Roger Machado assumiu o São Paulo em junho de 2024 com a missão de substituir Hernán Crespo e encontrar estabilidade tática após a demissão do argentino. Em menos de dois meses, o técnico gaúcho levou o Tricolor à liderança do Campeonato Brasileiro, implementando mudanças estruturais que contrastam diretamente com o modelo anterior.
Sistema defensivo mais conservador
A principal alteração tática promovida por Machado foi a transição do 4-3-3 ofensivo de Crespo para um 4-2-3-1 mais equilibrado. Sob comando do argentino, o São Paulo sofria uma média de 1,4 gols por partida no Brasileirão. Com o novo treinador, esse número caiu para 0,9 tentos sofridos por jogo, representando redução de 35% na fragilidade defensiva.
O meio-campo ganhou um segundo volante de marcação, com Alisson e Pablo Maia formando dupla de contenção. Essa modificação permitiu maior proteção à defesa central, composta por Arboleda e Diego Costa, que passou a sofrer menos pressão direta dos atacantes adversários.
Segundo apuração do SportNavo, a mudança tática também impactou os números de desarmes por partida. A equipe registra média de 21,3 desarmes sob Machado, contra 18,7 no período final de Crespo, aumento de 13,9% na recuperação de bola no setor intermediário.
Transições ofensivas mais verticais
Roger Machado priorizou jogadas de transição rápida em detrimento da posse de bola prolongada característica do futebol de Crespo. O argentino mantinha 58% de posse média por partida, enquanto o gaúcho trabalha com 52%, focando em contra-ataques objetivos através dos flancos.
Calleri ganhou novo papel no sistema ofensivo, atuando como pivô para as infiltrações de Luciano e Lucas Moura. O centroavante argentino registra 0,8 assistências por jogo sob Machado, comparado a 0,4 no período anterior, demonstrando maior participação na criação de jogadas.
A efetividade ofensiva melhorou significativamente com as alterações táticas. O São Paulo marca 1,7 gols por partida desde a chegada de Machado, superando a média de 1,3 tentos do período final de Crespo. Esse incremento de 30,8% na produção ofensiva contribuiu decisivamente para a escalada na tabela de classificação.
Pressão da torcida persiste apesar dos resultados
Mesmo com a liderança do Brasileirão e classificação encaminhada nas copas, parte da torcida tricolor mantém resistência ao trabalho de Roger Machado. A demissão de Crespo gerou polêmica entre os são-paulinos, que questionaram a troca de comando técnico após campanha regular no início da temporada.
Na última partida contra o Juventude, válida pela Copa do Brasil, o MorumBIS registrou vaias pontuais apesar da vitória por 1 a 0. O resultado magro, com desperdício de pênalti por Calleri, evidenciou as críticas de parcela da torcida ao estilo mais pragmático implementado pelo novo treinador.
"Então, não custa perguntar: o que Roger Machado precisa fazer para agradar a ingrata torcida tricolor?", questionou colunista do UOL Esporte após a partida.
A análise do SportNavo mostra que os números defensivos justificam a mudança tática promovida por Machado. O São Paulo possui a terceira melhor defesa do Brasileirão com apenas 12 gols sofridos em 15 rodadas, marca que contrasta com a instabilidade defensiva do período anterior.
Próximos desafios definem continuidade
Roger Machado terá sequência decisiva para consolidar o trabalho no São Paulo. O Tricolor enfrenta o Palmeiras no próximo domingo, às 16h, no Allianz Parque, em confronto direto pela liderança do Brasileirão. A partida pode definir se as mudanças táticas implementadas pelo gaúcho resistem à pressão dos grandes confrontos da temporada.









