O silêncio sepulcral que se instalou na Vila Belmiro após o empate sem gols com o Coritiba durou exatos 15 segundos. Depois vieram as vaias ensurdecedoras e os gritos de "vergonha" que ecoaram pelo estádio histórico. O Santos acumula agora três jogos consecutivos sem vencer em casa, cenário que expôs uma crise institucional profunda agravada pela decisão técnica de poupar Neymar do confronto contra o Bahia, neste sábado.
Sequência de tropeços expõe fragilidade santista
A matemática cruel revela o tamanho do problema: em quatro partidas na Vila Belmiro por três competições diferentes, o Santos conquistou apenas uma vitória. O empate por 1 a 1 com o frágil Recoleta pela Copa Sul-Americana foi seguido pela virada sofrida diante do Fluminense por 3 a 2 no Brasileirão, culminando no 0 a 0 frustrante contra o Coritiba pela Copa do Brasil. Uma performance que quebrou uma sequência de 10 vitórias e um empate do Peixe jogando em seus domínios.
Lucas Veríssimo, um dos líderes do elenco, não escondeu a responsabilidade coletiva diante da revolta das arquibancadas.
"Jogar no Santos é sofrer pressão e quem está aqui sabe disso. O Santos é gigante, tem a pressão natural, mas tem de saber lidar. Jogando em casa a torcida está apoiando e no final tem de cobrar mesmo porque a equipe está devendo", declarou o zagueiro ao Prime Vídeo.
Neymar preservado em momento crítico
A decisão de Cuca de poupar Neymar para o duelo contra o Bahia, na Arena Fonte Nova, expõe a delicada gestão de um elenco sob pressão máxima. O camisa 10 completou quatro partidas consecutivas atuando os 90 minutos completos, acumulando uma média de mais de mil metros percorridos por jogo. O técnico justificou a escolha priorizando o confronto contra o San Lorenzo, terça-feira, em Buenos Aires, pela Copa Sul-Americana.
"O Neymar tem feito uma média muito boa, tanto em quilometragem quanto em arranques curtos. Hoje, acho que foi um pouco abaixo, e pode ser pelo quarto jogo seguido. Tivemos que avaliar, e é um jogo diferenciado. Ele não vai jogar no sábado para estar em uma condição melhor na terça-feira", explicou Cuca em entrevista coletiva.
Pressão psicológica afeta rendimento coletivo
A ausência de Neymar em um momento de crise revela um aspecto preocupante: a dependência excessiva do Santos em relação ao seu principal jogador. Conforme análise do SportNavo, a equipe apresenta quedas significativas de rendimento quando o astro não está em campo, problema que se intensifica diante da pressão da torcida. Cuca admitiu que a sequência de resultados negativos afetou diretamente a confiança do grupo.
"É natural, dentro do quadro, com tantas perdas de gols e escolhas erradas no último passe, que a autoestima e a confiança baixem. Sendo assim, as coisas naturais passam a ser forçadas. Como faz para levantar a moral do jogador? Se levanta com atitudes e com vitórias", analisou o treinador santista.
Calendário adverso complica recuperação
O Santos enfrenta agora uma sequência de quatro partidas longe da Vila Belmiro que pode definir os rumos da temporada. Após enfrentar o Bahia sem Neymar, o Peixe viaja para Buenos Aires para encarar o San Lorenzo, tentando sair da lanterna do grupo na Sul-Americana. Na sequência, vem o clássico no gramado sintético do Allianz Parque contra o Palmeiras, onde Neymar historicamente não atua bem, e o duelo de volta contra o Recoleta.
Serão 18 dias consecutivos sem jogar em casa, período que pode ser decisivo para a recuperação da confiança ou o aprofundamento da crise. A pressão financeira também pesa: o Santos precisa das receitas das competições continentais para equilibrar um orçamento que prevê investimentos de R$ 180 milhões na temporada, grande parte justificada pela presença de Neymar no elenco.
O próximo compromisso na Vila Belmiro está marcado para 10 de maio, contra o Red Bull Bragantino, quando a torcida santista poderá avaliar se a estratégia de poupar o craque em momentos decisivos realmente trouxe os resultados esperados. Até lá, Cuca precisa encontrar fórmulas táticas que não dependam exclusivamente do talento individual de seu principal jogador.









