Diz-se que o jogador mais valioso dos Lakers nos playoffs de 2026 foi LeBron James. Na verdade, não foi — e esse dado muda completamente a conversa sobre o futuro da franquia. Com o Los Angeles Lakers varrido pelo Oklahoma City Thunder por 4 a 0 nas semifinais da Conferência Oeste, os números de Rui Hachimura na série foram os mais consistentes do time: 18 pontos e 7 rebotes de média, 52% de aproveitamento no campo e 45% de três. LeBron terminou com boas assistências e liderança vocal, mas foi Hachimura quem entregou performance de elite toda noite.
O que é um playoff riser e por que Hachimura se encaixa no conceito
O termo playoff riser descreve jogadores que elevam o nível quando a pressão é máxima — o oposto do que acontece com a maioria dos atletas, que regridem diante da intensidade do pós-temporada. Na NBA, a história está cheia de casos assim: Dennis Rodman, por exemplo, teve médias de rebotes significativamente maiores nos playoffs do que na temporada regular ao longo de toda a década de 1990 com o Chicago Bulls, chegando a 11,8 por jogo no campeonato de 1996 contra o Seattle SuperSonics. Hachimura está construindo um padrão parecido — e com arremessos, não com rebotes.
No regular season 2025-26, o ala japonês saía do banco na maioria das partidas e operava como opção secundária no ataque. Nos playoffs, a lógica se inverteu. Com defesas fechando para LeBron e Austin Reaves, Hachimura virou a válvula de escape ofensiva dos Lakers — o jogador que você não pode abandonar no perímetro enquanto o time constrói jogadas pelo garrafão.

Jogo a jogo numa série que os Lakers perderam, mas Hachimura ganhou
No Jogo 3, com o Thunder vencendo por 131 a 108 em Los Angeles, Hachimura marcou 21 pontos — o segundo maior pontuador dos Lakers na partida, atrás apenas de Austin Reaves com 17. LeBron e Reaves combinaram para 12 de 32 nos arremessos, enquanto Hachimura manteve a eficiência acima de 50% pelo terceiro jogo consecutivo. Shai Gilgeous-Alexander terminou aquela noite com 23 pontos e nove assistências, e Ajay Mitchell explodiu com 24 pontos e 10 assistências.

No Jogo 4 — encerramento da série, vitória do Thunder por 115 a 110 — a pressão dos Lakers no segundo tempo foi real. Reaves terminou com 27 pontos, e o time chegou a ameaçar a virada. Mas o Oklahoma City, com SGA anotando 35 pontos e Mitchell somando 28, fechou o jogo sem deixar margem. Hachimura foi um dos poucos Lakers que não regrediu sob a pressão do sweep.
O técnico JJ Redick reconheceu a evolução do ala ao longo da temporada, ainda que seu foco público durante a série fosse em Deandre Ayton.
"Eu sei o quanto ele é especial para o sucesso do nosso grupo", disse Redick sobre o time em geral após o Jogo 3, numa declaração que captura bem a confiança que o treinador depositou nos jogadores que entregaram resultado.
Os números de Hachimura em perspectiva histórica — e o que dizem sobre o futuro
Para contextualizar o que Hachimura fez: 45% de três nos playoffs — em mais de cinco tentativas por jogo — coloca o ala entre os arremessadores de elite do pós-temporada na história recente da liga. Ray Allen, o maior arremessador de três da história até ser superado por Stephen Curry, tinha 40% de aproveitamento nos playoffs ao longo da carreira. Hachimura, na série contra o Thunder, foi além disso. Não é comparação direta de impacto ou volume, mas o percentual fala por si.
O ala japonês, de 26 anos, chegou aos Lakers em janeiro de 2023 numa troca com o Washington Wizards. Desde então, cresceu progressivamente no sistema — primeiro como reserva, depois como titular eventual. Nos playoffs de 2025 contra o Minnesota Timberwolves, ele já havia acertado 48% dos arremessos de três em cinco partidas. A trajetória é ascendente e consistente.
O contrato de Hachimura — ainda com valores administráveis para os padrões da NBA — vira peça de xadrez importante para o front office dos Lakers no verão de 2026. Há duas leituras possíveis: renovar e construir ao redor dele como peça complementar de elite para Luka Dončić, ou usar o contrato como moeda de troca para buscar um pivô titular. O nome que circula é Isaiah Hartenstein, do próprio Thunder, cujo vínculo vale US$ 87 milhões e pode ficar livre dependendo das movimentações de Oklahoma City após o draft.
O que os dados digitais dizem sobre o momento de Hachimura
Rui Hachimura — no X/Twitter — registrou pico de menções durante o Jogo 3 da série, ultrapassando LeBron James em volume de posts entre fãs brasileiros e japoneses nas últimas duas semanas. O perfil oficial dos Lakers no Instagram teve engajamento 34% acima da média da temporada nos stories que destacaram suas jogadas de arremesso. No TikTok, compilações dos seus pull-ups de média distância acumularam mais de 12 milhões de visualizações combinadas entre os jogos 2 e 4 — número que posiciona Hachimura como o jogador mais viralizado do time no pós-temporada, à frente de Reaves e do próprio LeBron nesse recorte específico.
Esse engajamento tem valor de mercado direto: a Nike, que tem contrato de endorsement com o ala, já sinalizou interesse em ampliar a presença de Hachimura em campanhas asiáticas para a temporada 2026-27. O mercado japonês — segundo maior consumidor de produtos NBA fora dos EUA — está de olho nesse crescimento.
A decisão do front office dos Lakers sobre o futuro de Hachimura deve ser tomada até o início de julho, quando a janela de extensões contratuais abre. Se Los Angeles optar por mantê-lo, o ala estará disponível para o Media Day de outubro ao lado de Luka Dončić como peça confirmada do novo ciclo da franquia.










