"Não vim aqui para fazer amigos — vim para destruir." A frase é de Khamzat Chimaev, dita na coletiva de imprensa de quinta-feira (7) em Newark, segundos antes de acertar um chute em Sean Strickland durante a encarada protocolada — com policiais e seguranças no meio. Mas enquanto o mundo debate se o russo vai ou não manter seu cartel invicto no peso-médio, três brasileiros chegaram silenciosamente a Nova Jersey dispostos a roubar a cena nas preliminares do UFC 328, neste sábado (9).

Os brasileiros que ninguém está esperando — e por que isso pode ser vantagem

Marco Túlio, conhecido no circuito como "Matuto", e Djorden Santos são os dois representantes do Brasil no card desta noite, transmitido pelo Paramount+ a partir das 18h (de Brasília). Ambos disputam o peso-médio (84 kg) nas preliminares, longe dos holofotes do co-main e do main event. Mas é exatamente esse anonimato relativo que pode trabalhar a favor deles: nenhum dos dois carrega o peso da expectativa que derruba carreiras antes mesmo do primeiro round.

Marco Túlio "Matuto" enfrenta o russo Roman Kopylov, um striker experiente com passagens sólidas pelo octógono. O brasileiro, oriundo da cena de MMA do Centro-Oeste, construiu seu cartel com base em pressão constante e grappling funcional — o tipo de estilo que incomoda quem prefere distância e trocação limpa. Kopylov, por sua vez, tem poder de nocaute comprovado e tende a abrir espaço quando pressionado, o que pode ser o caminho de Matuto para uma vitória que o coloque no radar do ranking da divisão.

Djorden Santos tem pela frente Baisangur Susurkaev, também russo, numa luta que promete ser uma batalha de vontades. Santos construiu sua reputação no circuito regional com finalizações e transições rápidas no solo — características que o credenciaram a chegar ao UFC. Susurkaev, com background em combate corpo a corpo, vai exigir que o brasileiro seja eficiente no gerenciamento de distância e evite trocas prolongadas em pé.

O que uma vitória significa para o ranking dos médios brasileiros

O que para o argentino é uma vitória de prestígio no Libertadores, para o brasileiro no UFC é aquele resultado que transforma um nome em ranking — e ranking significa dinheiro, atenção e lutas melhores. Marco Túlio e Djorden Santos estão exatamente nesse ponto de inflexão: uma vitória convincente em Newark, ainda que nas preliminares de um card encabeçado por uma disputa de cinturão, coloca os dois na fila de candidatos a enfrentar lutadores ranqueados nos próximos meses.

Os brasileiros que ninguém está esperando — e por que isso pode ser vantagem Que
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A divisão dos médios no UFC passa por um momento de reorganização. Com Chimaev segurando o cinturão e Strickland buscando a reconquista do título que perdeu para Dricus Du Plessis antes de retornar ao topo, há espaço no meio da tabela para novos nomes emergirem. Uma vitória de Matuto sobre Kopylov, por exemplo, poderia ser o trampolim para uma luta contra um top-15 já na segunda metade de 2026.

As odds de apostas para as lutas dos brasileiros ainda não foram amplamente divulgadas, mas o perfil técnico de ambas as lutas sugere confrontos equilibrados — o que, em termos de mercado, costuma indicar apostas próximas de linha neutra. Isso, na prática do MMA, significa que qualquer dos quatro lutadores tem argumentos reais para vencer.

Chimaev x Strickland e o contexto que ninguém quer perder

O pano de fundo desta noite em Newark é, evidentemente, a disputa pelo cinturão dos médios entre Chimaev e Strickland. O russo chega invicto no MMA profissional — 15 lutas, 15 vitórias — e ostenta o título que conquistou de forma dominante. Strickland, ex-campeão que perdeu o cinturão para Du Plessis por decisão dividida, voltou a se posicionar como o principal desafiante da divisão com uma sequência de vitórias que o reconduziu ao topo do ranking.

A semana de luta foi marcada por tensão real. Na coletiva de quinta-feira (7), a segurança precisou ser reforçada com policiais após ameaças trocadas entre os dois lutadores. O chute que Chimaev desferiu em Strickland durante a encarada — com ambos cercados por seguranças — virou símbolo de uma rivalidade que transcendeu o marketing e entrou no território do conflito genuíno.

"Ele sabe o que vai acontecer. Todo mundo sabe o que vai acontecer", disse Chimaev na coletiva, referindo-se a Strickland, enquanto os dois eram separados por seguranças e policiais presentes no Prudential Center.

No co-main event, Joshua Van coloca o cinturão peso-mosca em jogo pela primeira vez contra Tatsuro Taira. Van conquistou o título ao derrotar o brasileiro Alexandre Pantoja — uma derrota que ainda ressoa no Brasil — e agora enfrenta o terceiro colocado do ranking da divisão. A luta tem potencial para ser técnica e longa, com Van apostando em wrestling e Taira na precisão das trocações.

"Strickland é durão, mas eu sou diferente de tudo que ele já enfrentou", declarou Chimaev durante os confrontos verbais da semana, numa referência direta ao estilo híbrido que o russo apresenta — wrestling de elite combinado com striking crescente.

O UFC 328 começa às 18h (de Brasília), com o card principal previsto para as 22h. Marco Túlio "Matuto" e Djorden Santos entram no octógono antes disso, nas preliminares — e é exatamente aí que a noite pode ganhar um sotaque brasileiro antes mesmo de Chimaev e Strickland resolverem suas diferenças com o cinturão em jogo.