Havia uma pergunta circulando desde o início desta semana na Baixada Santista: Neymar jogaria o clássico? A resposta chegou na tarde desta sexta-feira (1º), quando o Santos divulgou os relacionados para o duelo de sábado (2), às 18h30, no Allianz Parque. O camisa 10 não está na lista. A decisão é técnica, calculada e, segundo o clube, reflete um planejamento que vai muito além dos 90 minutos contra o rival alviverde.
O peso do sintético e o calendário que não perdoa
Neymar tem histórico conhecido de restrições ao gramado sintético, superfície que impõe impactos articulares distintos do natural e que já compõe os bastidores de outras ausências suas ao longo da carreira. O Allianz Parque, casa do Palmeiras, utiliza exatamente esse tipo de revestimento — e a comissão técnica do Santos preferiu não expor o jogador a um risco desnecessário. Mas o sintético é apenas uma parte da equação.

O calendário do Peixe nas próximas semanas é denso: antes da convocação da Seleção Brasileira, prevista para 18 de maio, o Santos precisa enfrentar o Recoleta-PAR pela Copa Sul-Americana, decidir vaga na Copa do Brasil contra o Coritiba e ainda cumprir compromissos pelo Brasileirão contra Red Bull Bragantino e o próprio Coxa. A comissão de Cuca optou por preservar o craque para essa sequência, entendendo que o desgaste acumulado em uma partida no sintético poderia comprometer os capítulos seguintes dessa maratona.

Gabigol desmente e entra na lista
Se a ausência de Neymar era esperada, a presença de Gabigol gerou mais ruído. O atacante chegou a ser apontado como dúvida pelo próprio técnico Cuca, mas desmentiu o treinador e confirmou presença na lista de relacionados. A situação incomum — um jogador contradizendo publicamente a avaliação do seu próprio comandante — acrescenta uma camada dramática ao clássico, que já carregava tensão suficiente pela situação na tabela. Zé Rafael também viajou com a delegação, recuperado de dores na coxa direita, enquanto Gabriel Menino e Gustavo Henrique seguem fora, ambos tratando lesões musculares, nas coxas direita e esquerda, respectivamente.
Uma diferença abissal na tabela
O contexto esportivo deste Clássico da Saudade vale ser sublinhado com frieza aritmética: o Palmeiras de Abel Ferreira chega à 14ª rodada do Brasileirão 2026 como líder absoluto, com 32 pontos — fruto de dez vitórias, dois empates e uma única derrota. Os últimos cinco jogos resultaram em quatro triunfos e um empate, sequência que posiciona o Alviverde em ritmo de título. Do outro lado da tabela, o Santos ocupa a 17ª colocação com apenas 14 pontos, abrindo a zona de rebaixamento: três vitórias, cinco empates e cinco derrotas que traduzem uma campanha irregular desde o início da temporada.
A chegada de Cuca em março trouxe esperança ao clube da Baixada, mas a equipe ainda busca a regularidade que a salve da degola. Segundo análise do SportNavo, o retrospecto recente dos clássicos tampouco anima os santistas: o Palmeiras venceu 13 dos últimos 17 confrontos diretos entre os dois, com apenas uma derrota nesse recorte. Jogar no Allianz Parque, ainda sem o maior nome do elenco, torna o desafio ainda mais íngreme.
O que esperar do sábado
Há um paradoxo curioso na decisão do Santos. Ao poupar Neymar, o clube protege seu maior patrimônio esportivo para uma sequência de jogos em que cada ponto importa — Copa Sul-Americana, Copa do Brasil e Brasileirão. Mas o preço imediato é entrar no estádio do líder sem a única figura capaz de inverter as probabilidades com um lance de gênio. Nas palavras correntes dentro do vestiário santista, segundo apuração do SportNavo, a missão é equilibrar a equipe coletivamente e aproveitar eventuais brechas deixadas pelo adversário.
Abel Ferreira, consolidado como o treinador mais vitorioso da história do Palmeiras, deve escalar o time titular sem maiores alterações, apostando no mesmo modelo de pressão alta e posse que elevou o clube à liderança. Para o Santos, a equação é clara: um bom resultado diante do arquirrival seria o oxigênio que a temporada ainda não ofereceu. A bola rola neste sábado (2), às 18h30, no Allianz Parque.








