Todo mundo já sabe que Bruno Pivetti saiu do Flamengo no dia 14 de maio. O que ainda não está claro é o que a diretoria rubro-negra enxergou — ou deixou de enxergar — no perfil do substituto que agora sonda. Marcos Soares, 50 anos, comanda a seleção sub-20 da Arábia Saudita desde 2022 e aparece como favorito a assumir a posição. A candidatura circula, mas a narrativa de que é uma escolha óbvia merece ser examinada com mais cuidado.
O que o Flamengo realmente perdeu com Pivetti
Pivetti foi demitido após resultados negativos no Brasileirão Sub-20. Com 20 pontos, o Flamengo ocupa a 8ª colocação da tabela — uma posição que, para um clube com a estrutura do Ninho do Urubu e o volume de investimento na base, representa desempenho abaixo da expectativa institucional.
O problema, porém, não é apenas posicional. A questão central é de modelo. A base rubro-negra tem sido criticada internamente pela dificuldade em converter talentos individuais em coletivos funcionais. Reparemos no detalhe: um time de sub-20 com jogadores de alto potencial técnico que não consegue sustentar uma linha de pressão consistente ou manter compactação defensiva em bloco médio revela falha de metodologia, não de elenco.
Três clubes, três categorias e o que Marcos Soares construiu em cada uma
Soares tem um currículo de base diversificado. Trabalhou no Sub-17 do Corinthians, no Sub-20 do Santos e no Sub-20 do Botafogo — três contextos táticos e culturais distintos.

- Corinthians Sub-17: ambiente de alta pressão por resultados imediatos, com exigência de organização defensiva em bloco baixo.
- Santos Sub-20: clube historicamente voltado para a formação técnica, com ênfase em posse de bola e saída de bola pelo terceiro defensivo.
- Botafogo Sub-20: contexto de reconstrução, com demanda por transição ofensiva rápida e aproveitamento de espaços em profundidade.
A experiência na Arábia Saudita, desde 2022, acrescenta uma dimensão raramente discutida: Soares trabalha em um ambiente de alta rotatividade de elenco, onde a gestão de grupo e a padronização de movimentos sem tempo de treinamento prolongado são competências centrais. Esse tipo de adaptabilidade tem valor real em um clube como o Flamengo, que empurra jovens ao profissional com frequência e exige que a base absorva referências táticas do elenco principal rapidamente.
Segundo o jornalista Thiago Fernandes, que primeiro publicou a informação, Soares recebeu a sondagem formal do Flamengo e aparece como o nome favorito para o cargo.
O que o vínculo até meados de 2026 revela sobre o timing da negociação
Soares tem contrato com a federação saudita até o meio de 2026 — o que significa que qualquer movimentação precisa ser resolvida em semanas, não em meses. O Brasileirão Sub-20 está em andamento, e o Flamengo não pode operar por muito tempo sem um técnico efetivo sem comprometer o ciclo de trabalho dos atletas.
Há uma leitura apressada que circula nos bastidores: a de que contratar alguém com passagem por grandes clubes brasileiros já seria suficiente para resolver o problema de desempenho. Essa leitura ignora a variável mais importante — o encaixe metodológico entre o treinador e o DNA tático que o Flamengo quer imprimir na base.
Nas palavras de uma fonte próxima ao departamento de futebol rubro-negro, consultada por veículos especializados, "o perfil buscado é de alguém que entenda de periodização e consiga trabalhar com atletas em fase de transição para o profissional".
Se Soares traz essa capacidade de forma documentada, a sondagem faz sentido. Se a escolha for feita apenas pelo currículo nominal, o Flamengo corre o risco de repetir o ciclo que terminou com Pivetti.
O Sub-20 rubro-negro retorna ao Brasileirão da categoria no início de junho. Soares tem vínculo com a Arábia Saudita até o mês corrente — o que deixa uma janela de negociação de aproximadamente 30 dias para que o Flamengo feche ou descarte a contratação. Com 20 pontos e 8ª posição na tabela, a margem para mais rodadas sem comando técnico definido é zero.








