"Têm sido dias difíceis para nós. É algo parecido com o ano passado — eliminação na Copa do Brasil, a gente perde muitos jogadores importantes e isso acaba dificultando ainda mais."A frase é do goleiro Rafael, dita no corredor do Maracanã após o 2 a 1 para o Fluminense neste sábado, 16 de maio. Ele não precisou elaborar muito: o cenário falava por si.
Três derrotas, seis jogos sem ganhar e um elenco que não aguenta
O São Paulo acumula agora três derrotas consecutivas no Brasileirão 2026 e seis partidas sem vencer. Antes do Fluminense, o clube cedeu 3 a 2 ao Corinthians e 3 a 1 ao Juventude — adversário que também eliminou o tricolor da Copa do Brasil na semana passada. A sequência coloca o São Paulo em zona de alerta no campeonato já nas rodadas iniciais.
No Maracanã, a equipe entrou em campo com 10 desfalques. Entre os ausentes estavam Calleri, Luciano e Lucas Moura — este último sem previsão de retorno antes de 2027, segundo o próprio clube. Com um elenco tão reduzido, o time não tem capacidade de rotação e o desgaste físico e psicológico se acumula rodada a rodada.
Rafael usou a palavra "confiança" ao menos quatro vezes em sua entrevista pós-jogo.
"A eliminação diante do Juventude tirou toda nossa confiança. Lutamos pelo empate até o fim, diante de uma grande equipe, mas detalhes custam resultados. A falta de confiança não está nos ajudando."
A crise de 2025 como espelho — e o que mudou desde então
Em 2025, o São Paulo terminou o Brasileirão em situação crítica, chegando perigosamente perto da zona de rebaixamento antes de se recuperar nas rodadas finais. O padrão era o mesmo: eliminações precoces em copas, acúmulo de lesões e queda de rendimento coletivo. Rafael foi um dos poucos titulares que permaneceu ao longo de toda aquela turbulência e reconhece a semelhança com o presente.
A diferença entre os dois momentos, ao menos no papel, é o nome no comando técnico. Louis Zubeldía dirigiu o clube durante a maior parte daquele ciclo difícil. Agora, após a demissão de Roger Machado, é Dorival Júnior quem assume na segunda-feira, 18 de maio — e já se tornou a principal esperança da torcida para estancar a sequência negativa.
A distância entre o São Paulo atual na tabela e o G-4 do Brasileirão já equivale, em pontos perdidos, a algo da magnitude de uma viagem de Recife a Natal: curta no mapa, mas longa demais quando o terreno está minado. São cinco pontos de gap em relação ao quarto colocado, com o time ainda sem encontrar regularidade defensiva — foram oito gols sofridos nos últimos três jogos.
Financeiramente, o clube comprometeu recursos relevantes na montagem do elenco para 2026. Lucas Moura, contratado por cifras próximas a R$ 18 milhões em luvas no ano passado, está indisponível até 2027. Calleri segue com salário estimado em R$ 1,2 milhão mensais e também fora de combate. O retorno financeiro sobre esses ativos está suspenso enquanto o time perde pontos sem eles.
O que Dorival herda e o que precisa resolver antes da parada da Copa
Rafael já traçou o roteiro do que espera do novo técnico:
"Espero que o Dorival traga essa confiança e tranquilidade para a gente findar com essa fase até a parada da Copa. São quatro jogos importantes — dois do Brasileirão, contra Botafogo e Remo, e dois da Sul-Americana, contra Millonarios já na terça-feira e Boston River."
O jogo contra o Millonarios, pela Copa Sul-Americana, será na terça-feira, 19 de maio — ou seja, Dorival terá menos de 48 horas para fazer seu primeiro treino antes de uma partida continental. O calendário não dá margem para adaptação lenta.

Contra o Botafogo e o Remo no Brasileirão, o São Paulo precisará de ao menos quatro pontos para começar a recuperar terreno na tabela. O Remo, recém-promovido à Série A, representa a oportunidade mais imediata de quebrar o jejum — mas jogos "fáceis no papel" já custaram caro ao clube nesta temporada.
A pergunta que fica para o torcedor tricolor é direta: se Dorival não conseguir vencer os quatro jogos antes da parada da Copa do Mundo 2026, o São Paulo terá fôlego financeiro e de elenco para brigar pela parte de cima da tabela na segunda metade do campeonato — ou a história de 2025 vai se repetir com desfecho ainda mais amargo?










