— Você acredita que o Arsenal pode ir à final?
— Depende do Saka.
— O Saka já fez o gol, meu amigo.

O diálogo hipotético virou realidade no Emirates Stadium nesta terça-feira (5). Aos 44 minutos do primeiro tempo, Bukayo Saka transformou uma defesa de Jan Oblak em gol ao aproveitar rebote entre os zagueiros Dávid Hancko e Le Normand, abrindo o placar para o Arsenal no jogo de volta da semifinal da Champions League 2025/2026. O placar da ida, no Riyadh Air Metropolitano, havia terminado 1 a 1 — gol de Viktor Gyökeres de pênalti para os ingleses, empate de Julián Álvarez, também de pênalti, para o Atlético de Madrid. Com a vantagem construída nesta terça, o Arsenal precisa segurar o resultado para avançar à final pela primeira vez desde 2006.

VALE VAGA NA FINAL DA CHAMPIONS LEAGUE: ARSENAL X ATLÉTICO DE MADRID! - MFM 05/05/2026
O gol que Saka construiu com os próprios pés Saka empurra o Arsenal para onde el
O gol que Saka construiu com os próprios pés Saka empurra o Arsenal para onde el

O gol que Saka construiu com os próprios pés

A jogada que originou o gol revelou a maturidade tática que o Arsenal de Mikel Arteta cultivou ao longo desta temporada europeia. Trossard recebeu pela esquerda, dribou a marcação e finalizou rasteiro. Oblak fez a defesa inicial, mas a bola ficou viva. Saka, posicionado com precisão cirúrgica entre os defensores do Atlético, foi mais rápido que Hancko e Le Normand e empurrou para o fundo da rede. O camisa 7 inglês não inventou: ele estava exatamente onde precisava estar.

O protagonismo de Saka nesta campanha europeia não é acidente. O atacante de 23 anos é o jogador que mais criou chances no Arsenal nas fases eliminatórias desta edição da Champions, e seu desempenho consistente em jogos de pressão alta virou o principal argumento de quem defende que os Gunners têm substância, não apenas narrativa. Nas palavras de analistas que acompanham o clube de perto, Saka deixou de ser promessa em 2024 e virou referência em 2026.

O que os números revelam sobre esta campanha do Arsenal

O formato da Champions foi reformulado para a temporada 2024/25, com a inclusão de playoffs antes das oitavas de final. O Arsenal navegou por esse novo modelo sem tropeços graves, chegando às semifinais com uma consistência defensiva que impressiona: a equipe de Arteta não perdeu nenhum jogo por mais de um gol de diferença nas fases eliminatórias desta edição. O primeiro jogo contra o Atlético, encerrado em 1 a 1, manteve a lógica de uma equipe que não se expõe desnecessariamente.

O levantamento feito pela equipe do SportNavo sobre campanhas históricas do clube mostra que a última semifinal de Champions do Arsenal ocorreu em 2009, quando a equipe de Arsène Wenger foi eliminada pelo Manchester United. Dezessete anos depois, com uma geração completamente diferente, o clube voltou a este estágio. A comparação com 2006 — quando o Arsenal chegou à final perdendo para o Barcelona de Ronaldinho — é inevitável, mas a estrutura do elenco atual é mais equilibrada do que aquela, que dependia enormemente de Thierry Henry.

Caso o placar agregado fique empatado ao fim dos 90 minutos desta terça, a decisão vai para a prorrogação de 30 minutos — regra que substituiu o critério de gol fora de casa, abolido pela UEFA a partir da temporada 2021/22. Não há tragédia: há contabilidade. O Atlético de Diego Simeone sabe que precisa marcar ao menos uma vez e não levar outro gol para ter alguma chance sem precisar de tempo extra.

Simeone contra o relógio e o que esperar da volta

Do lado do Atlético de Madrid, o desafio é concreto e urgente. Simeone, que transformou o clube espanhol em potência europeia ao longo de mais de uma década no comando, tem diante de si uma equipe que marcou 1 a 1 na ida e agora joga em território adversário com desvantagem no placar agregado. Julián Álvarez, autor do gol colchonero na primeira partida, é o nome mais perigoso do ataque madrileno e o principal candidato a desequilibrar o Emirates.

A outra semifinal, entre Bayern de Munique e PSG, acontece na quarta-feira (6), na Allianz Arena, às 16h (de Brasília). O PSG venceu o primeiro jogo no Parc des Princes por 5 a 4 — em um jogo descrito por especialistas como um dos melhores do século — com gols de Kvicha Kvaratskhelia (dois) e João Neves, além de Dembélé de pênalti. O Bayern respondeu com Harry Kane (pênalti), Michael Olise, Upamecano e Luis Díaz. O time de Vincent Kompany precisa vencer por ao menos dois gols de diferença para avançar sem prorrogação.

O Arsenal que vencer esta terça enfrentará o sobrevivente do duelo alemão-francês na grande final. O vencedor do confronto entre Gunners e Atlético já tem data marcada no calendário: a final da Champions League 2025/2026 está programada para o final de maio, em sede a ser confirmada pela UEFA.

Arsenal 1 a 0 no agregado. Saka marcou. A final está ao alcance da mão.