Qual nome vai ocupar o espaço que Estêvão deixou na arquitetura ofensiva de Carlo Ancelotti? A pergunta circula nos bastidores da CBF desde que a ESPN confirmou, na última semana, que o atacante do Chelsea sofreu lesão na coxa direita em 18 de abril — durante a partida contra o Manchester United pela Premier League — e foi excluído da pré-lista de 55 jogadores enviada à FIFA na segunda-feira, dia 11 de maio. Ancelotti tem até o dia 18 de maio para definir os 26 convocados que representarão o Brasil no Grupo C da Copa do Mundo, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia.
A comissão técnica da Seleção avaliou que o jogador não teria condições físicas ideais antes da estreia, marcada para 13 de junho contra o Marrocos no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O próprio Chelsea acompanhou o tratamento de perto, enviando um profissional ao Brasil para monitorar a recuperação realizada na estrutura do Palmeiras — clube onde Estêvão foi formado antes de se transferir para a Inglaterra. Não há tragédia: há contabilidade. Uma vaga a menos num setor que já concentrava as maiores expectativas do torcedor.
A leitura dominante favorece Matheus Cunha — mas os dados complicam essa narrativa
A interpretação mais difundida é de que Matheus Cunha, do Manchester United, seria o beneficiário natural da ausência. O atacante de 25 anos atravessa a melhor fase da carreira na Premier League 2025/2026, com números que justificam a presença na pré-lista. Seu perfil de jogador dinâmico, capaz de atuar pelos flancos e pelo centro, encaixa no sistema que Ancelotti vem testando — e a familiaridade com o futebol europeu de alto nível pesa a seu favor numa Copa que exige adaptação rápida.
A contra-leitura, porém, vem de um nome que poucos esperavam ver disputando essa vaga com tanta consistência: Gabriel Sara, do Galatasaray. O meia-atacante de 26 anos acumula participações diretas em gols na Süper Lig turca na temporada atual e opera num sistema que lhe exige tanto criação quanto finalização — exatamente o que Ancelotti perdeu com a saída de Estêvão do radar. O ge apurou que o técnico italiano passou a reavaliar a divisão entre atacantes e meio-campistas na lista definitiva justamente por conta dessa lacuna, o que coloca Sara numa posição híbrida interessante: pode entrar como o décimo primeiro atacante ou como o décimo quinto meio-campista, dependendo do recorte tático escolhido.
O histórico de Copas revela o peso da decisão que Ancelotti enfrenta agora
Quem acompanha a Seleção desde os anos 1990 sabe que a escolha do último atacante da lista raramente é inocente. Em 1994, Parreira levou 22 jogadores — o regulamento era diferente — e a escolha de Bebeto como parceiro de Romário definiu uma geração. Em 2002, Scolari montou um ataque com Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo, mas a decisão de incluir Edilson e Luizão como opções revelou a preocupação com profundidade ofensiva. Em 2022, Tite chegou ao Qatar com 26 convocados e sete opções para o ataque, mas a eliminação nas quartas de final para a Croácia (1 a 1 no tempo normal, 4 a 2 nos pênaltis) mostrou que quantidade não substitui coerência sistêmica.
Ancelotti herda esse dilema histórico. A pré-lista de 55 nomes inclui atacantes de perfis radicalmente distintos: Raphinha (Barcelona), com 14 gols na La Liga 2025/2026; Vini Jr (Real Madrid), artilheiro do clube na temporada europeia; Endrick (Lyon), com passagem pela Ligue 1 após saída do Real; e Neymar, do Santos, maior artilheiro da história da Seleção com 79 gols, presente nos Mundiais de 2014, 2018 e 2022, mas sem ser convocado por Ancelotti em nenhum jogo oficial ou amistoso até agora. Segundo apuração do SportNavo, a presença de Neymar entre os 26 ainda é tratada como incerta nos bastidores da CBF.
A síntese que Ancelotti precisará apresentar em 18 de maio
Pesando os dois lados, a decisão de Ancelotti parece convergir para um critério funcional: qual jogador oferece mais versatilidade dentro do sistema de jogo, considerando os adversários da fase de grupos. Marrocos, com uma das defesas mais organizadas das últimas duas Copas, exige criatividade entre linhas. Haiti e Escócia pedem eficiência na conclusão.
Calculado.
Matheus Cunha entrega mais poder de finalização e experiência em pressão alta na Premier League. Gabriel Sara entrega mais construção de jogo e capacidade de explorar espaços compactos — característica que pode ser decisiva contra o bloco defensivo marroquino. A ausência simultânea de Estêvão, Éder Militão e Rodrygo — os três do Real Madrid foram descartados por lesão — representa a maior baixa coletiva de um ciclo brasileiro desde 2010, quando Ronaldo Fenômeno, já aposentado, e Robinho lesionado alteraram os planos de Dunga. O anúncio da convocação final acontece na sede da CBF, no Rio de Janeiro, no dia 18 de maio, às 17h (horário de Brasília), com a estreia do Brasil marcada para 13 de junho contra o Marrocos em Nova Jersey.









