Um clube pode ser grande demais para depender de um único jogador — e pequeno demais para sobreviver sem ele. Esse é o paradoxo que o Atlético-MG herda com a saída de Hulk, 39 anos, que assinou contrato com o Fluminense válido até dezembro de 2027 sem qualquer taxa de transferência, por se tratar de atleta em fim de vínculo.
O precedente que o Galo conhece bem
Quando Reinaldo deixou o clube em 1987, o Atlético passou quase três temporadas sem um centroavante com o mesmo peso simbólico e estatístico. A analogia não é perfeita — o futebol de 2026 tem janelas, Transfermarkt e intermediários —, mas o vazio estrutural se repete. Hulk acumulou números que poucos jogadores entregam no Brasil depois dos 35 anos: presença em lances decisivos, escanteios cobertos, pênaltis convertidos e uma liderança de vestiário que não aparece em nenhuma planilha de scouting.
Segundo o técnico Domínguez, a saída foi avaliada com naturalidade dentro do clube, e o staff já trabalha em possíveis caminhos para reequilibrar o setor ofensivo. O treinador não escondeu que a equipe precisa de soluções rápidas: o Atlético-MG ocupa atualmente a terceira posição do Grupo B da Copa Sul-Americana, com quatro pontos, um atrás do Nacional-URU e quatro abaixo do líder Cienciano-PER.

"Temos que olhar para dentro e encontrar saídas no próprio elenco, mas o mercado também está aberto", disse Domínguez após a partida em Montevidéu.
O que Hulk representava no balanço do Galo
Do ponto de vista financeiro, a saída é duplamente relevante. Hulk figurava entre os maiores salários do elenco atleticano — estimativas do mercado apontam para cifras acima de R$ 2,5 milhões mensais em remuneração total, incluindo luvas e direitos de imagem. O espaço na folha agora liberado representa margem real para contratações.
O Transfermarkt avalia o atacante em € 800 mil, valor que reflete a idade, não o impacto. Para efeito de ROI, o clube recuperou o investimento feito em 2021 de forma consistente: Hulk gerou receita indireta via audiência, patrocínio e engajamento comercial que dificilmente será replicada por um substituto de prateleira. Saiu.
O SportNavo apurou junto a agentes que atuam no mercado brasileiro que o Atlético monitora pelo menos dois perfis: um centroavante sul-americano com valor de mercado entre € 4 e € 6 milhões, e um jogador de posição mais recuada que permita ao técnico usar dois homens na frente sem perder profundidade.
Os nomes que circulam na Cidade do Galo
As principais opções internas são Paulinho, 24 anos, que oscilou em 2025 mas mantém valor de mercado estimado em € 7 milhões, e Deyverson, cujo contrato se estende até o fim de 2026. Nenhum dos dois tem o perfil físico de Hulk — potência no um contra um, chute de longa distância, liderança em situações de pressão.
No mercado externo, o nome de Luciano, do São Paulo, foi mencionado por intermediários como possibilidade para a janela de julho. O atacante, 30 anos, tem valor de mercado de € 3,5 milhões e contrato com o Tricolor paulista até dezembro de 2026, o que abre espaço para negociação sem custo proibitivo de transferência.
"Substituir Hulk em campo é uma coisa. Substituir o que ele representa para a torcida é outra conversa", resumiu um dirigente atleticano, em caráter reservado.
O Atlético precisa decidir rápido
A janela de transferências do meio do ano abre em 1º de julho. O Atlético-MG tem até lá para mapear, negociar e registrar um substituto que atenda tanto ao técnico Domínguez quanto às expectativas de uma torcida acostumada a referências ofensivas de alto impacto. O risco de chegar ao segundo semestre do Brasileirão 2026 sem essa reposição é concreto — e o calendário não espera. O próximo compromisso do Galo na Sul-Americana está marcado para a semana que vem, contra o Puerto Cabello-VEN, com o clube podendo cair para a lanterna do grupo caso os venezuelanos pontuerem antes disso. São 38 rodadas de Brasileirão pela frente e um centroavante a menos.









