75% dos votos numa enquete de redação jornalística dizem mais do que qualquer análise subjetiva poderia. Quando a redação do Lance! perguntou aos seus jornalistas qual brasileiro se deu melhor no sorteio da Sul-Americana realizado nesta sexta-feira (29) em Luque, no Paraguai, o Santos ganhou com folga. O adversário nas oitavas é o Universidad Central, da Venezuela — o time considerado o mais frágil entre os 16 classificados para o mata-mata. O chaveamento completo foi definido até a final, marcada para 21 de novembro em Barranquilla, na Colômbia, e o caminho desenhado para o Peixe é o mais palatável entre todos os clubes brasileiros ainda na competição.
O precedente que o Santos conhece bem
A última vez que um clube brasileiro entrou numa Sul-Americana com chaveamento claramente favorável e adversários sul-americanos de menor expressão foi o São Paulo em 2012 — e o Tricolor foi campeão, batendo o Tigre na final. O Santos, que nunca conquistou o torneio, tem agora uma estrutura de chave que lembra aquela edição: adversário de grupo de menor expressão nas oitavas, seguido de um confronto potencial contra o Macará, do Equador, nas quartas. Não é uma garantia, mas é uma janela histórica que o clube não pode desperdiçar.
O contexto financeiro torna o momento ainda mais relevante. A premiação para o campeão da Sul-Americana é de 10 milhões de dólares — aproximadamente R$ 50 milhões na cotação atual. Para um clube que registrou R$ 2,5 milhões de receita apenas por avançar da fase de grupos, cada vitória no mata-mata representa uma injeção concreta de caixa: R$ 3,09 milhões nas oitavas, R$ 3,6 milhões nas quartas e R$ 4,12 milhões nas semifinais. O título não é só esportivo — é fiscal.
O que o Universidad Central representa no chaveamento
O Universidad Central chegou ao mata-mata pelo playoff, o que já indica que não liderou seu grupo na fase anterior. O clube venezuelano tem histórico modesto nas competições continentais e nunca chegou a uma semifinal de Copa Sul-Americana. O Santos, por sua vez, entrou diretamente nas oitavas como líder de grupo, o que lhe garante o fator casa no jogo de volta — os duelos das oitavas estão programados para entre 11 e 20 de agosto. A combinação de mando de campo com adversário de menor tradição cria um cenário que, em termos de probabilidade histórica, raramente escapa do favorito.
"Com 75% dos votos, o Santos foi eleito o time brasileiro que se deu melhor após o sorteio", registrou a redação do Lance!, destacando a diferença de nível entre o Peixe e seu adversário venezuelano.
O chaveamento completo revela que, caso avance das oitavas, o Santos enfrentaria o vencedor de Macará (Equador) x Universidad Central. Ou seja: o Peixe não cruzaria com nenhum gigante sul-americano — sem River Plate, sem Olimpia, sem Boca Juniors — até uma eventual semifinal. Esse corredor estreito como pulmão de tatu foi o que nenhum outro brasileiro conseguiu no sorteio desta sexta.
O contraste com o Vasco e o peso do chaveamento adverso
Para entender o quanto o Santos se beneficiou, basta olhar para o outro extremo. O Vasco, com 80% dos votos na mesma enquete, foi eleito o brasileiro com a pior sorte. O time de Renato Gaúcho ainda precisa passar pelo Independiente Medellín nos playoffs e, se avançar, enfrenta o Olimpia — campeão paraguaio com 44 títulos nacionais e uma das maiores torcidas do país. A diferença de nível entre Universidad Central e Olimpia é a mesma distância que separa o otimismo santista da angústia cruzmaltina neste momento.
"A equipe que teve a pior sorte foi o Vasco, com 80% dos votos", apontou a redação do Lance!, em contraste direto com a situação favorável do Santos no chaveamento.
Botafogo, São Paulo, Grêmio e Red Bull Bragantino completam o grupo de brasileiros no mata-mata, cada um com desafios próprios. O Botafogo, segundo colocado na enquete de melhor sorte, enfrenta o vencedor de Lanús x Cienciano — adversário de nível intermediário. O São Paulo pode cruzar com o Grêmio ainda nas oitavas, num derby brasileiro que eliminaria um dos dois antes das quartas. O Bragantino pega o Sporting Cristal, do Peru, numa chave que também favorece os paulistas.
Neymar, Cuca e a pressão de transformar sorte em título
O Santos que entra nas oitavas em agosto não é qualquer Santos. Com Pote e as peças montadas ao redor de Neymar e Cuca — dupla que já conhece a pressão de competições continentais —, o clube tem condições técnicas de aproveitar o chaveamento favorável. Mas a história do futebol sul-americano está cheia de times que tiveram o caminho aberto e tropeçaram justamente por subestimar adversários menores. O Universidad Central, apesar do histórico modesto, jogará sem nada a perder — e esse tipo de adversário, em dois jogos, pode ser mais perigoso do que parece no papel.
O calendário do mata-mata da Sul-Americana foi definido com precisão: oitavas entre 11 e 20 de agosto, quartas entre 8 e 17 de setembro, semifinais em 13 e 21 de outubro. O Santos tem, portanto, aproximadamente 74 dias para se preparar para o primeiro jogo decisivo. Nenhum outro clube brasileiro entrou neste sorteio com uma combinação tão favorável de adversário imediato, chaveamento de longo prazo e premiação financeira em jogo.
O sorteio abriu a porta. Agora o Santos decide se entra.










