"Você não é um titular. Você vai jogar a hora que eu quiser." A frase é de Roberto Rivellino, 77 anos, campeão mundial em 1970 e ídolo do Fluminense, e ela resume com precisão cirúrgica o dilema que Carlo Ancelotti enfrenta às vésperas da Copa do Mundo.

O que os números do Santos revelam sobre o Neymar de 2026

Neymar soma 44 jogos, 18 gols e 9 assistências na segunda passagem pelo Santos — uma média que, em termos brutos, seria aceitável para qualquer atacante de área. O problema é que o camisa 10 não é qualquer atacante, e o Santos ocupa a 15ª posição do Brasileirão 2026, com apenas 16 pontos, às vésperas da 16ª rodada. No domingo (17), o Peixe enfrenta o Coritiba na Neo Química Arena em partida que o clube precisa vencer para se aproximar do meio da tabela.

O presidente Marcelo Teixeira tratou de blindar o ambiente interno.

"Quando trouxemos o Neymar, em janeiro de 2025, grande parte da imprensa dizia que ele ficaria no Santos por apenas seis meses antes de ir para os Estados Unidos. Já se passou um ano e meio e ele continua conosco"
, disse Teixeira à ESPN, reforçando a expectativa de que o contrato, válido até 31 de dezembro de 2026, seja cumprido integralmente.

Rivellino, Ancelotti e as vozes que pesam na decisão

Rivellino não poupou análise. Ao comentar o caso para o canal Placar, o ex-meia foi direto sobre a condição física do atacante:

"Fisicamente, como é que o Neymar está? Amanhã leva, baixa o corpo, pode machucar. Então existe essa preocupação. Mas é um jogador que faz a diferença."
A ponderação do ídolo tricolor carrega peso histórico — ele próprio disputou a Copa de 1974, na Alemanha, já com limitações físicas, e sabe o que significa carregar expectativas maiores do que o corpo consegue sustentar.

Ancelotti, por sua vez, elogiou Neymar publicamente nas últimas semanas, o que alimentou a esperança santista. O técnico italiano, que na temporada 2025/2026 já demonstrou preferência por elencos enxutos e hierarquia clara, anunciará a lista de 26 convocados na segunda-feira (18), às 17h, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O SportNavo apurou que a convocação será a de maior cobertura internacional da história da Seleção.

O interesse global e a imagem que o Brasil não controla mais

Jornalistas de 13 países confirmaram presença no evento, segundo a CBF — entre eles, profissionais de Inglaterra, Espanha, Argentina, Estados Unidos, Japão, China e Emirados Árabes Unidos. Lá fora, a imagem que prevalece ainda é a do Neymar do Barcelona e do PSG, o jogador que marcou 105 gols com a camisa auriverde em 124 jogos e que, na Copa de 2014, foi o artilheiro brasileiro antes de sair lesionado nas quartas de final.

Rivellino tocou num ponto que poucos ousam levantar publicamente:

"É difícil, também, saber se ele quer ir para a Seleção. Porque eu não vejo ele falar que quer ir. Você não vê o Neymar falando: 'Eu quero jogar a minha última Copa'."
Essa ausência de declaração pública contrasta com o barulho ao redor — e é exatamente o silêncio do protagonista que torna a decisão de Ancelotti ainda mais delicada.

A Copa do Mundo começa em junho, e o Brasil estreia no Grupo D. Se Neymar for convocado, terá 34 anos e uma janela estreitíssima para reescrever uma história que, até aqui, ficou sempre a um passo do desfecho que o país esperava.