deles", disse Zubeldía em entrevista antes do embarque para Mendoza, segundo o Lance!.
A frase do técnico resume o desafio tático. O Rivadavia joga em bloco compacto, transita rápido para o ataque e explora os espaços nas costas dos laterais adversários — exatamente a zona de vulnerabilidade que o Fluminense tem exposto nesta temporada. Guga, pela direita, e Renê, pela esquerda, precisarão equilibrar marcação e apoio ofensivo com mais consistência do que nas últimas partidas.
O que muda no Grupo C dependendo do resultado desta rodada
Uma vitória do Fluminense em Mendoza recoloca o Tricolor na briga direta pela classificação e alivia a pressão sobre Zubeldía. Com três pontos, o clube carioca chega às duas rodadas finais com possibilidade real de avançar — especialmente se os outros resultados do grupo colaborarem. O cenário, portanto, não é de eliminação matemática ainda, mas exige que a equipe vença.
Um empate mantém o Fluminense na lanterna e transfere a decisão para as últimas rodadas em condição desfavorável. Uma derrota, conforme avaliação da imprensa especializada, praticamente encerra a participação tricolor na fase de grupos e abre uma crise que vai muito além do campo — o contrato de Zubeldía, a política de contratações e o planejamento para o restante da temporada entrariam em xeque simultaneamente.
"A gente sabe da responsabilidade. Não tem outro jeito — tem que ganhar", afirmou o volante Hércules em declaração reproduzida pela cobertura do Lance! antes do embarque.
Para o Rivadavia, a lógica é oposta: vencer significa classificação antecipada e consolidação de um projeto que poucos apostavam que chegaria tão longe. Berti construiu um time que pressiona alto, recupera a bola rápido e converte transições em gols — estatísticas que explicam os 100% de aproveitamento na fase de grupos até aqui.
É o mesmo cenário que o próprio Fluminense viveu em 2023, quando chegou ao duelo decisivo contra o Olimpia no Paraguai precisando vencer para avançar às oitavas — só que agora a aposta é diferente: naquela ocasião havia um grupo mais rodado, uma liderança técnica consolidada e um elenco sem tantas lacunas táticas para tapar. A bola rola nesta quarta-feira, às 21h30, com transmissão pela TV Globo e pelo Disney+.









