Se o MVP MMA fosse apenas mais um evento de segunda linha, ninguém estaria falando em recorde de audiência. A realidade, porém, é diferente: a organização fundada por Jake Paul promove neste sábado, em Inglewood, Califórnia, o combate entre Ronda Rousey e Gina Carano — duas mulheres que ajudaram a construir o MMA feminino como fenômeno cultural, e que voltam ao octógono depois de aposentadorias longas o suficiente para que uma geração inteira de fãs nunca tenha visto nenhuma das duas lutar.

A ruptura com o UFC que mudou o destino do card

Rousey estava aposentada desde 2016, quando perdeu para Amanda Nunes em 48 segundos no UFC 207. Carano parou ainda antes, em 2009, após a derrota para Cris Cyborg no Strikeforce. Por isso, quando a ideia de reunir as duas surgiu, a lógica apontava para o UFC como promotora natural. Rousey chegou a negociar com a organização, mas as conversas naufragaram — e a culpa, segundo ela, tem nome e sobrenome.

"Ele foi um completo idiota. Era um machista de merda, tão desdenhoso. Tentando fazer eu e a Gina nos valorizarmos menos desde o início, agindo como se isso não fosse a maior coisa que caiu no colo dele desde que ele está lá", disse Rousey ao Yahoo Sports sobre Hunter Campbell, diretor de negócios do UFC.

Rousey ainda revelou que Dana White chegou a propor que ela e Carano disputassem o cinturão vago do peso-pena feminino para que a divisão fosse encerrada. A reação de Campbell ao plano foi o ponto de não retorno: segundo Rousey, o executivo tratou as atletas da categoria com desdém explícito, como se mulheres acima de 135 libras não tivessem valor comercial. Para quem tem um marido de 2,01m e filhas que naturalmente não caberão no peso-palha, o recado foi pessoal.

A família também entrou na briga

O desgaste com Campbell não começou agora. A mãe de Rousey integrou a Comissão Atlética da Califórnia durante o período em que o UFC pressionava pelo licenciamento do Power Slap no estado. Segundo Rousey, Campbell justificou o formato dizendo que era "uma grande oportunidade para essas pessoas, porque muitos deles estariam usando metanfetamina num trailer se não fosse por isso". A frase, relatada pela própria mãe de Rousey, consolidou a imagem de um executivo que enxerga lutadores como descartáveis.

"Esse cara é a pessoa que vai conduzir a empresa que eu ajudei a construir? Isso me incomodou profundamente", completou Rousey.

O que está em jogo no octógono do MVP MMA

A luta acontece no peso-galo, categoria em que Rousey foi campeã invicta por mais de três anos e defendeu o cinturão seis vezes. Carano, por sua vez, competia no peso-pena e no peso-médio feminino — divisões que, na época, ainda não tinham regulamentação unificada. A diferença de estilo é marcante: Rousey construiu carreira sobre o judô e o mata-leão, enquanto Carano é associada ao muay thai e ao kickboxing. Segundo apuração do SportNavo, as projeções de audiência colocam o evento acima de qualquer evento de MMA transmitido até hoje, impulsionado pela plataforma de streaming onde o card será exibido.

  • Rousey estava aposentada há exatamente 10 anos
  • Carano não compete há 17 anos
  • A luta é o main event do primeiro card do MVP MMA, em Inglewood, Califórnia
  • O UFC foi descartado como promotor após desentendimentos com Hunter Campbell

O número que define a dimensão do retorno

Rousey chegou a ser considerada a atleta feminina mais bem paga do mundo em 2015, quando a Forbes estimou seus ganhos anuais em 14 milhões de dólares. Voltar ao MMA aos 38 anos, depois de uma aposentadoria que incluiu carreira no WWE e maternidade, é uma aposta de alto risco — mas o MVP MMA construiu o card inteiro em torno dessa aposta. O evento acontece neste sábado, 17 de maio, e Rousey tem 38 anos.