Falhou. Pelo terceiro jogo consecutivo no São Paulo, a vitória ficou no caminho — desta vez cedida ao Cruzeiro num empate por 1 a 1 no Morumbis, pela 3ª rodada do Brasileirão 2026. Ferreirinha abriu o placar aos 6 minutos do segundo tempo com cabeçada em cruzamento de Cédric Soares. Kaio Jorge respondeu aos 19', após escanteio de Matheus Pereira e toque de Kaiki na área. Resultado: mais um ponto perdido, mais uma noite de frustração para a torcida tricolor.
A narrativa popular erra o diagnóstico sobre Zubeldía
Circula nos grupos de torcedores e em parte da imprensa a leitura de que o problema do São Paulo é exclusivamente tático — que Luís Zubeldía monta um time sem criatividade e que a solução seria uma formação mais ofensiva. O argumento tem apelo emocional, mas não resiste a uma análise mais fria. O time perdeu neste início de temporada três pilares ofensivos: Lucas Moura, Oscar e Calleri, ausentes na partida deste domingo. Nenhum técnico do mundo constrói produção ofensiva confiável sem seu tridente titular disponível simultaneamente.
O que os dados revelam é mais preocupante do que a narrativa simplista. O São Paulo gerou um xG (gols esperados) abaixo de 0,8 nos três jogos disputados até aqui — métrica que mede a qualidade das chances criadas com base em posição e situação do chute. Para leigos: um time que cria poucas finalizações de alta probabilidade tende a depender de milagres individuais para vencer. Com a torcida exigindo mais do treinador, a avaliação do SportNavo é que o diagnóstico certo aponta para um elenco desequilibrado, não para um técnico incompetente.
Contra o Cruzeiro, o próprio rival entrou em campo com três volantes — priorizando a compactação defensiva após o vexame na Copa Sul-Americana contra o Mushuc Runa. Leonardo Jardim apostou na organização, deixou Dudu e Gabigol no banco, e a estratégia funcionou no primeiro tempo: mais posse de bola, mais segurança defensiva. O São Paulo sofreu sem um articulador e foi pobre em finalizações na etapa inicial, com os dois goleiros, Rafael e Cássio, praticamente sem trabalho.
O gol que resume a fragilidade estrutural do São Paulo
O lance do empate do Cruzeiro condensa o problema estrutural tricolor. Aos 19' do segundo tempo, após escanteio cobrado por Matheus Pereira, Kaiki tocou de cabeça para o meio da área e Kaio Jorge completou na frente do goleiro Rafael — oportunismo puro diante de uma marcação de bola parada que não funcionou. Era o primeiro gol do atacante celeste no ano. A zaga são-paulina permitiu que um centroavante chegasse livre à bola numa situação de escanteio, o tipo de falha que acontece quando a equipe não treina bem a defesa de jogada ensaiada ou quando perde concentração num momento de pressão.
O Cruzeiro, por sinal, havia acertado a trave de Rafael com Lucas Villalba antes do gol de empate — sinal de que a pressão da Raposa foi real e consistente no segundo tempo. A equipe de Jardim chegou ao 14º jogo consecutivo sofrendo ao menos um gol, mas arrancou um ponto fora de casa que interrompeu uma sequência de três derrotas seguidas em todas as competições. Com quatro pontos, o Cruzeiro ocupa a 11ª colocação — posição que o São Paulo certamente gostaria de ocupar.
O lateral Fagner, escalado para conter Ferreirinha, falhou justamente no lance do gol tricolor: deixou o atacante atacar a área sem marcação no cruzamento de Cédric Soares. A falha individual num momento decisivo também é sintoma coletivo — quando o time não pressiona bem a saída de bola adversária, o lateral fica exposto em situações de um contra um.
Três pontos em três jogos e o Flamengo na esquina
A leitura mais precisa da situação do São Paulo não é a de um time em colapso — é a de um time que ainda não encontrou equilíbrio e paga caro pela ausência de peças fundamentais. Três empates, três pontos, 15ª posição: os números são objetivos e preocupantes, mas o campeonato tem 38 rodadas. O histórico recente de times que começaram mal o Brasileirão e se recuperaram é extenso — o próprio Flamengo fez isso em temporadas anteriores.
O problema concreto é o calendário. O próximo adversário do São Paulo é o Flamengo, fora de casa, um teste que qualquer treinador preferiria encarar com a equipe em confiança e ritmo de jogo. Zubeldía chega a esse confronto sem uma vitória sequer no campeonato, com uma equipe que demonstrou fragilidade defensiva em bola parada e dificuldade de criação sem seus titulares ofensivos. A pressão sobre o argentino é real — e vai crescer se o resultado no Maracanã for negativo.
Segundo informações apuradas, o retorno de Calleri e Lucas Moura ao time titular é esperado para as próximas rodadas, o que pode mudar substancialmente o poder ofensivo tricolor. Mas a janela de paciência do torcedor são-paulino é estreita, e três empates seguidos já abriram o debate público sobre a continuidade do trabalho.
"O Cruzeiro foi competitivo, teve mais posse de bola e mostrou segurança defensiva no primeiro tempo", apontou a análise do jogo publicada no site Central da Toca, destacando o domínio celeste na etapa inicial — justamente o período em que o São Paulo deveria pressionar em casa.
O São Paulo volta a campo contra o Flamengo, fora de casa, pela 4ª rodada do Brasileirão 2026. Uma derrota consolidaria a crise; um empate seria insuficiente; apenas a vitória muda o patamar da discussão sobre Zubeldía.
Três rodadas, zero vitórias, Flamengo no horizonte.








