Quando Santos defendeu duas cobranças de pênalti do Flamengo no Maracanã, pelas quartas de final da Copa do Brasil de 2019, poucos imaginavam que o goleiro do Athletico-PR um dia vestiria a camisa rubro-negra. Três anos depois, por R$ 15 milhões, o arqueiro de 32 anos se torna o novo guardião da Gávea, chegando para resolver um problema que assombra o clube desde a saída de Diego Alves do time titular.
Da roça paraibana aos gramados profissionais
A trajetória de Santos começou em Cabaceiras, cidade de cinco mil habitantes no interior da Paraíba, onde cresceu como o mais novo de oito irmãos em uma família de agricultores. A infância humilde na roça contrastava com os sonhos de menino, mas a determinação falou mais alto quando ele se destacou pelo Porto-PE na Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2008.
"Não cheguei a trabalhar em coisas fixas, mas sempre fiz algumas coisinhas para ganhar um dinheiro e ter um momento de lazer ou comprar algo. Eu sou o mais novo da turma e não tinha tanta obrigação", relembrou o goleiro em entrevista de 2019.
O Athletico-PR apostou no jovem paraibano, mas Santos precisou de paciência para conquistar seu espaço nos profissionais. Anos de espera na base foram recompensados quando finalmente teve a oportunidade de mostrar seu talento, inspirado em seu grande ídolo, Dida.
O perfil de um especialista em decisões
Como o ex-goleiro do Milan que tanto admirava, Santos desenvolveu um estilo reservado e uma frieza impressionante nos momentos decisivos. Suas defesas de pênalti se tornaram marca registrada desde a base, com destaque para o Torneio de Onbendorf, na Alemanha, onde o Athletico-PR venceu o Borussia Dortmund - que contava com Mario Götze - na final, graças a duas defesas do arqueiro paraibano.

"Ele tinha uma forma de jogar bem diferente dos demais, era muito frio e tranquilo. Me espelhava nele e tenho muita admiração por ele", explicou Santos sobre sua inspiração em Dida.
No time principal do Furacão, o goleiro colecionou títulos importantes: Copa Sul-Americana de 2018 e 2020, além da Copa do Brasil de 2019. Curiosamente, foi justamente nesta última conquista que ele se tornou carrasco dos times cariocas, incluindo aquele Flamengo que agora o contratou.
Desafio rubro-negro e pressão da torcida
A chegada de Santos ao Flamengo coincide com um momento delicado do clube na Libertadores. A derrota para o Córdoba no Maracanã gerou críticas severas da torcida e da imprensa, com Arthur Muhlenberg, da Voz da Torcida, disparando que "Libertadores não é Disney". A pressão sobre o elenco e a comissão técnica de Filipe Luís aumentou consideravelmente após o tropeço em casa.
O novo camisa 1 chega para resolver a instabilidade que Diego Alves e Hugo Souza apresentaram na temporada. Segundo apuração do SportNavo, o veterano Diego Alves caiu em desuso e fez apenas duas partidas no Campeonato Carioca, enquanto Hugo Souza, de 23 anos, mesmo jogando mais, foi alvo constante de críticas por falhas em momentos cruciais.
"Tive paciência, tranquilidade e perseverança de correr atrás para chegar aonde eu queria", disse Santos, resumindo a mentalidade que o trouxe até o clube mais popular do país.
Santos foi relacionado para o duelo contra o Sporting Cristal, em Lima, pela primeira rodada do Grupo H da Libertadores. A partida desta terça-feira, às 21h30, pode marcar a estreia do goleiro que saiu da roça paraibana para defender o maior clube de torcida do Brasil, carregando nas costas a responsabilidade de devolver a confiança a uma meta que há tempos não encontra seu dono definitivo.









