As palavras de Ronaldinho Gaúcho carregam o peso de quem ergueu a taça em 2002. O campeão mundial demonstrou otimismo com a atual Seleção Brasileira rumo à Copa do Mundo de 2026, elogiando o potencial do elenco e defendendo publicamente a convocação de Neymar por Carlo Ancelotti.

"Vejo o Brasil muito bem. Tem grandes jogadores e estamos na torcida para que faça uma boa preparação, para que chegue bem. Como torcedor, fã número um, vou estar lá torcendo muito"

A análise de Ronaldinho ganha relevância histórica quando observamos os números da Seleção nas últimas Copas. Desde o pentacampeonato de 2002, o Brasil acumula 22 anos sem conquistar o Mundial, com eliminações nas quartas de final em 2006, 2010 e 2018, além do traumático 7 a 1 em casa durante a Copa de 2014. A geração atual, liderada por Vinicius Júnior e Rodrygo, busca quebrar este jejum que já se estende por seis edições do torneio.

Defesa de Neymar divide opiniões técnicas

Sobre a situação de Neymar, que não foi convocado por Ancelotti para os amistosos contra França e Croácia em março, Ronaldinho mantém posição diplomática mas firme. O craque de 2002 evitou pressionar a comissão técnica, respeitando as decisões do comandante italiano que assumiu a Seleção em maio de 2024.

"A gente não sabe a cabeça do treinador. Ele tem os planos dele. Eu, particularmente, sou amigo e acho que é um dos maiores talentos do futebol mundial. Torço para que ele vá porque acho que pode ajudar muito, mas isso é uma decisão do treinador e a gente tem que respeitar"

Os números de Neymar pela Seleção justificam a defesa de Ronaldinho. Com 79 gols em 128 jogos, o atacante do Santos é o maior artilheiro da história da equipe nacional, superando Pelé (77 gols em 92 partidas). Em Copas do Mundo, Neymar disputou as edições de 2014 e 2018, marcando 6 gols em 10 jogos, aproveitamento superior ao de Ronaldinho, que fez 5 gols em 17 partidas mundialistas entre 1998, 2002 e 2006.

Memórias de 2002 como inspiração atual

Ronaldinho relembrou especificamente a vitória sobre a Inglaterra por 2 a 1 nas quartas de final de 2002, partida que definiu o caminho para o pentacampeonato. Naquele confronto histórico, disputado em 21 de junho em Shizuoka, o meio-campista participou da jogada do gol de empate de Rivaldo e decidiu com gol de falta por cobertura que surpreendeu David Seaman.

A campanha de 2002 permanece como referência estatística para gerações posteriores. A Seleção comandada por Felipão conquistou o título com 100% de aproveitamento: sete vitórias em sete jogos, 18 gols marcados e apenas 4 sofridos. Ronaldo foi artilheiro da Copa com 8 gols, enquanto Ronaldinho contribuiu com 2 tentos e 3 assistências, segundo levantamento do SportNavo com base em dados oficiais da FIFA.

Panorama estatístico rumo a 2026

A atual geração brasileira apresenta números promissores nas Eliminatórias Sul-Americanas sob comando de Ancelotti. Em oito jogos disputados desde a chegada do técnico italiano, a Seleção acumula cinco vitórias, dois empates e uma derrota, com aproveitamento de 70,8%. Vinicius Júnior lidera as estatísticas ofensivas com 12 gols em 35 jogos pela amarelinha, enquanto Rodrygo soma 8 tentos em 25 partidas.

A convocação final para a Copa do Mundo será anunciada em 18 de maio por Ancelotti, restando definir se Neymar integrará a lista de 26 jogadores. O torneio terá início em 11 de junho com o duelo entre México e África do Sul, enquanto a final está marcada para 19 de julho. O Brasil estreia na fase de grupos enfrentando adversário ainda a ser definido no sorteio, buscando encerrar o jejum de 24 anos sem títulos mundiais iniciado após a conquista histórica de 2002.