Diz-se que o Vasco fez uma das contratações ofensivas mais promissoras do mercado de janeiro. Na verdade, não fez — e os números de Marino Hinestroza nos últimos quatro meses explicam por quê.

O investimento que ainda não se pagou

Hinestroza chegou ao Cruz-Maltino em janeiro de 2026 por R$ 31 milhões, transferido do Atlético Nacional, da Colômbia. O contrato assinado vai até 2029 — quatro temporadas de vínculo para um jogador que, até aqui, disputou 15 partidas e foi titular em apenas três delas. O saldo ofensivo: zero gols, zero assistências.

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Para contextualizar o tamanho do problema, o atacante sequer aparece com relevância nos dados de expected goals (xG) — métrica que estima a probabilidade de um chute resultar em gol com base na posição e no contexto da jogada. Um xG próximo de zero em 15 partidas indica que Hinestroza não está chegando em situações reais de finalização, o que vai além de má pontaria: é ausência de protagonismo ofensivo.

Antes de fechar com o Vasco, o colombiano esteve perto de assinar com o Boca Juniors. O clube carioca venceu a disputa, mas pagou um preço que ainda não encontrou retorno dentro de campo.

Renato defende, torcida não perdoa

O técnico Renato Portaluppi tem blindado publicamente o atacante desde abril. Em entrevista, o treinador reconheceu as falhas, mas atribuiu ao tempo de adaptação:

"O que mais falo, até por eu ter sido atacante, é para terem tranquilidade para tomar decisão, porque o desespero dentro ou próximo da área é sempre do adversário", disse Portaluppi.

Na mesma linha, o técnico admitiu que os erros dos colombianos do elenco — são quatro no grupo — são recorrentes, mas tratáveis:

"Temos quatro colombianos no grupo. Eu procuro corrigir. Eles têm muitos erros. É meu trabalho, mas é falta de tempo, não é da noite para o dia que vou corrigir os caras 100%", completou Renato.

A torcida, no entanto, perdeu a paciência antes do treinador. A falta de conclusão nas jogadas e o alto índice de perda de posse de bola são as principais queixas nos fóruns e redes sociais do clube.

A curtida que acendeu o mercado

Na segunda-feira, 12 de maio, Hinestroza curtiu uma publicação do perfil Transfermarkt Colômbia no Instagram — post que especulava a ida do atacante ao São Paulo. A ação foi registrada por torcedores e rapidamente viralizou, gerando reação imediata da torcida vascaína nas redes sociais.

Nos bastidores, o movimento não foi surpresa. O São Paulo monitora Hinestroza desde a Copa Libertadores de 2025, quando o colombiano chamou atenção atuando pelo Atlético Nacional nos duelos contra clubes brasileiros. A comissão técnica tricolor enxerga no atacante um perfil de velocidade e profundidade ofensiva — características que o clube busca no mercado.

A negociação mais ventilada envolve uma troca: Hinestroza indo ao Tricolor enquanto o zagueiro Arboleda seguiria para São Januário. Há ainda o nome do lateral Lucas Piton sendo mencionado como parte do pacote, o que tornaria a operação ainda mais complexa. O Vasco vê em Arboleda uma solução para reforçar a defesa; o São Paulo, por sua vez, busca solucionar a lacuna aberta pelo próprio zagueiro equatoriano, que não tem garantia de permanência.

O efeito cascata de uma troca por Arboleda

A operação enfrenta obstáculos financeiros concretos. Hinestroza tem valor de mercado estimado em torno de € 5 milhões pelo Transfermarkt — bem abaixo dos R$ 31 milhões investidos pelo Vasco em janeiro. Arboleda, aos 33 anos, tem contrato com o São Paulo e valor de mercado na casa de € 1,5 milhão. A diferença entre os ativos dificulta qualquer equação de troca direta sem compensação financeira adicional.

Para o Vasco, desfazer-se de Hinestroza na janela de meio de ano significaria registrar prejuízo contábil relevante — a menos que o São Paulo banque uma luva ou taxa de empréstimo que amenize o impacto. A modalidade de empréstimo com opção de compra é a mais discutida nos bastidores, segundo fontes que acompanham o mercado.

Do lado são-paulino, a entrada de Hinestroza dependeria da saída ou da renegociação de Arboleda, o que movimenta também o planejamento defensivo do técnico tricolor para o segundo semestre — período que inclui a fase decisiva da Copa do Brasil e o returno do Brasileirão 2026.

Nesta quarta-feira, 13 de maio, o Vasco enfrenta o Paysandu às 19h, em São Januário, pela Copa do Brasil. Hinestroza aparece na provável escalação de Renato Gaúcho — mais uma chance para o colombiano mostrar que o investimento de R$ 31 milhões ainda tem valor. O palco está dado — falta o protagonismo.