A conta já estava feita antes mesmo de Ancelotti assinar a folha. Cinquenta e cinco nomes entram na pré-lista enviada à FIFA até o final desta segunda-feira, 11 de maio; vinte e seis seguem para a Copa do Mundo. Vinte e nove ficam em casa. Não há tragédia: há contabilidade.

O prazo regulamentar da FIFA para a lista larga encerra nesta data — a convocação definitiva, com os 26 atletas que representarão o Brasil nos Estados Unidos, será anunciada na próxima segunda-feira, 18 de maio. A estreia da Seleção está marcada para 13 de junho, às 19h (horário de Brasília), contra Marrocos, em Nova York, pelo Grupo C. Sete dias de suspense separam a lista dos escolhidos e os descartados.

Liverpool - Chelsea

Os nomes que já têm passagem garantida no avião

Há um núcleo de convocados que nenhuma análise tática põe em dúvida. Vinícius Júnior (Real Madrid), Raphinha (Barcelona), Marquinhos (PSG) e Casemiro (Manchester United) são presenças consensuais em qualquer esquema que Ancelotti desenhe. Danilo, do Flamengo, veterano de três Copas, também figura entre os mais do que confirmados. Historicamente, o Brasil levou ao menos três goleiros em todas as edições desde 1970 — e esse padrão não deve se romper agora.

Estêvão, Rodrygo e Militão — a lista dos ausentes cresce

O caso mais delicado é o de Estêvão, do Chelsea. Segundo a ESPN, o meia-atacante revelado pelo Palmeiras se recupera de grave lesão muscular na coxa direita e pode não integrar nem a pré-lista de 55 nomes — o que seria inédito para um jogador tido como um dos maiores talentos da nova geração brasileira. Ele se juntaria a Rodrygo e Éder Militão, ambos do Real Madrid, que já foram confirmados fora do Mundial por problemas físicos. Perder três atacantes/meias de alto nível obriga Ancelotti a remodelar o sistema ofensivo — algo que o italiano, vencedor de quatro Champions Leagues como técnico (2003, 2007, 2014 e 2022), sabe fazer com frieza cirúrgica.

Cortou.

Neymar, por sua vez, deve aparecer na lista de 55 — ainda que sua presença na convocação final seja a aposta mais arriscada do torneio. O camisa 10 do Santos não foi chamado por Ancelotti em nenhum dos amistosos recentes, mas costuma figurar nas listas prévias. Se for convocado, seria sua quarta participação em Copas: ele marcou 4 gols em 2014 (inclusive o de número 1.000 da Seleção no Mundial), 2 em 2018 e 2 em 2022, somando 8 ao longo de três edições — o que o deixaria a 6 gols de Ronaldo Nazário, maior artilheiro brasileiro em Mundiais com 15 tentos.

Murillo, Léo Pereira e Douglas Santos — os que vieram de longe

Dois ex-jogadores do Náutico aparecem com chances reais de embarcar para os Estados Unidos. Léo Pereira, zagueiro titular do Flamengo, teve passagem pelo Timbu em 2016, quando disputou cinco partidas pela Série B — um campeonato em que os alvirrubros pernambucanos terminaram em quinto lugar. Hoje, ele é um dos defensores mais regulares do futebol brasileiro e ganhou espaço consistente na Seleção sob Ancelotti. Douglas Santos, lateral-esquerdo que também passou pelo Náutico antes de ser negociado com a Udinese, consolidou carreira na Europa e hoje é capitão do Zenit, na Rússia, onde acumula temporadas consecutivas em alto nível.

Outro nome que o SportNavo apurou como presença provável na lista larga é Murillo, zagueiro do Nottingham Forest revelado pelo Corinthians. O defensor nunca foi convocado por Ancelotti para as partidas oficiais, mas a ESPN indica que seu nome constará entre os 55 — uma surpresa que reflete a necessidade de reposição após as baixas na zaga.

"Não devemos criar um ambiente que prejudique as relações profissionais saudáveis, tanto entre os jogadores quanto na comissão técnica" — declaração de Fred Rutten ao deixar o comando de Curaçao, seleção que o Brasil poderá cruzar na fase eliminatória do torneio.

Os 29 que ficarão e o critério que Ancelotti usará para decidir

Com 48 seleções na Copa do Mundo pela primeira vez na história — ante as 32 de Qatar-2022 — e 104 jogos no calendário entre 11 de junho e 19 de julho, o torneio exige elencos preparados para rotatividade. Ainda assim, o regulamento mantém o limite de 26 convocados. Ancelotti, que conduziu o Real Madrid ao título da LaLiga 2024/25 e tem histórico de privilegiar equilíbrio posicional sobre nomes consagrados, deverá cortar ao menos dois laterais-direitos, um goleiro e dois meias em relação ao que a lista larga sugere. Pedro, do Flamengo, Carlos Miguel, do Palmeiras, e Lucas Beraldo, do PSG, são candidatos citados pelo Estadão como nomes da lista larga — mas com vaga na convocação final longe de garantida.

A convocação definitiva de 26 nomes será divulgada em 18 de maio. Quem não estiver nela terá até a estreia do Brasil, no dia 13 de junho em Nova York, para torcer da arquibancada — ou da televisão.