17 jogos, 7 vitórias e eliminação na quinta fase da Copa do Brasil. Foi esse o balanço que custou o cargo a Roger Machado no São Paulo na noite de quarta-feira, 13 de maio — e que abriu, pela segunda vez em menos de três anos, uma vaga para Dorival Júnior no banco do MorumBis.

A demissão que o presidente dizia não poder bancar

O desligamento de Roger Machado foi anunciado pelo diretor executivo Rui Costa logo após a derrota por 3 a 1 para o Juventude, em Caxias do Sul, que confirmou a eliminação tricolor. O técnico havia sido contratado em março para substituir Hernán Crespo e encerrou a passagem em meio a cinco jogos sem vitória.

O timing da saída expõe uma contradição interna. Em áudio vazado, o presidente Harry Massis havia afirmado que não pretendia demitir Roger Machado mesmo em caso de eliminação porque "não tinha dinheiro" para arcar com a multa rescisória. A declaração ganhou outro peso quando a derrota tornou a demissão inevitável.

A demissão que o presidente dizia não poder bancar R$ 2,8 milhões por mês e uma
A demissão que o presidente dizia não poder bancar R$ 2,8 milhões por mês e uma

A eliminação precoce também tem custo direto no caixa. O São Paulo deixou de arrecadar R$ 3 milhões em premiação — valor destinado aos classificados às oitavas de final. O clube havia garantido R$ 2 milhões ao estrear na quinta fase, mas o planejamento orçamentário previa avançar ao menos até as quartas.

Dorival como prioridade e o peso da dívida anterior

A primeira ligação da diretoria foi para Dorival Júnior. Campeão da Copa do Brasil pelo São Paulo em 2023, o treinador está livre no mercado desde a saída do Corinthians e reúne aprovação praticamente unânime entre dirigentes e conselheiros tricolores. A reunião com Dorival e seus representantes foi marcada para esta quinta-feira, 14 de maio.

O histórico facilita a conversa — mas o financeiro a complica. O último balanço do clube aponta que o São Paulo ainda deve R$ 3,2 milhões a Dorival referentes à passagem encerrada quando ele aceitou o convite para comandar a Seleção Brasileira. Essa pendência entra na mesa de negociação antes mesmo de se discutir o novo contrato.

"Dorival custaria entre R$ 2,8 milhões e R$ 3 milhões por mês, valor considerado fora do orçamento atual do clube", afirmou o presidente Harry Massis no áudio que circulou nos últimos dias.

O salário praticado pelo treinador no Corinthians é o principal obstáculo. A diretoria avalia que os vencimentos recebidos naquele clube fogem da realidade financeira tricolor. O objetivo da reunião desta quinta é mapear se existe margem para adequação — e Dorival, segundo apuração da ESPN, tem propostas de outros clubes em análise.

Quando Dorival já esteve nessa mesma encruzilhada com o São Paulo

O precedente histórico mais próximo é o próprio ciclo anterior. Em 2023, Dorival chegou ao São Paulo em momento de instabilidade, construiu identificação rápida com a torcida e entregou o título da Copa do Brasil — o primeiro em 22 anos. A saída, aceita por ambos os lados em razão do apelo nacional da Seleção, preservou a relação e é hoje o principal argumento dos dirigentes que defendem o retorno.

A diferença em relação a 2023, como aponta o SportNavo com base nos números públicos do clube, é que a situação financeira se deteriorou. Naquele momento, o São Paulo não tinha dívida pendente com o treinador nem enfrentava a pressão de uma eliminação dupla — da Copa do Brasil e da meta orçamentária.

No ditado popular, quem não tem cão caça com gato. No mercado de técnicos, o São Paulo tenta reverter esse princípio: tem o candidato ideal, mas precisa convencê-lo a aceitar menos do que o mercado oferece.

Os outros nomes e o prazo para decidir

Se a negociação com Dorival travar, a diretoria tem alternativas mapeadas. O argentino Juan Pablo Vojvoda, que deixou o Santos recentemente, é monitorado e já havia sido cogitado pelo clube em oportunidades anteriores — sem que as conversas avançassem. Rogério Ceni também aparece na lista: ídolo histórico do São Paulo, o treinador vive pressão no Bahia, eliminado da Copa do Brasil pelo Remo, e uma eventual saída o colocaria entre os favoritos.

O relógio corre. A diretoria reconhece que não pode prolongar indefinidamente a indefinição. O São Paulo enfrenta o Fluminense no Maracanã no sábado, 16 de maio, com um interino no comando. Mas a partida decisiva que impõe prazo real é na terça-feira, 19 de maio, contra o Millonarios, pelo MorumBis, pela Copa Sul-Americana — e o clube quer um treinador titular no banco nesse jogo.

A reunião desta quinta com Dorival define o caminho. Se houver acordo salarial, o treinador assume com quatro dias para preparar a equipe. Se não, a diretoria precisará decidir entre Vojvoda, Ceni ou um nome ainda fora do radar — tudo isso com R$ 3,2 milhões de dívida antiga pendente e R$ 3 milhões a menos no caixa por conta da eliminação precoce.