A vitória magra por 1 a 0 sobre o Juventude na Copa do Brasil trouxe alívio temporário à crise política no São Paulo, mas não encerrou a tensão entre torcida e comando técnico. Durante os 90 minutos no Morumbis, Roger Machado e Rui Costa seguiram sendo alvo de vaias e gritos hostis da arquibancada, evidenciando que o resultado positivo não dissolveu a desconfiança acumulada.
Nos bastidores, a alta cúpula tratava o confronto como determinante para o futuro imediato da dupla. Antes da partida, integrantes da gestão admitiam que um tropeço amplificaria drasticamente a pressão sobre Roger e o diretor de futebol. Com a classificação garantida, o tom mudou internamente.
A anatomia da rejeição tática
A hostilidade da torcida transcende questões meramente técnicas. A análise do contexto revela que Roger paga por uma troca considerada injustificável pelos são-paulinos. O técnico anterior, Hernán Crespo, havia construído credibilidade ao verbalizar que o clube estava distante do protagonismo e que daria apenas passos na direção correta, preparando terreno para reconstrução de médio prazo.
Roger, ao contrário, prometeu títulos já em sua chegada ao aeroporto. Rui Costa, na coletiva de apresentação, falou em resultados no curto prazo. Essa mudança de discurso quebrou um processo que a torcida vinha assimilando como necessário: paciência na reconstrução estrutural.
Taticamente, o time segue apresentando limitações na transição ofensiva e compactação defensiva. Contra o Juventude, desperdiçou um pênalti e várias chances claras, evidenciando problemas na finalização que persistem desde a chegada do treinador.

Dirigentes ironizam críticas da arquibancada
A postura da diretoria após a vitória chamou atenção. Um membro da alta cúpula ironizou as críticas da torcida, questionando:
"Quais foram os gols que eles (Roger Machado e Rui Costa) perderam?"
A declaração reflete o distanciamento entre gestão e arquibancada. Enquanto os dirigentes se apoiam no resultado para blindar a dupla, o torcedor demonstra cansaço com decisões consideradas erráticas.
Na segunda-feira anterior ao jogo, o presidente Harry Massis Júnior havia se reunido com Rui Costa em encontro descrito como positivo por fontes próximas à diretoria. Sem garantias formais, Massis sinalizou nova confiança no diretor, que mantém respaldo interno a Roger.
Divisões internas persistem
Conforme apuração do SportNavo, o resultado não encerrou divergências dentro da gestão. O entorno segue dividido entre defensores da atual estrutura e aliados que defendem maior participação de nomes estatutários no comando do futebol.
Rui Costa havia se tornado alvo político nas últimas semanas, movimento impulsionado pela má fase esportiva. O diretor tem sido o mais criticado pela maior organizada do clube, que questiona sua capacidade de liderança no departamento de futebol.
A pressão sobre Roger intensificou-se após sequência de jogos sem vitórias no Brasileirão. O técnico atravessa seu momento de maior desgaste desde a chegada, com apenas 40% de aproveitamento em 15 partidas disputadas.
A situação tática também preocupa. O sistema 4-3-3 implementado por Roger não conseguiu resolver problemas de criação no terço final, com média de apenas 1,2 gols por jogo. A linha de pressão defensiva apresenta inconsistências, permitindo 1,4 gols sofridos por partida.
Cenário de curto prazo
A manutenção de Roger dependerá dos próximos resultados no Brasileirão, onde o São Paulo ocupa posição intermediária na tabela. A diretoria estabeleceu internamente que uma nova sequência negativa poderá reabrir discussões sobre mudanças no comando técnico.
O próximo teste será contra o Palmeiras, no domingo, pelo Campeonato Brasileiro. Uma derrota no clássico pode reacender a crise política que a vitória sobre o Juventude apenas adiou temporariamente.









