Não é a ausência de um lateral que define uma semifinal. Mas quando esse lateral se chama Marcos Acuña, carrega uma medalha de campeão do mundo no peito e foi testado até os minutos finais antes de ser descartado, o peso da notícia muda de endereço. O Monumental de Núñez recebe neste sábado, 16 de maio, às 19h30, o River Plate diante do Rosario Central em uma semifinal do Torneio Apertura 2026 que já nasce marcada por uma ausência e por três anos de jejum que pesam como o trânsito da Avenida Paulista às 18h — lento, sufocante, inevitável.

O último teste de Acuña e a decisão que mudou o time

O vestiário do Monumental viveu uma corrida contra o relógio nas horas que antecederam o apito inicial. Acuña e Gonzalo Montiel, ambos com sobrecargas nos isquiotibiais detectadas no jogo contra o Gimnasia, foram submetidos a testes pelo corpo técnico de Eduardo Coudet. Montiel respondeu bem e entrou no time titular. O Huevo não teve a mesma sorte: sentiu desconforto ainda na entrada em calor e foi retirado da lista de titulares, indo parar no banco de reservas com a camisa número 21.

No lugar do lateral esquerdo argentino, Matías Viña assume a posição — o mesmo Viña que havia substituído Acuña aos 30 minutos do primeiro tempo contra o Gimnasia, na quarta-feira passada. A ironia do futebol: o substituto de emergência vira titular na semifinal. Coudet ainda promove mais duas alterações em relação àquele jogo: Juan Cruz Meza entra no meio-campo no lugar de Santiago Lencina, e a escalação confirma uma linha de quatro com Montiel, Lucas Martínez Quarta, Lautaro Rivero e Viña.

"Tivemos que ter a guardia alta", declarou o presidente do River, Stefano Di Carlo, na véspera do confronto — uma referência direta às polêmicas arbitrais que cercaram a campanha do Rosario Central no torneio.

A escalação confirmada pelo clube é: Santiago Beltrán; Montiel, Martínez Quarta, Rivero, Viña; Aníbal Moreno, Fausto Vera, Tomás Galván, Juan Cruz Meza; Facundo Colidio e Sebastián Driussi. No banco, Franco Armani, Quintero e o próprio Acuña aguardam uma eventual necessidade.

Meza como escudo e Di María como ameaça real

A escolha de Juan Cruz Meza não é aleatória. O jovem meio-campista entra com uma missão tática específica: dar equilíbrio a um setor do campo que precisará conter as investidas do Rosario Central pelas bandas. E a principal referência ofensiva do Canalla neste sábado é Ángel Di María — capitão da equipe de Jorge Almirón e símbolo de uma geração que voltou à Argentina depois de conquistar o mundo em 2022.

O último teste de Acuña e a decisão que mudou o time River entra em campo sem Ac
O último teste de Acuña e a decisão que mudou o time River entra em campo sem Ac

Di María foi vaiado durante a entrada em calor no Monumental, numa demonstração clara de que a torcida do River não esquece rivalidades, independentemente de medalhas. O camisa 11 do Rosario Central lidera um ataque que conta ainda com Enzo Copetti como centroavante e com Guillermo Fernández e Vicente Pizarro no meio. O técnico Almirón escalou: Jeremías Ledesma; Emanuel Coronel, Ignacio Ovando, Gastón Ávila, Agustín Sández; Franco Ibarra, Vicente Pizarro, Enzo Giménez; Di María; Copetti e Guillermo Fernández.

O SportNavo mapeou os dados do confronto: o árbitro Nicolás Ramírez, designado para a partida pela Liga Profesional, já apitou River três vezes neste Apertura — com episódios polêmicos em ao menos dois deles, incluindo um pênalti não marcado na primeira rodada contra o Barracas Central. A escolha gerou reações imediatas da diretoria do Millonario, que pediu atenção redobrada.

"Dois anos. É o tempo que o River está sem gritar campeão argentino", ressaltou a cobertura da La Página Millonaria — o clube não conquista o título nacional desde 2023, e a semifinal desta noite é o penúltimo passo para encerrar esse intervalo.

O que está em jogo além da vaga na final

River chegou a esta semifinal por um caminho que misturou sofrimento e solidez. Eliminou o San Lorenzo de forma angustiante, nos pênaltis, antes de bater o Gimnasia com mais tranquilidade na rodada seguinte. O triunfo sobre o Gimnasia, especialmente, foi o que Coudet precisava para chegar ao Monumental com alguma estabilidade emocional no grupo — mesmo com soldados no limite físico, como o próprio Acuña e Montiel.

O vencedor desta semifinal enfrenta na grande final, no Estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, o vencedor do confronto entre Argentinos Juniors e Belgrano, marcado para este domingo em La Paternal. O título do Apertura 2026 está a dois jogos de distância — e o River sabe que entrar em campo sem Acuña, um dos líderes do vestiário, é perder mais do que um jogador: é perder uma referência.

Coudet aposta em Meza para preencher o espaço tático. Driussi e Colidio carregam a responsabilidade ofensiva. E Martínez Quarta, capitão desta noite, será o nome que o Monumental vai chamar quando a tensão apertar. O River está pronto para a semifinal — falta o troféu que não vem desde 2023.