Um ponto em dois jogos. Lanterna do Grupo D. Quatro desfalques confirmados. O Santos chega ao Nuevo Gasómetro, em Buenos Aires, na terça-feira (28), às 19h de Brasília, pressionado a vencer o San Lorenzo pela primeira vez na Copa Sul-Americana. Os argentinos lideram a chave com 4 pontos e estão invictos.
Situação no grupo e peso do jogo
O Grupo D reúne Santos, San Lorenzo, Deportivo Cuenca (Equador) e Deportivo Recoleta (Paraguai). O Peixe perdeu na estreia e empatou em casa, acumulando apenas 1 ponto. Uma derrota em Buenos Aires praticamente encerra as chances de classificação nas rodadas iniciais.
O San Lorenzo somou 4 pontos, construídos com solidez defensiva: a equipe de Boedo concede pouco espaço entre as linhas e aposta em transições rápidas quando recupera a bola no terço médio. O esquema argentino trabalha com linha de pressão alta no campo adversário, o que cria risco para zagueiros que constroem desde o fundo.
Desfalques e escalação provável de Cuca
Cuca não terá à disposição Vinícius Lira (lesão no joelho esquerdo), Gabriel Menino (em transição para o campo), Zé Rafael (entorse no tornozelo) e Gustavo Henrique (lesão no músculo adutor da coxa esquerda). A ausência simultânea de dois volantes titulares e de um lateral-esquerdo exige adaptações táticas relevantes.
A provável escalação do Santos tem Brazão no gol — titular incontestável, com capacidade técnica para cortar cruzamentos e organizar a saída de bola. Na zaga, Lucas Veríssimo ao lado de João Ananias, jovem que demonstrou segurança recentemente e deve confirmar posição. Igor Vinícius entra no lado direito no lugar de Mayke. Na esquerda, Escobar segue como única opção de ofício.
No meio-campo, Willian Arão e Christian Oliva formam a dupla de contenção. Arão chega mais descansado após ser poupado e é peça-chave tanto na cobertura defensiva quanto na saída com qualidade. Oliva, reforço desta temporada, registra bons índices de desarme e preenche a lacuna deixada por Zé Rafael. Gabriel Bontempo deve completar o setor como meia de ligação, com vocação para o passe curto.
No ataque, Neymar permanece como titular apesar do momento de cobranças intensas — o camisa 10 busca sequência antes da convocação para a Seleção Brasileira visando a Copa do Mundo. Se não tiver condições físicas, Rollheiser é o substituto direto, com dois gols recentes para embasar a confiança do treinador. Thaciano e Gabigol completam o setor ofensivo.
Na avaliação do SportNavo, a configuração mais provável é um 4-3-3 com Arão e Oliva como dupla de proteção e Bontempo saindo por dentro. O risco está na ausência de profundidade na esquerda: Escobar ainda apresenta inconsistência nos cruzamentos e nos passes em situação de pressão.
Pontos críticos contra o San Lorenzo
O San Lorenzo opera com compactação no bloco médio quando não tem a bola e tenta recuperar com linha de pressão organizada. Isso exige que o Santos circule rapidamente no terço ofensivo e evite trocas de passe horizontais em zonas de risco.
Três variáveis táticas determinam o resultado:
- Saída de bola sob pressão: Lucas Veríssimo já vacilou ao não acompanhar Willian José no jogo anterior. Contra o San Lorenzo, qualquer hesitação na construção pode gerar transição ofensiva imediata dos argentinos.
- Pivô de Gabigol: A função de pivô do camisa 99 é determinante para fixar a zaga adversária e liberar Neymar ou Thaciano entre as linhas. Sem esse pivô, o Santos perde referência ofensiva.
- Cobertura do lado esquerdo: Escobar precisa equilibrar o apoio ofensivo com o retorno defensivo. O corredor esquerdo é o ponto mais vulnerável do Peixe diante de um San Lorenzo que costuma explorar exatamente essa lateral.
O que o Santos precisa fazer para vencer
A lógica do jogo favorece o San Lorenzo em termos de posse de bola — os argentinos tendem a controlar entre 53% e 58% nas partidas em casa, segundo dados das duas primeiras rodadas da competição. O Santos, portanto, precisará ser eficiente nas transições: recuperar, progredir rápido e finalizar antes que o bloco adversário se reorganize.
Conforme levantamento do SportNavo, o Peixe teve média de 11,3 finalizações nos dois primeiros jogos, mas apenas 3,5 no alvo. Converter pelo menos 2 chances claras em Buenos Aires é o parâmetro mínimo para disputar o resultado.
"Ele busca sequência antes da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo", segundo a avaliação técnica da comissão santista sobre Neymar, que segue como titular apesar das cobranças.
Willian Arão é a chave do equilíbrio. Com Zé Rafael fora, o ex-Flamengo acumula função de segundo volante e de pivô defensivo no momento de organização. Se Arão tiver alta quilometragem na partida — acima de 10 km percorridos —, o Santos sustenta o bloco médio necessário para neutralizar as transições do San Lorenzo.
Em caso de derrota, o Peixe chega à rodada 3 com apenas 1 ponto, com Deportivo Cuenca e Deportivo Recoleta como próximos adversários diretos. A janela de classificação se fecha rapidamente.









