A última vez que um goleiro titular do Internacional foi vaiado dessa forma no Beira-Rio, o clube levou meses para recuperar a estabilidade entre os postes. Na noite desta terça-feira (12), Rochet viveu um cenário parecido: segundo jogo após retorno de lesão muscular na panturrilha direita, uma falha que custou o segundo gol do Athletic e uma chuva de vaias da arquibancada. O Inter venceu por 3 a 2 e avançou às oitavas da Copa do Brasil, mas o debate em torno do goleiro uruguaio não vai acabar tão cedo.

O lance que colocou Rochet no centro da tormenta

O jogo estava empatado quando Ian Luccas antecipou Rochet em um cruzamento. O uruguaio ficou parado, não saiu para cortar e viu o zagueiro adversário empurrar para o gol. Era o 2 a 2 — e a sequência do lance virou o tema dominante da partida, mesmo com Bernabei marcando o gol da classificação pouco depois.

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Antes desse gol, o Inter já havia sofrido o primeiro empate por falha coletiva no sistema defensivo. Borré abrira o placar, Allex devolveu a vantagem antes do intervalo, mas a defesa alternava entre organização e lapsos preocupantes. O enredo do jogo inteiro foi esse: ataque funcionou, defesa cedeu duas vezes contra um adversário que ficou com um jogador a menos em parte do segundo tempo.

Pezzolano defendeu, mas o recado foi claro

Na entrevista coletiva pós-jogo, Paulo Pezzolano tentou minimizar a falha individual e colocar o foco no resultado.

"Coisa negativa: sofremos dois gols. Coisa positiva: fizemos três. Muitos erros individuais e coletivos, muita coisa a corrigir. Mas classificamos ganhando os dois jogos", afirmou o treinador.

Quando perguntado sobre as vaias ao goleiro, Pezzolano foi direto:

"É o que sente a torcida. O Rochet tem que ter a personalidade que tem e entender isso. Outros jogadores foram vaiados e hoje são muito queridos também. É um momento particular de um jogador."

A defesa pública existe — mas o alerta também. Pezzolano usou a metáfora do "99%" para explicar a margem de erro zero que o time precisa ter: quando opera abaixo do limite, os lapsos aparecem. Segundo apuração do SportNavo, essa cobrança se dirige tanto ao coletivo quanto ao desempenho individual de Rochet, que reassumiu a titularidade no lugar de Anthoni, jovem que vinha de boas atuações.

Quando defende bem, Rochet parece intransferível — quando falha, a dúvida volta

Quando está em alta, Rochet domina o gol colorado com autoridade e é figura central na saída de bola. Quando está em baixa, cada cruzamento parece uma roleta — e a torcida do Inter sabe disso.

O lance que colocou Rochet no centro da tormenta Rochet voltou da lesão, falhou
O lance que colocou Rochet no centro da tormenta Rochet voltou da lesão, falhou

Quando retornou contra o Coritiba no último sábado (9), pelo Brasileirão, o empate em 2 a 2 já havia acendido alertas. Dois jogos depois da volta, mais uma falha. O timing é péssimo: Rochet espera convocação à Seleção Uruguaia em maio, para a Copa do Mundo de 2026 a partir de junho. Qualquer oscilação vira manchete.

O histórico recente do goleiro no Inter é marcado pela inconstância mesmo antes da lesão. A ausência de Rochet abriu espaço para Anthoni ganhar confiança — o que torna ainda mais delicada a gestão do retorno. A pressão da arquibancada é um sintoma desse acúmulo, não apenas de uma noite ruim.

O Inter agora mira o Brasileirão com a defesa em xeque

O Colorado tem apenas um ponto de vantagem sobre a zona de rebaixamento no Brasileirão 2026. Pezzolano admitiu que o time está "pagando caro pelos primeiros jogos" da competição e que três pontos fazem falta para afastar o risco. A classificação na Copa do Brasil dá fôlego, mas não resolve o problema estrutural.

O próximo compromisso é neste sábado, às 18h30, no Beira-Rio, contra o Vasco. Três rodadas antes da pausa para a Copa do Mundo. Para Rochet, é uma janela curta para reconquistar a confiança — dentro e fora de campo.