Um ponto em duas rodadas, lanterna do Grupo D e viagem a Buenos Aires para enfrentar o líder: o Santos chega ao Estadio Pedro Bidegain, nesta terça-feira, 28 de abril, numa condição em que apenas a vitória evita que a eliminação vire matemática antecipada. O San Lorenzo tem 4 pontos, três a mais que o Peixe, e a diferença reflete com precisão o momento de cada clube nesta Copa Sul-Americana.

Uma equipe estabilizada e outra à beira do abismo

O San Lorenzo de Gustavo Álvarez, técnico argentino de 53 anos que assumiu o comando em 22 de março, atravessa seu melhor ciclo recente: seis jogos sem derrota, combinando uma vitória por 2 a 1 sobre o Deportivo Cuenca na segunda rodada com a solidez defensiva que ficou evidente nos jogos do Apertura. O Ciclón somou 22 pontos no Apertura e ocupa a sexta colocação da Zona A, com dois jogos ainda a disputar. A última vitória veio na sexta-feira passada, com gol de Rodrigo Auzmendi de cabeça, no segundo tempo, contra o Platense em Vicente López.

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O Santos, por sua vez, chegou à Sul-Americana já com problemas. A derrota para o Deportivo Cuenca no Equador na estreia — resultado que, por si só, já era um alerta — foi seguida de um empate por 1 a 1 com o Deportivo Recoleta em casa. No Brasileirão, a situação é igualmente preocupante: 14 pontos em 13 rodadas, 15ª colocação, um ponto acima da zona de rebaixamento.

O peso do histórico e o que mudou desde 2021

O último encontro entre Santos e San Lorenzo foi na Copa Libertadores de 2021, quando os dois clubes dividiram o mesmo grupo continental. Passados quase cinco anos, o reencontro acontece numa competição de menor prestígio e com os papéis invertidos em termos de momento: o Ciclón chegou à Sul-Americana como equipe organizada e coesa, enquanto o Peixe soma incertezas em campo e fora dele. Segundo análise do SportNavo, a diferença de trajetória recente entre os dois clubes é o principal fator de risco para o Santos neste confronto em Buenos Aires.

Nas palavras do técnico Cuca, a decisão de poupar Neymar para o clássico de sábado contra o Bahia, na Arena Fonte Nova, demonstra que o clube reconhece a dimensão do problema no campeonato nacional — e que o planejamento de esforços tornou-se inevitável diante do calendário acumulado.

A ausência do camisa 10 em Buenos Aires não é apenas uma questão tática: é a confirmação de que o Santos entrou num ciclo de escolhas difíceis. Com Benjamín Rollheiser tendo marcado dois pênaltis no primeiro tempo do último compromisso, o argentino se apresenta como alternativa criativa para suprir a ausência de Neymar, mas o desafio de criar e converter contra um San Lorenzo compacto é significativamente maior.

O que está em jogo para o Peixe esta noite

A matemática da fase de grupos da Sul-Americana é implacável: com quatro rodadas ainda a disputar após este confronto, uma derrota em Buenos Aires colocaria o Santos com 1 ponto e 6 pontos de desvantagem para o líder, tornando a classificação praticamente inviável. O Grupo D tem ainda Deportivo Cuenca e Deportivo Recoleta, equipes que o Santos já pontuou minimamente — e o Cuenca, curiosamente, é o mesmo adversário que derrotou o Peixe na estreia e perdeu para o San Lorenzo na rodada seguinte.

Segundo apuração do SportNavo, a campanha do Santos na fase de grupos da Sul-Americana é a mais fraca do clube em competições continentais desde o ciclo 2019-2020, considerando aproveitamento de pontos por rodada nas duas primeiras partidas de cada edição disputada.

Para o San Lorenzo, um triunfo no Pedro Bidegain significaria 7 pontos em três rodadas e colocaria o Ciclón em posição privilegiadíssima para avançar antes mesmo do returno. Para o Santos, vencer é a única equação que mantém a Sul-Americana como objetivo real — e não apenas um compromisso de calendário. A bola rola nesta terça-feira, 28 de abril, no Estadio Pedro Bidegain, em Buenos Aires, às 21h30 (horário de Brasília).