Quinze jogos. Quinze escalações diferentes. Sete lesionados no departamento médico. O São Paulo chegou ao Majestoso desta rodada 15 do Brasileirão carregando três problemas que se alimentam entre si — e o Corinthians não precisou de muito para explorar essa fragilidade na Neo Química Arena.

O precedente que ninguém quer lembrar no Morumbi

Quando Hernán Crespo foi demitido e Roger Machado assumiu o São Paulo em março, a comparação imediata foi com Dorival Júnior em 2022: treinador experiente, time com G4 como horizonte, missão de dar estabilidade. Dorival precisou de oito rodadas para fixar uma base. Roger chegou à décima quinta partida sem repetir sequer uma escalação consecutiva — marca que Dorival nunca alcançou negativamente naquele ciclo.

A diferença central está no contexto. Dorival tinha um elenco saudável. Roger herdou uma crise de lesões que só cresceu: sete atletas no departamento médico, o maior número desta temporada, incluindo Alan Franco (estiramento no adutor direito), Lucas Moura (cirurgia no tendão calcâneo), Pablo Maia (recuperação de cirurgia no rosto) e Rafael Tolói (dores na panturrilha). Para o Majestoso, Franco foi confirmado como desfalque, obrigando mais uma remontagem na zaga.

Quinze formações e nenhuma identidade consolidada

A sequência de mudanças de Roger não é apenas lesão — parte dela é escolha. O treinador começou com o 4-3-1-2 herdado de Crespo, com uma trinca de volantes. Depois da derrota por 1 a 0 para o Palmeiras, migrou para o 4-2-3-1 com dois pontas abertos, reintegrando Ferreira e apostando em Artur, emprestado pelo Botafogo. A adaptação rendeu resultados: sete vitórias, quatro empates e quatro derrotas em 15 jogos, com 55% de aproveitamento e liderança do grupo na Copa Sul-Americana.

O problema é que mudar de sistema a cada jogo tem o mesmo efeito de uma banda que ensaia músicas diferentes a cada apresentação — os músicos tocam bem individualmente, mas a síncope coletiva nunca chega. O São Paulo cria, pressiona em momentos, mas não sustenta padrões de pressão alta por 90 minutos porque os jogadores ainda estão decifrando as movimentações uns dos outros.

Para o jogo desta tarde, Roger escalou: Rafael; Cédric, Dória, Sabino e Enzo; D. Bobadilla, Danielzinho, Artur e Luciano; Ferreira e Calleri. Lucas Moura ficou no banco como opção para o segundo tempo, com Wendell e Cauly entre as alternativas.

Corinthians pressiona, VAR decide e Bidon aparece

Do outro lado, Fernando Diniz montou um Corinthians que entrou com marcação alta e sufocou o São Paulo nos primeiros minutos. Yuri Alberto foi o mais acionado: aproveitou erro de Arboleda para cabecear na pequena área, mas finalizou por cima; em contra-ataque, recebeu de André e chutou cruzado para defesa de Rafael.

O São Paulo equilibrou a posse e abriu o placar com Tapia, que cabeceou cruzamento de Danielzinho após boa troca de passes. O Tricolor adotou postura cautelosa depois do gol — e o Corinthians respondeu com pressão via bola parada: escanteio, cabeçada de Gustavo Henrique, desvio em Maik e Rafael se esticando para defender.

A virada da partida veio pelo VAR. O árbitro Anderson Daronco não marcou inicialmente o pênalti de Ferreirinha em Breno Bidon dentro da área, mas foi chamado ao monitor e assinalou a falta. Yuri Alberto converteu com categoria, empatando o clássico. Bidon, que marcou o primeiro gol na temporada pelo Corinthians, foi o nome da jogada que arrancou o ponto para o Timão no apagar das luzes — segundo relato do Lance.

O que o G4 esconde e o que vem por aí

O São Paulo está na quarta colocação com 24 pontos, à frente do Athletico Paranaense (23 pontos, quinto colocado). O empate no Majestoso mantém o Tricolor no G4, mas deixa a porta aberta para o Furacão ultrapassá-lo dependendo do resultado atleticano nesta rodada. Segundo apuração do SportNavo, a margem de apenas um ponto sobre o quinto colocado é o termômetro real da irregularidade tricolor — não o número absoluto de pontos.

Roger acumula resistência da torcida justamente porque os números do campeonato não convencem: duas vitórias, duas derrotas e um empate nos últimos cinco jogos de Brasileirão. Com dois empates e uma derrota nos três últimos clássicos contra o Corinthians em campeonatos nacionais, o histórico recente também não ajuda.

O precedente que ninguém quer lembrar no Morumbi Roger Machado nunca repetiu o t
O precedente que ninguém quer lembrar no Morumbi Roger Machado nunca repetiu o t
Segundo o Meu Timão, o São Paulo "não vive seu melhor momento no campeonato" apesar de figurar entre os quatro primeiros desde o início da temporada — contradição que resume o trabalho de Roger.

O Corinthians, por sua vez, segue na 17ª colocação com 15 pontos, ainda dentro da zona de rebaixamento, mas com Diniz dando sinais de reação — especialmente na Libertadores, onde o time soma três vitórias e um empate, com classificação antecipada às oitavas. O ponto no Majestoso não tira o Timão do Z4, mas é oxigênio para um grupo que precisava de confiança.

O São Paulo volta a campo pela Copa do Brasil, onde venceu o Juventude no jogo de ida da quinta fase. O Corinthians enfrenta a próxima rodada do Brasileirão ainda precisando de vitória para se afastar do rebaixamento — e a Neo Química Arena, que empurrou o time até o empate desta tarde, vai ser o palco de mais uma batalha decisiva.

Na saída do campo, a cena resumiu tudo: Bidon comemorando o gol de empate com os braços abertos para a Fiel, enquanto Roger Machado olhava para a prancheta, já planejando a décima sexta escalação diferente.