O calor de Sevilla ainda esquentava as arquibancadas quando Ander Barrenetxea já celebrava. Quatorze segundos. Foi o tempo que o atacante de 23 anos, cria da base da Real Sociedad, precisou para abrir o placar na final da Copa del Rey e entrar para a história como autor do gol mais rápido de uma decisão do torneio.

A conquista do título basco por 4 a 3 nos pênaltis, após empate em 2 a 2 no tempo regulamentar e prorrogação, representa mais que uma taça. É a coroação de um projeto iniciado há anos nas categorias de base de Zubieta, que formou os protagonistas da noite mais importante da temporada txuri-urdin.

O recorde que mudou a final

Quando o goleiro Unai Marrero lançou a bola para frente nos primeiros segundos, poucos imaginavam o que estava por vir. Giuliano Simeone falhou no corte, Gonçalo Guedes cruzou da esquerda e Barrenetxea, com seus 1,78m, subiu mais que a defesa colchonera para cabecear e superar a marca de 73 anos de Manuel Badenes, que havia marcado aos 17 segundos pelo Valencia em 1952.

O gol relâmpago mexeu com os nervos do Atlético de Madrid. Diego Simeone gesticulava na linha lateral enquanto sua equipe tentava encontrar o equilíbrio após o baque inicial. A resposta veio aos 18 minutos, quando Griezmann encontrou Ademola Lookman desmarcado na entrada da área para o empate por 1 a 1.

Mas a Real Sociedad voltaria à frente ainda no primeiro tempo. Juan Musso dividiu no ar com Gonçalo Guedes na área e cometeu pênalti aos 45 minutos. Oyarzabal, capitão e outro produto da base, cobrou com precisão para recolocar os bascos na vantagem.

Marrero assume o protagonismo nos pênaltis

Se Barrenetxea abriu a noite com seu momento histórico, foi Unai Marrero quem a encerrou como herói improvável. O goleiro de 24 anos, com apenas quatro partidas na LaLiga em toda a carreira, defendeu as duas primeiras cobranças do Atlético na decisão por pênaltis.

Marrero não faz parte do cotidiano da equipe no campeonato espanhol, mas apareceu basicamente na Copa del Rey nesta temporada, com seis jogos. Quando o momento decisivo chegou, após Julián Alvarez empatar por 2 a 2 aos 38 minutos do segundo tempo, o jovem arqueiro assumiu o protagonismo que o jogo pediu.

A prorrogação manteve o equilíbrio, com a Real Sociedad voltando ao jogo após sofrer pressão no final do tempo normal. Musso ainda fez grande defesa, e Alvarez acertou a trave em resposta, mas a decisão ficou mesmo para os pênaltis.

Base basca supera investimento colchonero

O contraste entre os projetos ficou evidente na final. Enquanto o Atlético de Madrid investe pesado em contratações e tem o técnico mais bem pago do mundo, a Real Sociedad apostou na formação caseira para conquistar seu primeiro título importante em anos.

Segundo apuração do SportNavo, o time titular basco tinha média de idade baixa, com vários jogadores formados no clube desde as categorias menores. A filosofia de Zubieta, centro de treinamento da Real Sociedad, prioriza o desenvolvimento técnico e tático dos jovens talentos da região basca.

Para Simeone, a derrota amplia questionamentos sobre um projeto que caminha para a quinta temporada sem títulos, apesar dos investimentos milionários. O técnico argentino mudou o patamar do Atlético no início de seu trabalho, mas o contexto atual exige mais de um elenco caro e frequentemente reforçado.

O futuro passa por San Sebastián

A conquista da Copa del Rey representa um marco para o futebol basco e um exemplo de como a formação de base pode superar investimentos em contratações. Barrenetxea, Marrero, Oyarzabal e outros produtos de Zubieta mostraram que o caminho da paciência e do desenvolvimento interno ainda funciona no futebol moderno.

A Real Sociedad volta a campo na próxima quinta-feira, contra o Villarreal, pela LaLiga, tentando manter o embalo do título e brigar por uma vaga na próxima Champions League. Para o Atlético de Madrid, resta a semifinal da Champions como última chance de título na temporada, com o confronto contra o Manchester City marcado para a próxima semana.