O Santos saiu de Buenos Aires com um empate de 1 a 1 contra o San Lorenzo, na 3ª rodada da Copa Sul-Americana, e a pergunta que fica é direta: quando esse time vai engrenar? Enquanto o Peixe fica travado no quarto lugar do seu grupo, o Botafogo goleou o Independiente Petrolero por 3 a 0 no Nilton Santos e assumiu a liderança isolada do Grupo E com sete pontos.

Santos controlou, mas não criou

O roteiro na Argentina foi frustrante. Gabriel Brazão salvou o Santos duas vezes antes dos 15 minutos, mas aos 26, um vacilo de Willian Arão no meio-campo abriu espaço para Cuello balançar a rede. A reação viria cinco minutos depois: Rollheiser acionou Neymar pela esquerda, o camisa 10 tocou para trás e Gabigol chegou finalizando — 1 a 1.

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No segundo tempo, o Santos teve mais posse, mas as jogadas paravam antes da área. O técnico Cuca tentou centralizar o jogo, mas a saída de Rollheiser — o principal destaque alvinegro da partida — pelo ingresso de Barreal tirou fluidez ofensiva ao time. O San Lorenzo, sem ambição, só travou os espaços e o empate segurou.

Neymar ganhou aplausos, mas o jogo precisava de mais

A cena mais comentada da noite não foi um gol: foi o mascote do San Lorenzo chorando ao lado de Neymar, um jogador pedindo a chuteira do brasileiro e a imprensa argentina exaltando o camisa 10 do Peixe. O contraste com a recepção que o atleta recebe no Brasil não passou despercebido.

"Dói dizer, mas o argentino torce para a Argentina. O argentino torce pelo argentino. O mascote do San Lorenzo chorando com o Neymar, o jogador pedindo chuteira, a imprensa argentina elogiando o camisa 10 do Peixe, mas aqui no Brasil não", disse o apresentador Benjamin Back em vídeo publicado nas redes sociais.

Neymar participou do gol de empate com a jogada pela esquerda, mas ficou longe de ser o fator decisivo que o Santos precisa. Na análise do SportNavo, o jogador ainda está operando em modo de adaptação — envolto em afeto, mas distante do protagonismo que a equipe exige neste momento da competição.

Botafogo mostra consistência com Mateo Ponte em destaque

Enquanto o Santos tropeçava em Buenos Aires, o Botafogo construía uma goleada limpa no Rio. Mateo Ponte abriu o placar logo nos primeiros minutos contra o Independiente Petrolero, aproveitando o espaço nas costas da defesa — característica que o lateral uruguaio já repetiu em outras partidas. A vitória por 3 a 0 foi a segunda participação em gol de Ponte nos últimos dois jogos, somando agora 10 participações em gols na carreira.

"Mais uma vitória fundamental na nossa caminhada na competição. Nunca são jogos fáceis, pelo contrário, mas conseguimos impor nosso ritmo e fazer o nosso jogo dentro de casa, diante da nossa torcida. Nós merecemos", declarou Ponte após o apito final.

O Glorioso soma 7 pontos no Grupo E e já tem uma vantagem considerável em relação aos adversários. O retrospecto recente do Botafogo nas copas internacionais — incluindo o título da Libertadores de 2024 — criou um padrão de exigência que a equipe está cumprindo.

O que os números dizem sobre o Santos

O empate em Buenos Aires reforça um padrão preocupante: o Santos não venceu nenhuma das três rodadas disputadas na Sul-Americana. A equipe de Cuca tem dificuldade em converter pressão em finalizações efetivas, e a dependência de jogadas individuais — sem um sistema coletivo claro — aparece nos resultados.

Conforme levantamento do SportNavo a partir dos três jogos do grupo, o Peixe teve posse de bola acima dos adversários em dois deles, mas não converteu essa dominância em volume de chutes dentro da área. O meio-campo sofre com transições lentas, e a saída de bola após erros — como o de Willian Arão em Buenos Aires — cria vulnerabilidades graves.

  • Santos — 3 jogos, 0 vitórias, 3 empates, 3 pontos
  • Botafogo — 3 jogos, 2 vitórias, 1 derrota, 7 pontos (líder do Grupo E)

O Botafogo volta a campo no sábado, contra o Remo, no Nilton Santos, às 16h (horário de Brasília), antes do próximo confronto na Sul-Americana, marcado para o dia 6 de maio contra o Racing, também no Rio de Janeiro. O Santos precisa usar esse intervalo para ajustar o sistema — ou a fase de grupos começa a complicar de verdade.