É um pavio curto dentro de um laboratório de talentos.

A metáfora serve para o Santos de 2026: um clube que tenta reerguer sua identidade com Neymar no centro do projeto, mas que viu um garoto de 18 anos acender a faísca mais comentada da semana no futebol sul-americano. Robinho Jr. driblou o camisa 10 num treino no CT Rei Pelé, levou um tapa no rosto e uma saraivada de xingamentos — e, em vez de desaparecer, foi à imprensa, abriu notificação extrajudicial e forçou o clube a instaurar sindicância.

O drible que detonou a crise no CT Rei Pelé

O episódio aconteceu durante o fim de semana anterior ao jogo do Santos contra o Deportivo Recoleta, pela fase de grupos da Copa Sul-Americana. Robinho Jr. aplicou um drible em Neymar no treino e levou a resposta na forma de um tapa no rosto. A agressão vazou, os representantes do jovem enviaram notificação extrajudicial ao Santos alegando "ausência de condições mínimas de segurança" e mencionaram a possibilidade de rescisão contratual. O clube abriu investigação interna para apurar o caso.

Robinho Jr. confirmou o tapa na zona mista após o empate por 1 a 1 com o Recoleta, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, em 5 de maio. Ele admitiu que a "judicialização" foi uma reação intempestiva: a raiva falou mais alto num primeiro momento. O que ninguém esperava era o peso simbólico que o caso carregava — o jovem revelou ao diário espanhol AS que Neymar era seu ídolo de infância. "O primeiro presente que ele me deu foi quando eu tinha 8 anos, e eu ainda o tenho até hoje", disse o atacante, citado pelo periódico.

O abraço no Paraguai e a repercussão europeia

Neymar marcou o gol do Santos no empate e, na comemoração, foi direto a Robinho Jr. — que nem estava em campo, mas estava no banco. O abraço aconteceu, e o veterano repetiu o gesto do tapa de forma simulada, desta vez como piada. O Mundo Deportivo descreveu: "O gesto aconteceu poucos dias depois da discussão acalorada entre os dois durante um treino." O Marca foi mais direto: "Neymar abraçou Robinho Jr. e deu um tapinha amigável após marcar com o Santos." O L'Équipe resumiu em uma linha: "A imagem foi tão fugaz quanto simbólica."

Na zona mista, Neymar admitiu o erro, mas deixou claro que preferia o silêncio interno.

"Se querem um pedido de desculpas perante a imprensa, aqui está. Eu já tinha pedido desculpa para ele e para a família. Eu me excedi, poderia ter sido colocado de uma forma diferente, mas acabei perdendo a cabeça, todo mundo erra. Foi um erro meu, foi um erro dele. Eu errei um pouco mais", disse Neymar na zona mista após o jogo.
"Esse episódio vai definir quem Robinho Jr. é como profissional — não o drible, não o tapa, mas a forma como ele se levantou e se posicionou publicamente", avaliou um preparador físico de base que acompanha a carreira de jovens talentos no futebol paulista.

O Santos ainda sangra na Sul-Americana

A reconciliação foi o único ponto positivo da noite. O empate em 1 a 1 deixou o Santos na lanterna do grupo, com 3 pontos em 4 jogos — mesma pontuação do Recoleta. O San Lorenzo lidera com 5 pontos e ainda entra em campo contra o Deportivo Cuenca. Apenas o primeiro colocado avança direto às oitavas; os demais disputam playoffs. O AS resumiu o cenário: "Houve paz, mas não glória para o Santos no Paraguai."

O drible que detonou a crise no CT Rei Pelé Robinho Jr. driblou o ídolo, levou u
O drible que detonou a crise no CT Rei Pelé Robinho Jr. driblou o ídolo, levou u

O L'Équipe ainda apontou que Neymar perdeu a posse de bola 21 vezes, completou apenas 3 dribles em 7 tentativas e desperdiçou uma chance clara sozinho na frente do gol. O Santos fecha a fase de grupos com dois jogos em casa — contra San Lorenzo e Deportivo Cuenca — e precisa vencer os dois para ter chance de classificação. Antes disso, enfrenta o Red Bull Bragantino no Brasileirão no dia 10 de maio, às 18h30, e o Coritiba fora de casa no dia 13 de maio, às 19h30. Robinho Jr. tem campo pela frente para provar que o drible que gerou tudo isso foi só o começo.

Uma receita que ainda está no forno: os ingredientes estão na mesa, mas o prato pode sair sublime ou queimado dependendo da temperatura que o vestiário conseguir manter daqui pra frente.