"A gente sabe que precisamos de todos os jogadores" — quem disse isso foi Casemiro, na tarde desta quinta-feira, 28 de maio, na Granja Comary. A frase soou como cautela diplomática, mas carregava um subtexto que toda a comissão técnica já conhece: se Neymar não passar pela avaliação do Dia D, alguém precisará ocupar aquela camisa.
O Dia D de Ancelotti e o que a lesão de Neymar realmente significa
O médico Rodrigo Lasmar confirmou nesta quinta o diagnóstico que o Santos havia minimizado: trata-se de uma lesão grau 2 na panturrilha direita, estruturalmente mais grave do que o edema divulgado inicialmente pelo clube paulista. Lasmar projetou um prazo de duas a três semanas para liberação — o que, mesmo no cenário mais otimista, elimina Neymar dos amistosos contra Panamá (31 de maio) e Egito (6 de junho) e da estreia da Copa do Mundo contra Marrocos, marcada para 13 de junho.
"A nossa expectativa é que num prazo de duas a três semanas ele esteja liberado. Ele está em tratamento intensivo. A gente tem condição de avaliar dia a dia essa evolução", declarou Lasmar em coletiva.
Segundo informação do jornalista Marcel Rizzo, do Estadão, Carlo Ancelotti fixou o dia 12 de junho como prazo final de avaliação. Se nessa data Neymar ainda não oferecer condições de atuar na segunda rodada da fase de grupos — contra o Haiti, em 19 de junho —, o corte será oficializado e um substituto será convocado. A janela é estreita: a regra da Fifa permite a troca de jogador lesionado em até 24 horas antes da estreia da seleção, o que no caso do Brasil significa até o dia 13 de junho… e aí vem o problema.
A regra da Fifa e o nome que precisa estar na lista de 55
A substituição por lesão ou doença grave não é automática — ela precisa ser solicitada à Fifa e aprovada pela entidade. Há ainda uma restrição determinante: o convocado substituto obrigatoriamente deve constar na lista provisória de 55 jogadores enviada anteriormente à Fifa. Quem não está nessa lista simplesmente não pode entrar, independentemente da forma que esteja no momento. O atleta que entrar herda o número de camisa do cortado.
Isso significa que Ancelotti já sabe exatamente quais nomes tem à disposição para a substituição. A análise do SportNavo aponta que os perfis mais aderentes ao papel exercido por Neymar — atacante de lado esquerdo com capacidade de criação e condução — concentram-se em três candidatos com argumentos estatísticos sólidos na temporada 2025/2026.
Os candidatos concretos e o que os números dizem sobre cada um
Rodrygo encerra a temporada pelo Real Madrid com 11 gols e 9 assistências em 42 jogos, atuando majoritariamente pela esquerda e pelo meio. Aos 24 anos, passou pelas categorias sub-17 e sub-20 do Santos antes de ser vendido ao Real Madrid em 2019 por 45 milhões de euros — e acumula 38 jogos pela Seleção principal, com 11 gols marcados. É o nome com maior rodagem internacional e o mais testado por Ancelotti no esquema tático atual.
Raphinha viveu a melhor temporada da carreira no Barcelona em 2025/2026: 27 gols e 17 assistências em 50 partidas, números que o colocam entre os dez atacantes mais produtivos da Europa na temporada. Aos 28 anos, ele opera pela direita com mais naturalidade, mas já foi utilizado pelo lado esquerdo em fases de pressão ofensiva. A diferença de produção entre Raphinha e o segundo colocado nessa lista interna equivale, em termos de participações em gols, à distância entre Recife e São Paulo — algo que não se ignora numa convocatória de Copa.
Gabriel Martinelli, do Arsenal, é o terceiro nome no radar. O atacante de 23 anos somou 14 gols e 8 assistências na Premier League 2025/2026, operando quase exclusivamente pela esquerda — justamente o corredor que Neymar ocuparia. Martinelli foi revelado pelo Ituano, chegou ao Arsenal em 2019 por 7 milhões de euros e tem 21 jogos pela Seleção principal, com 6 gols. Sua característica de pressão alta e velocidade em transição oferece um perfil diferente do de Neymar, mas funcionalmente compatível com o sistema de Ancelotti.
"Endrick é um jogador que vai jogar umas três, quatro Copas. Existe outros jogadores que estão à frente e têm que assumir o protagonismo", afirmou Casemiro, ao explicar sua tentativa de blindar o jovem atacante da pressão de ser visto como substituto imediato do camisa 10.
A fala de Casemiro é relevante do ponto de vista tático: Endrick, de 18 anos, é centroavante por formação — saiu do Palmeiras após 25 gols em 82 jogos pelo profissional — e não replica o papel de armador pelo lado esquerdo que Neymar desempenha. Seu perfil é de finalizador na área, não de criador de jogo pela ponta.
O cenário mais provável, caso o corte se confirme no dia 12 de junho, é que Ancelotti redistribua funções entre Rodrygo e Raphinha e acione Martinelli como titular pela esquerda. A decisão final depende da avaliação clínica de Lasmar e da resposta de Neymar ao tratamento intensivo nas próximas duas semanas — prazo que termina exatamente na véspera da estreia do Brasil na Copa do Mundo 2026.









