O treino de domingo, 3 de maio, no CT Rei Pelé tinha tudo para ser uma atividade de rotina — atletas que não atuaram contra o Palmeiras, trabalho de campo sem holofotes. Mas um drible bem executado por um jovem de 19 anos mudou o tom do dia inteiro. Neymar, o camisa 10 do Santos, se irritou após ser superado por Robinho Jr., aplicou uma rasteira no garoto e ainda trocou palavras em tom elevado com ele, segundo apuração do ge. Companheiros precisaram intervir. O episódio, que poderia ter ficado restrito ao vestiário, chegou a Limeira — onde o pai do jovem cumpre pena por estupro — e agora movimenta os bastidores do clube com uma notificação formal e a sombra de uma rescisão contratual.
O que aconteceu no CT e como o Santos foi surpreendido
Neymar admitiu o excesso em conversa com Robinho Jr. na noite de segunda-feira, 4 de maio, durante a concentração em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Segundo apuração da ESPN, o capitão voltou a pedir desculpas e reconheceu ter se exaltado, mas insistiu na narrativa de que foi "um tapa normal no futebol". O jovem aceitou a retratação privada. Na manhã de segunda, inclusive, os dois conversaram diante do elenco e da comissão técnica em clima ameno — o que levou a diretoria santista a acreditar que o caso estava encerrado. Horas depois, o clube recebeu uma notificação formal do estafe de Robinho Jr., e a situação ganhou outra dimensão.
A família do atacante exige três coisas: disponibilização das imagens do treino, pedido de desculpas público de Neymar e uma reunião para discutir a rescisão do contrato vigente até dezembro de 2031. O Santos abriu procedimento de sindicância para apurar os fatos. O estafe de Neymar não se manifestou oficialmente até o fechamento desta matéria.
Robinho, preso em Limeira, quer ir até o fim
Robinho, condenado por estupro e recolhido à Penitenciária de Limeira, foi informado pelos seus advogados sobre o episódio envolvendo o filho e decidiu que não aceitará a retratação privada como solução. Segundo o UOL, ele entende que o pedido de desculpas de Neymar não é suficiente e quer levar o caso até o fim. A posição do pai contrasta diretamente com a do filho, que aceitou a conversa com o capitão. Essa divergência interna torna o cenário mais complexo: mesmo que Robinho Jr. queira encerrar o assunto dentro de campo, a família — e especialmente o pai — mantém pressão jurídica sobre o Santos.
Internamente, pessoas ligadas ao clube avaliam que a postura do entorno do atleta pode ser uma estratégia para viabilizar uma rescisão por justa causa, especialmente porque o processo de renovação contratual já vinha sendo descrito como desgastante. Os representantes de Robinho Jr. rejeitam essa leitura e afirmam que a reação se deve exclusivamente ao episódio do treino. Uma terceira saída debatida nos bastidores é o empréstimo do jovem a outro clube — ele tem tido poucas oportunidades na equipe principal de Cuco Fabrício, hoje sob comando de Cuca.
O poder de Neymar dentro do Santos e o que os números dizem
Para entender a assimetria de poder nesse conflito, um dado ajuda: o índice de participação ofensiva de Neymar no Santos em 2026 — medido pelo Expected Threat (xT), métrica que quantifica o perigo gerado por cada ação com bola, seja passe, drible ou finalização — coloca o camisa 10 como o jogador com maior influência direta nas chances criadas pelo clube no Brasileirão. Em termos práticos, isso significa que o Santos depende mais de Neymar para criar perigo do que qualquer outro time da Série A depende de seu principal jogador. Essa dependência se traduz em poder informal: o astro opera como figura incontornável dentro do CT, o que dificulta qualquer medida disciplinar mais severa por parte da diretoria.
Robinho Jr., por sua vez, tem contrato até dezembro de 2031 — vínculo longo, assinado quando o pai ainda era referência simbólica no clube. Com poucas aparições no time principal nesta temporada, o jovem vive uma contradição típica de atletas que chegam com o peso de um sobrenome: contrato de longa duração, mas espaço mínimo para se provar. A situação reforça a percepção de que o Santos precisa definir o que quer fazer com esse jogador além da narrativa de herdeiro.
O Santos entre a sindicância e a Copa Sul-Americana
Enquanto o procedimento de sindicância avança internamente, o Santos volta a campo nesta terça-feira, 5 de maio, contra o Recoleta, pela Copa Sul-Americana, no Paraguai. O clube chega ao jogo com a polêmica ainda quente, sem posicionamento público de Neymar e com uma notificação formal que não foi retirada. No último compromisso, o Peixe empatou em 1 a 1 com o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro — resultado que mantém a pressão por desempenho dentro e fora de campo.
Se o Santos concluir a sindicância sem punição visível a Neymar, a família de Robinho Jr. tem sinalizado que levará o caso à Justiça do Trabalho para tentar a rescisão indireta. A pergunta que fica é concreta: se as imagens do treino forem disponibilizadas e confirmarem a versão da família, o Santos terá argumentos para resistir a uma rescisão por justa causa de um contrato que vai até 2031?








