17 atletas. Esse é o número que define, agora, o tamanho do grupo que Zé Roberto tem à disposição para montar o quebra-cabeça tático da Seleção Brasileira feminina rumo à Liga das Nações de junho. A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) divulgou nesta terça-feira (13 de maio) mais oito nomes que se juntam às nove atletas já anunciadas anteriormente — e o que chama atenção não é o volume da convocação, mas a qualidade técnica do elenco formado.

Um grupo que lembra 2014, mas chega mais maduro

Há doze anos, Zé Roberto também montou um grupo amplo para a fase inicial da VNL — à época chamada de Grand Prix — com a missão de testar combinações de levantamento de tempo e avaliar a eficiência de bloqueio em diferentes formações. O resultado daquele ciclo foi um ouro olímpico no Rio-2016. A diferença agora é que o técnico dispõe de atletas com quilometragem internacional muito maior: Gabi Guimarães, ponteira do Conegliano, chega de uma temporada na Itália em que o clube conquistou títulos consecutivos e ela consolidou índices de ataque acima de 50% de eficiência em sets decisivos. Essa bagagem muda a hierarquia dentro de quadra.

As oito convocadas desta terça são: Gabi Guimarães (Conegliano — Itália), Macris (levantadora do Praia Clube), Roberta (levantadora do Türk Hava Yolları — Turquia), Julia Bergmann (ponteira do Savino Del Bene Volley — Itália), Julia Kudiess (central do Novara — Itália), Rosamaria (oposta do Denso Airybees — Japão), Nyeme (líbero do Minas) e Natinha (líbero do Praia Clube). Nenhuma é estreante na amarelinha, o que reduz o tempo de adaptação ao sistema de jogo e acelera o trabalho de Zé Roberto em Saquarema.

Um grupo que lembra 2014, mas chega mais maduro Quem são as oito convocadas que
Um grupo que lembra 2014, mas chega mais maduro Quem são as oito convocadas que

Macris e Roberta definem a zona de conflito no levantamento

A convocação simultânea de duas levantadoras com perfis distintos é, provavelmente, a decisão mais estratégica do grupo. Macris, do Praia Clube, é uma especialista em levantamento de tempo: ela antecipa a leitura do bloqueio adversário e distribui bolas em pipe e no back-row com consistência acima da média nacional. Roberta, que atua na Turquia pelo Türk Hava Yolları, tem maior repertório de bolas rápidas no centro, o que força o bloqueio duplo adversário a se deslocar lateralmente — abrindo espaço justamente para as ponteiras.

Reparemos no detalhe: quando as duas levantadoras têm estilos complementares, Zé Roberto pode construir sets com identidades diferentes. No primeiro set, uma distribuição mais cadenciada para desgastar o bloqueio; no segundo, acelerar o ritmo com bolas de primeiro tempo e pipe. Essa variação é o que torna o Brasil difícil de escalar defensivamente ao longo de uma semana de competição na VNL.

Julia Kudiess e a eficiência de bloqueio que o Brasil precisava

A central Julia Kudiess chega do Novara, clube italiano que disputou a fase semifinal da Champions League de vôlei feminino nesta temporada 2025/26. Sua convocação resolve uma lacuna técnica específica: o Brasil precisava de uma central com leitura de jogo rápida o suficiente para fechar bloqueio duplo nas zonas 2 e 4 sem perder posicionamento no contra-ataque. Kudiess registrou, na Série A1 italiana, índices de bloqueio que a colocam entre as cinco centrais mais eficientes da competição — uma referência que o SportNavo acompanhou ao longo da temporada europeia.

Segundo a CBV, Julia Kudiess, Julia Bergmann, Roberta e Macris se juntaram ao elenco ainda nesta terça-feira, em Saquarema (RJ), enquanto Gabi Guimarães, Rosamaria, Nyeme e Natinha têm chegada programada para os próximos dias, conforme o encerramento de suas respectivas temporadas de clube.

Rosamaria na oposta e a aposta no saque viagem

Rosamaria retorna da liga japonesa — ela atua pelo Denso Airybees — com uma característica que Zé Roberto historicamente valoriza: o saque viagem. No vôlei feminino de alto nível, um saque flutuante agressivo com trajetória longa força a recepção adversária para fora da zona ideal de levantamento, desequilibrando o ataque da equipe contrária antes mesmo do primeiro contato. A oposta desenvolveu esse fundamento no Japão, onde a leitura tática do jogo é exigida em velocidade superior à média europeia.

A dupla de líberos — Nyeme, do Minas, e Natinha, do Praia Clube — completa um setor de recepção que já mostrou solidez no ciclo anterior. Nyeme tem maior alcance lateral, enquanto Natinha é mais precisa na recepção de saques viagem justamente por seu posicionamento baixo e reação de primeiro passo. As duas juntas cobrem praticamente todas as variações de saque que o Brasil encontrará na fase inicial da VNL.

A lista definitiva de inscritas na Liga das Nações, que tem início em junho, foi anunciada pela CBV também nesta terça-feira (13). A competição é o primeiro grande termômetro do ciclo olímpico em direção a Los Angeles 2028 — e com 17 atletas já confirmadas, Zé Roberto tem material técnico suficiente para testar pelo menos três variações de rotação de levantamento antes de fechar o elenco final. O Brasil estreia na VNL em junho, e o grupo completo já treina em Saquarema a partir desta semana.