Trinta e seis anos de espera desde a conquista mais recente, em 1994, e um debate que cresce a cada treino da Seleção Brasileira: Neymar estará na Copa do Mundo 2026? A resposta de Raphinha, atacante do Barcelona e um dos titulares do técnico Carlo Ancelotti na equipe nacional, chegou em tom de convicção durante entrevista ao apresentador Luciano Huck. Para o jogador nascido em Porto Alegre há 29 anos, não há hexa sem o camisa 10.

A declaração que reabriu o debate

Raphinha não poupou elogios ao companheiro de seleção e foi direto ao ponto ao ser questionado sobre a presença de Neymar no Mundial que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.

"Para mim, Neymar é o cara do hexa. Temos que ter o entendimento do que ele é para o futebol brasileiro. É o cara que me abraçou na Seleção como se me conhecesse há tempos."

O depoimento vai além da simples defesa de um colega. Raphinha descreveu com precisão como Neymar o acolheu nos primeiros chamados à Seleção, revelando um aspecto da liderança do atacante que raramente ganha visibilidade fora dos bastidores.

A declaração que reabriu o debate Raphinha bate o martelo e elege Neymar c
A declaração que reabriu o debate Raphinha bate o martelo e elege Neymar c
"Foi um cara que me acolheu dentro da seleção, me abraçou como se ele já me conhecesse há muito tempo. Me deu confiança para poder jogar meu futebol. Me abraçou, me abraçou de verdade. E o Neymar nesta seleção vai ajudar, se o Ancelotti colocar."

A ressalva final — "se o Ancelotti colocar" — é a chave de toda a questão. O técnico italiano, que assumiu a Seleção Brasileira em 2025, não convocou Neymar desde o início de seu trabalho à frente do Brasil, adotando como critério principal a condição física dos atletas.

Neymar na história da Seleção — os números falam

Para compreender o peso do argumento de Raphinha, a análise estatística é indispensável. Neymar disputou três Copas do Mundo pelo Brasil: 2010 (África do Sul), 2014 (Brasil) e 2018 (Rússia). Nessas três participações, marcou oito gols, sendo artilheiro da edição de 2014 com quatro tentos antes de se lesionar gravemente na semifinal contra a Colômbia, em Fortaleza, no dia 4 de julho daquele ano — fratura da terceira vértebra lombar que o tirou da histórica goleada de 7 a 1 sofrida para a Alemanha.

Em termos de aproveitamento por Copa, o Brasil com Neymar chegou às quartas de final em 2010, às semifinais em 2014 e às quartas em 2018 — eliminado pela Bélgica por 2 a 1 em Kazan, no dia 6 de julho. Ao longo de toda a sua carreira pela Seleção, o atacante acumula 79 gols em 128 jogos, superando o recorde histórico de Pelé, que marcou 77 vezes com a camisa amarela. São números que, independentemente de qualquer debate conjuntural, consolidam Neymar como o maior artilheiro da história do futebol brasileiro.

Na avaliação do SportNavo, a comparação com gerações anteriores reforça o argumento numérico: Ronaldo Fenômeno marcou 15 gols em três Copas (1994, 1998 e 2002), com o pico em 2002 — oito gols, incluindo o doblete na final contra a Alemanha em Yokohama. Rivaldo somou oito gols em 1998 e 2002 combinados. Neymar, apesar das lesões e das circunstâncias adversas, mantém uma média de 2,67 gols por Copa, comparável à de Bebeto (8 gols em três edições) e superior à de Zico, que jamais converteu um pênalti sequer em Copas do Mundo.

A situação atual e a decisão de Ancelotti

O cenário presente, no entanto, impõe limitações severas ao discurso emocional. Neymar retornou ao Santos em 2025 após uma longa recuperação de uma grave lesão no joelho direito sofrida em outubro de 2023, quando defendia o Al-Hilal em partida pelas Eliminatórias da Copa da Ásia. Desde então, o atacante disputou poucos jogos no Campeonato Brasileiro de 2026, ainda em processo de recuperação do ritmo competitivo na Vila Belmiro.

Ancelotti, com a seriedade metodológica que caracteriza sua carreira — quatro títulos da Liga dos Campeões pelo Real Madrid e pelo AC Milan — deixou claro que a convocação depende exclusivamente de condição física. A lista definitiva para a Copa do Mundo 2026 será divulgada no dia 18 de maio, aproximadamente três semanas antes do início do torneio, em junho.

Conforme levantamento do SportNavo, esta será a Copa do Mundo com maior número de seleções da história — 48 equipes, ampliando o torneio para 104 jogos. O Brasil estreia na fase de grupos e uma eventual classificação de Neymar à lista final seria decidida nas próximas semanas, período em que o atacante precisará demonstrar ao comissão técnica a capacidade de suportar a intensidade de um torneio desta magnitude.

O peso simbólico e a decisão racional

A declaração de Raphinha representa mais do que lealdade entre companheiros. O atacante do Barcelona, que marcou 27 gols na temporada 2024/2025 pelo clube catalão e consolidou-se como um dos líderes técnicos e morais da Seleção, carrega credibilidade suficiente para que suas palavras gerem impacto real no debate público.

A história das Copas do Mundo, no entanto, está repleta de episódios em que a ausência de um craque obrigou gerações inteiras a se reinventarem. Em 1962, Pelé se lesionou na segunda rodada contra a Tchecoslováquia e o Brasil ergueu o troféu sem ele — graças, em grande parte, ao talento de Garrincha, artilheiro do torneio com quatro gols. Em 1966, a Seleção foi eliminada na fase de grupos mesmo contando com Pelé. O futebol é coletivo, e os números o comprovam. A convocação de Neymar, se vier no dia 18 de maio, dependerá de laudos médicos e da avaliação final de Ancelotti — não de declarações de afeto, por mais sinceras que sejam.