Se Néstor Lorenzo convocasse apenas jogadores do futebol sul-americano, o Brasil seria quase uma segunda casa da seleção colombiana. A pré-lista divulgada nesta quinta-feira (14 de maio) confirma o que as últimas temporadas já vinham desenhando: 13 dos 55 nomes escolhidos pelo técnico argentino atuam no Brasileirão — e dois clubes, Vasco e Athletico-PR, emplacaram três jogadores cada.
O mapa colombiano dentro do Brasileirão
O calor do Rio de Janeiro e de Curitiba, de repente, ganhou sotaque cafetero. O Vasco colocou Carlos Cuesta, Andrés Gómez e Johan Rojas na relação. O Athletico-PR respondeu na mesma moeda com Portilla, Stiven Mendoza e Kevin Viveros. O Internacional aparece com dois nomes de peso: Carbonero e Rafael Borré. O Flamengo entrou com Carrascal, o Palmeiras com Jhon Arias, o Botafogo com Jordan Barrera, o Coritiba com Sebastián Gómez e o Cruzeiro com Neyser Villarreal — completando os 13 nomes espalhados por nove clubes brasileiros.
Segundo apuração do SportNavo, nenhuma outra liga do continente concentra tantos pré-convocados colombianos quanto o Brasileirão nesta pré-lista. Não há tragédia nisso para os rivais: há contabilidade. O futebol brasileiro passou a ser, nos últimos anos, uma rota de valorização para atletas colombianos que buscam visibilidade antes de dar o salto para a Europa — ou para garantir a passagem para um Mundial.

Vasco e Athletico lideram, mas a história é maior que os números
Três jogadores por clube não é coincidência. O Vasco apostou sistematicamente em reforços colombianos durante a última janela e colheu resultados: Cuesta virou titular absoluto na zaga, Rojas ganhou regularidade no ataque e Andrés Gómez consolidou espaço no meio-campo. O Athletico-PR fez movimento parecido, e Stiven Mendoza — veterano da seleção, com passagens por Boca Juniors e Besiktas — funciona como liderança dentro do grupo curitibano.
A lista também reúne nomes de peso além das fronteiras brasileiras. James Rodríguez segue como referência do setor criativo colombiano, e Luis Díaz, do Liverpool, chega ao Mundial como a principal estrela ofensiva da equipe de Lorenzo. Juan Cuadrado também figura entre os pré-convocados, representando uma geração que já disputou Copas anteriores.
Roger Martínez vai às redes e expõe o vestiário
A tarde desta quinta-feira teria sido de celebração colombiana — não fosse um post no Instagram que esquentou tudo. Roger Martínez, atacante do Al-Taawoun da Arábia Saudita, ficou de fora dos 55 nomes e não engoliu em silêncio. Com 23 gols em 30 jogos na temporada saudita, o jogador de 31 anos foi direto ao ponto nas redes sociais.
"Incrível. O segundo melhor artilheiro da Colômbia — 23 gols em 30 jogos, com duas partidas restantes, lutando para ser o melhor da temporada em um campeonato que é melhor do que muitos, com alguns dos melhores jogadores do mundo. Sempre que tive a chance, nunca pipoquei, mesmo quando não estava jogando na minha posição natural muitas vezes, mas você não sabe um ca****. Mais do mesmo. Mas é isso aí."
O ataque foi explícito: Martínez mirou em Lorenzo sem citar o nome, mas sem deixar margem para interpretação. O atacante soma 28 jogos pela seleção colombiana e foi convocado pela última vez em outubro de 2024, quando ainda defendia o Racing, da Argentina — clube pelo qual conquistou a Copa Sul-Americana ao marcar o gol decisivo na final contra o Cruzeiro. Desde então, migrou para a Arábia Saudita e entrou numa espécie de limbo convocatório.
O efeito cascata de uma lista que ainda pode mudar
Pré-lista não é lista final. Lorenzo ainda tem espaço para cortes e surpresas antes de fechar o grupo definitivo para a Copa do Mundo de 2026. O barulho gerado por Martínez, porém, já cria uma pressão pública difícil de ignorar — 23 gols numa liga que conta com Cristiano Ronaldo e Karim Benzema não é argumento descartável, por mais que o técnico tenha razões táticas para a exclusão.

Para os clubes brasileiros, o efeito prático é imediato: Vasco, Athletico-PR e Internacional podem perder até seis jogadores para a Copa do Mundo caso todos sejam confirmados na lista definitiva. O torneio está marcado para o verão norte-americano de 2026, período que coincide com a reta final do Brasileirão — o que transforma cada convocação colombiana em um problema logístico concreto para os times nacionais.
A Colômbia estreia na Copa do Mundo de 2026 no grupo que inclui adversários a serem definidos pelo sorteio da Fifa. Roger Martínez, do lado de fora, tem até a publicação da lista final para fazer Lorenzo mudar de ideia — ou para provar que o técnico errou.








