Três coisas: quatro jogos sem vitória, derrota por 3 a 2 no clássico e vantagem mínima de um gol na bagagem. É exatamente esse o balanço patrimonial de São Paulo quando o árbitro Rodrigo Pereira, de Pernambuco, apitar o início do confronto de volta da quinta fase da Copa do Brasil nesta quarta-feira (13), às 19h, no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.
O precedente que assombra Roger Machado
A última vez que o São Paulo entrou em uma sequência tão prolongada sem vencer — quatro jogos seguidos —, o clube trocou de técnico em menos de dez dias. O histórico institucional tricolor é claro: a diretoria do Morumbi tem baixa tolerância a escorregadas prolongadas, especialmente quando envolvem eliminações em torneios que geram receita direta. A Copa do Brasil paga R$ 3,75 milhões ao classificado para as oitavas de final, uma linha de resultado que nenhum CFO de clube ignora.
Nas palavras do ambiente interno, segundo apuração da Gazeta Esportiva, Roger Machado chega ao duelo com o cargo formalmente em risco caso haja eliminação. A derrota para o Corinthians por 3 a 2 no último domingo (10) foi o gatilho que elevou a tensão: o São Paulo está na quarta colocação do Brasileirão com 24 pontos após 15 rodadas, posição confortável no papel, mas insuficiente para absorver tropeços de imagem como uma queda diante de um clube da Série B.
A matemática que protege e a que expõe o Tricolor
A equação classificatória é simples: o São Paulo precisa de um empate para avançar. O Juventude precisa de dois gols de diferença para classificar no tempo normal ou de um para levar a decisão aos pênaltis. O clube gaúcho chega invicto há cinco jogos na Série B — doze pontos em oito rodadas —, mas enfrenta desfalques laterais importantes: Diogo Barbosa cumpre suspensão por cartão vermelho e Raí Ramos está fora por lesão.
Do lado são-paulino, o volante Pablo Maia, recuperado de lesão, voltou a treinar com o grupo e pode aparecer no banco. A escalação provável de Roger Machado mantém Rafael no gol; Cédric Soares, Dória, Sabino e Wendell na defesa; Bobadilla, Danielzinho e Cauly no meio; Artur, Luciano e Calleri no ataque.

Uma métrica que aprofunda a análise: o xG (gols esperados) acumulado do São Paulo nos últimos quatro jogos está abaixo de 1,2 por partida — número que indica que o time não apenas perde, mas cria poucas oportunidades reais de alta probabilidade. Para o leigo, significa que o problema não é só azar: é geração de chances.
Receita em risco e o custo de sair da Copa do Brasil
A eliminação teria impacto financeiro direto e indireto. Direto: perda imediata da premiação das oitavas (R$ 3,75 milhões). Indireto: desgaste de marca em período de negociação de patrocínios para o segundo semestre, quando contratos de naming e sleeve costumam ser renovados. O São Paulo encerrou 2025 com receita bruta próxima de R$ 680 milhões, segundo balanço publicado pelo clube; manter presença em todas as competições é variável que sustenta esse patamar.
Maurício Barbieri, técnico do Juventude, aposta no fator Alfredo Jaconi — estádio historicamente adverso para visitantes paulistas — e no momentum da Série B para reverter o placar agregado. A sequência invicta na segunda divisão, porém, convive com a eliminação ainda na primeira fase da Copa Sul-Sudeste, o que relativiza o momento da equipe gaúcha fora de seus domínios.
O que define a continuidade de Roger Machado
A direção tricolor não anunciou prazo formal, mas o mercado de técnicos já monitora a situação: nomes como Fernando Diniz e Renato Gaúcho circulam em conversas de bastidores, sem proposta concreta até o fechamento desta edição. A janela de transferências do meio do ano abre em julho, o que significa que uma eventual troca de comando precisaria ocorrer antes para reorganizar o planejamento de elenco.
Na próxima rodada do Brasileirão, o São Paulo enfrenta o Fluminense pela 16ª rodada — data e horário ainda a confirmar pela CBF —, em jogo que ganha peso diferente dependendo do resultado desta noite em Caxias do Sul. Se avançar na Copa do Brasil, Roger Machado compra tempo. Se cair, o clube entra no mercado de técnicos com a temporada já na metade.
Roger Machado embarcou ontem à tarde para Porto Alegre e seguiu de ônibus até Caxias. Na bagagem, uma vantagem de um gol e a conta exata de quanto custa perder.









