Quatro gols no segundo tempo, dois atletas adversários expulsos, placar de 6 a 0 fora de casa. Quando o árbitro encerrou o duelo na Arena Cajueiro, na tarde de sexta-feira (15/05), o Redenção FC havia deixado de ser apenas mais um participante do Campeonato Baiano Série B para se tornar o sinal de alerta da competição. O Leônico, que entrou em campo com vantagem de jogar em casa, terminou a partida com nove homens e uma goleada histórica no currículo.
Como o jogo virou antes mesmo do intervalo
Há quem argumente que a goleada foi produto exclusivo das expulsões — que sem as inferioridades numéricas, o resultado seria outro. O argumento tem uma lógica superficial, mas ignora a cronologia dos fatos. Aos 33 minutos, o Leônico recebeu o primeiro cartão vermelho ainda com o placar zerado. O primeiro gol do Redenção só veio aos 38 minutos, cinco minutos depois da expulsão. Ou seja: o time visitante precisou de cinco minutos para converter a vantagem numérica em vantagem no marcador. Aos 44 minutos, antes mesmo do apito do intervalo, o placar já era 2 a 0. A eficiência não foi sorte — foi método.
A segunda expulsão que transformou o jogo em passeio
No retorno do intervalo, o Leônico entrou em campo com dez homens e saiu com nove. Aos 52 minutos, um segundo atleta da equipe da casa foi expulso, deixando o adversário com dois jogadores a menos pelo restante da partida. A reação do banco do Leônico foi de forte reclamação, segundo relatos da cobertura local — mas reclamação não reverte cartão vermelho. Com superioridade numérica dupla, o Redenção marcou mais quatro vezes: aos 56', 69' e duas vezes nos acréscimos, aos 90'. Hugo foi o destaque individual, marcando duas vezes. Jorge, Miguez, Jean Perez e Felipinho completaram o placar. É o tipo de tarde que, em Salvador, tem o mesmo efeito de um temporal no fim de semana — arrasa tudo e ainda deixa rastro.
"O Leonico nunca conseguiu se organizar taticamente depois das expulsões. O Redenção foi cirúrgico e demonstrou porque é um dos favoritos ao acesso", avaliou um jornalista esportivo local presente à partida, conforme registrado pela cobertura do Lance do Jogo.
O que o 6 a 0 revela sobre o Redenção na tabela
Antes desta rodada, o Redenção havia disputado duas partidas sem vencer — e chegou à 3ª rodada ainda zerado em pontos. Havia, portanto, uma pressão real por resultado. Vencer por 6 a 0 fora de casa, mesmo contra um adversário reduzido numericamente, não é trivial: exige organização ofensiva, aproveitamento clínico e concentração para não relaxar com o placar dilatado. O clube rubro-negro da capital baiana fez tudo isso e subiu para a 5ª posição com três pontos. O Leônico, por sua vez, permanece em 8º com apenas um ponto em três jogos.
A comparação com outros resultados da rodada reforça o peso do placar. Uma goleada de seis gols em competições regionais de acesso não é comum — e feita fora de casa, com dois gols antes do intervalo e quatro no segundo tempo, aponta para um elenco que sabe administrar vantagem, não apenas construí-la. Quem acompanhou o Redenção nas duas primeiras rodadas sem vitória pode ter subestimado o potencial do grupo. O 6 a 0 sobre o Leônico corrige essa leitura com dados concretos.
O que vem pela frente para o clube da capital
Com três pontos e moral elevada após a maior goleada da temporada no Baianão Série B até agora, o Redenção FC enfrenta a 4ª rodada da fase regular com um perfil diferente: o de equipe que já mostrou capacidade de destruir adversários em campo adversário. A tabela ainda tem oito rodadas pela frente na fase regular, e o acesso exige consistência — não apenas uma tarde inspirada. Mas a goleada sobre o Leônico estabelece um parâmetro ofensivo que poucos times da competição podem ignorar. O próximo compromisso do Redenção será o teste real de caráter: manter o nível sem a vantagem numérica que a 3ª rodada ofereceu.










