O envelope já está fechado. Enquanto Oklahoma City e San Antonio aqueciam os ginásios para a final da Conferência Oeste, a NBA preparava para o domingo (17) um anúncio que vai reescrever pelo menos um parágrafo dos livros de história da liga — independentemente de qual dos três nomes seja lido em voz alta. O MVP da temporada 2025/26 será revelado durante o pré-jogo do Jogo 1, com os três finalistas sentados, metaforicamente, no mesmo banco de réus: Shai Gilgeous-Alexander, Victor Wembanyama e Nikola Jokic.

O que está em jogo agora para cada finalista

Shai Gilgeous-Alexander encerrou a temporada regular com médias de 32,7 pontos, 5,5 rebotes e 6,4 assistências por jogo — números que o colocam como o armador mais eficiente dos últimos dez anos em termos de True Shooting % (a métrica que pondera todos os tipos de arremesso, inclusive lances livres, para medir eficiência real de pontuação), registrando 63,1% na temporada. Para comparação, Stephen Curry, em seu MVP de 2016, tinha 66,9% — mas jogava num sistema de três pontos bem mais intenso. O canadense de 27 anos também liderou o Oklahoma City Thunder ao melhor aproveitamento do Oeste com 64 vitórias.

Victor Wembanyama, por sua vez, apresentou algo que analistas do SportNavo identificaram como o perfil estatístico mais raro da liga: médias de 26,5 pontos, 11,3 rebotes, 3,8 assistências e 3,6 tocos por jogo — tornando-o o único jogador na história da NBA com médias de 25/10/3/3 em uma temporada. Seu Player Efficiency Rating (PER), que consolida contribuições ofensivas e defensivas em um único índice calibrado para a média da liga (fixada em 15,0), chegou a 31,2 — o segundo maior já registrado por um jogador em apenas sua segunda temporada, atrás somente de Wilt Chamberlain em 1962.

Jokic, aos 31 anos, entregou mais uma temporada que desafia qualquer comparação contemporânea: 27,1 pontos, 13,2 rebotes e 10,4 assistências por jogo, mantendo o Box Plus/Minus (BPM) — métrica que estima a contribuição de um jogador por 100 posses acima de um substituto médio — em +12,1, o mais alto entre os finalistas. O sérvio do Denver Nuggets também liderou a liga em triple-doubles pela quinta temporada consecutiva.

  • Shai — True Shooting %: 63,1% (eficiência de arremesso ajustada por tipo de tentativa)
  • Wembanyama — PER: 31,2 (média da liga = 15,0; tudo acima de 25 é temporada de MVP)
  • Jokic — BPM: +12,1 (o quanto ele vale acima de um jogador médio por 100 posses)
  • Wembanyama — tocos: 3,6 por jogo (recorde entre finalistas de MVP na era moderna)

O peso histórico de cada possível vencedor da premiação

Se Shai ganhar, será o 14º jogador a conquistar o MVP em anos consecutivos — uma lista que inclui nomes como Larry Bird, Magic Johnson e LeBron James. Mas o dado mais curioso é geográfico: a NBA chegará à oitava temporada seguida com um jogador nascido fora dos Estados Unidos levando o prêmio. A sequência começou com Giannis Antetokounmpo em 2019 e 2020, seguido por Jokic em 2021, 2022 e 2024, Joel Embiid em 2023 e o próprio Shai na temporada passada — 11 troféus internacionais no total, contra apenas três antes dessa era (Hakeem Olajuwon, Steve Nash e Dirk Nowitzki).

Se Wembanyama ganhar, será o primeiro francês a erguer o troféu em 79 anos de história da liga. Aos 22 anos, também quebraria o recorde do vencedor mais jovem desde que Derrick Rose levou o prêmio em 2011 com 22 anos e 10 meses — Wemby tem 22 anos e 3 meses. O pivô dos San Antonio Spurs seria ainda o segundo jogador na história a vencer MVP e DPOY (Defensive Player of the Year) na mesma temporada, feito conseguido antes apenas por Giannis em 2020.

Jokic é o único dos três que carrega o peso de uma estatística puramente histórica: com o quarto MVP, entraria no grupo mais restrito da NBA — ao lado de Kareem Abdul-Jabbar (6 troféus), Michael Jordan (5), Bill Russell (5), Wilt Chamberlain (4) e LeBron James (4). Cinco nomes. Décadas de dominância comprimidas numa lista que cabe num guardanapo.

"Não há jeito fácil de escolher entre esses três. É a votação mais difícil que já vi em 20 anos cobrindo a liga", disse um analista da ESPN americana ao comentar a proximidade dos finalistas nesta temporada.

Como o anúncio redefine o ambiente do Jogo 1 entre Thunder e Spurs

A escolha do horário pela NBA não foi casual. No ano passado, o prêmio de Shai foi revelado exatamente na véspera da final do Oeste, e ele recebeu o troféu diante de sua torcida em Oklahoma City antes do Jogo 2. Repetir esse formato em 2026, agora com dois dos três finalistas diretamente envolvidos na série (Shai pelo Thunder, Wembanyama pelos Spurs), transforma o anúncio num prólogo psicológico para a série.

Imagine Wembanyama entrando em quadra no Jogo 1 como MVP recém-eleito — ou, ao contrário, como o favorito que perdeu para o adversário direto. O Net Rating (diferença de pontos marcados e sofridos por 100 posses, o termômetro mais fiel de qualidade de um time) do Thunder foi +8,9 na temporada regular, contra +6,1 dos Spurs. Em teoria, Oklahoma City é favorito. Mas os Spurs chegam à final do Oeste pela primeira vez em nove anos — Castle somou 32 pontos no jogo decisivo contra o time anterior — e Wembanyama é exatamente o tipo de pivô que distorce qualquer modelo preditivo convencional.

"Wembanyama é o único jogador que força times inteiros a redesenharem seu ataque antes de jogar contra ele", apontou um scout de uma franquia do Leste em entrevista recente, pedindo anonimato.

O Jogo 1 da final da Conferência Oeste entre Thunder e Spurs acontece na segunda-feira (18), um dia após o anúncio do MVP. É o mesmo cenário que Shai Gilgeous-Alexander viveu em 2025 — só que agora a aposta é diferente: desta vez, o adversário do outro lado da quadra também concorreu ao mesmo troféu.