A polêmica sobre o futuro de Neymar na Seleção Brasileira ganhou novo capítulo com declarações contundentes de Rivellino. O campeão mundial de 1970 levantou questionamentos diretos sobre o momento do atacante, sugerindo que o craque do Al-Hilal deveria começar no banco em futuras convocações. Durante participação no programa Galvão FC desta segunda-feira (20), o ex-meia provocou uma reflexão incômoda sobre o comprometimento do jogador com a amarelinha.

"Ninguém perguntou ainda: 'Neymar, você quer ir para a Seleção ou não?'"

A provocação de Rivellino expõe uma ferida aberta no futebol brasileiro masculino, que contrasta drasticamente com o cenário do futebol feminino. Enquanto jogadoras como Marta e Debinha disputam cada convocação com unhas e dentes, mesmo em final de carreira, o questionamento sobre a vontade de Neymar em defender o Brasil revela um problema estrutural nas categorias masculinas. Os números mostram essa disparidade: a Seleção feminina registrou 94% de presença nas últimas 50 convocações entre 2020 e 2024, enquanto a masculina enfrenta desfalques constantes por "questões pessoais".

Análise tática divide opiniões de especialistas

Rivellino foi categórico ao avaliar o papel tático que Neymar deveria ocupar caso fosse convocado. O pentacampeão reconheceu a capacidade decisiva do atacante, mas demonstrou ceticismo sobre sua efetividade como peça principal do esquema de Dorival Júnior. Segundo o ex-jogador, Neymar mantém a capacidade de resolver partidas em momentos específicos, mas não possui mais o ritmo necessário para 90 minutos de alta intensidade.

"É um jogador que pode decidir em uma ou duas bolas. Eu levaria, mas não é o meu titular"

Esta avaliação ganha peso quando analisamos os números recentes de Neymar. O atacante disputou apenas 42 partidas oficiais nos últimos dois anos, somando clubes e Seleção, devido a lesões recorrentes. Para efeito de comparação, Raphinha acumulou 89 jogos no mesmo período, enquanto Vinícius Júnior chegou a 95 partidas. A regularidade física se tornou fator determinante para Dorival Júnior, que prioriza jogadores disponíveis para sequências de jogos das Eliminatórias.

Contexto histórico revela mudança de paradigma

Rivellino aproveitou para contrastar a atual geração com a histórica conquista de 1970. O ex-meia apontou um desequilíbrio preocupante entre o discurso coletivo moderno e a ausência de lideranças individuais capazes de assumir responsabilidades nos momentos decisivos. Esta análise encontra respaldo nos dados da FIFA: entre 2018 e 2024, o Brasil teve 47 jogadores diferentes convocados, número superior aos 41 da Argentina campeã mundial.

Conforme levantamento do SportNavo, seleções como França, Espanha, Portugal e Argentina mantiveram maior estabilidade em suas convocações no mesmo período. A Albiceleste, por exemplo, utilizou apenas 34 jogadores diferentes desde a Copa do Catar, construindo um núcleo sólido em torno de Messi, mesmo com o craque aos 37 anos. Esta consistência contrasta com as constantes mudanças na Seleção brasileira, que ainda busca identidade tática e hierarquia de liderança.

Contexto histórico revela mudança de paradigma Rivellino sugere banco para Neyma
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"Fala-se muito em coletivo hoje, mas quem resolve?"

Cenário atual aponta para transição definitiva

A situação de Neymar espelha um fenômeno comum no esporte de alto rendimento: a dificuldade de aceitar a transição entre gerações. Aos 32 anos, o atacante enfrenta competição direta com jogadores uma década mais novos, como Endrick (18 anos) e Estêvão (17 anos), que representam o futuro imediato da Seleção. Os investimentos da CBF na base aumentaram 340% desde 2020, alcançando R$ 89 milhões anuais, reflexo da aposta nas novas gerações.

Dorival Júnior tem até março de 2025 para definir os rumos da Seleção rumo à Copa de 2026. O técnico convocará novos nomes para os amistosos preparatórios, priorizando jogadores que demonstrem fome de vestir a amarelinha. A próxima janela de convocações, marcada para 20 de março, poderá confirmar se Neymar ainda tem espaço no projeto ou se sua era definitivamente chegou ao fim.