Vinte e oito anos é tempo suficiente para uma geração inteira de torcedores brasileiros nunca ter visto um jogo da Copa do Mundo pelo SBT. A última vez que a emissora de Silvio Santos transmitiu um Mundial foi em 1998, quando Ronaldo Fenômeno desabou misteriosamente antes da final contra a França — e o Brasil perdeu por 3 a 0 no Stade de France. Desde então, a Globo monopolizou os Mundiais na TV aberta brasileira. Em 2026, essa hegemonia chega ao fim: o SBT volta ao ringue, e o faz com um nome que a própria Globo revelou ao país inteiro como o maior narrador de Copas da televisão brasileira.
A divisão que muda a Copa para o telespectador
Pela primeira vez na história das transmissões de Copa do Mundo no Brasil, os 104 jogos do torneio serão fragmentados entre múltiplos canais. A Globo e o SBT dividirão a TV aberta, cada uma com metade das partidas — aproximadamente 54 ou 55 jogos por emissora, segundo informações da organização da competição. A CazéTV, de Casimiro Miguel, é a única plataforma que transmitirá todos os 104 jogos, sendo 49 ou 50 deles com exclusividade, via YouTube e SmartTVs. A NSports, parceira do SBT nesse consórcio, replicará o sinal na TV paga. Para os jogos do Brasil, porém, não haverá disputa de exclusividade: a Seleção Brasileira aparecerá simultaneamente na Globo, no SBT, no SporTV, na NSports, na CazéTV e no Globoplay — uma espécie de trégua obrigatória imposta pelo contrato com a FIFA.
A estreia do Brasil está marcada para o dia 13 de junho de 2026, um sábado, às 19h, contra Marrocos. A segunda partida acontece em 19 de junho, uma sexta-feira, às 21h30, diante do Haiti. O encerramento da fase de grupos tem data prevista para 24 de junho, quarta-feira, às 19h, contra a Escócia — adversário que o Brasil nunca enfrentou em Copa do Mundo.
Galvão no SBT — a virada mais inesperada da temporada
Galvão Bueno narrou sua última Copa pela Globo em 2022, no Catar, quando o Brasil caiu nas quartas de final para a Croácia nos pênaltis. A despedida foi ruidosa, com uma sequência de críticas do público nas redes sociais que se tornaram praticamente um ritual nacional. E agora ele estará do outro lado da frequência. Tiago Leifert, ex-Globo e rosto conhecido do entretenimento brasileiro, será o apresentador da cobertura do SBT — uma dupla que reúne dois dos nomes mais polêmicos e populares da televisão do país.
Segundo apuração do SportNavo, a escolha de Galvão pelo SBT não é apenas simbólica: é uma declaração de guerra comercial. A emissora de Cotia sabe que não compete com a Globo em infraestrutura técnica ou em número de repórteres espalhados pelos 16 estádios dos três países-sede — Estados Unidos, Canadá e México. Mas compete em nome. E Galvão, amado e odiado em proporções iguais, gera audiência por atrito, por fricção, pelo prazer que o brasileiro encontra tanto em ouvi-lo quanto em xingá-lo.
"Galvão é maior do que qualquer emissora", resumiu um executivo do setor de mídia esportiva em conversa reservada, sintetizando a lógica por trás da contratação.
A Globo diante do espelho da concorrência
Para a Globo, a Copa de 2026 representa um território desconhecido. Desde a Copa de 1994, nos Estados Unidos — quando o Brasil conquistou o tetracampeonato sob o comando de Carlos Alberto Parreira —, a emissora nunca precisou dividir o palco de um Mundial com um concorrente de TV aberta. A resposta da Globo tem sido investir na profundidade da cobertura: o SporTV deve mobilizar equipes nos três países-sede, e o Globoplay pretende criar conteúdo exclusivo de bastidores durante todo o torneio.
A análise exclusiva do SportNavo mostra que o campo mais disputado não será o gramado, mas o horário nobre. Em jogos simultâneos — e o novo formato com 48 seleções garante que haja muitos deles, especialmente na fase de grupos —, as duas emissoras transmitirão partidas diferentes ao mesmo tempo pela primeira vez. Será o instante em que o telespectador brasileiro precisará, literalmente, escolher em qual canal vai ficar.
"A Copa de 2026 vai ser a mais assistida da história, não por causa do número de jogos, mas porque nunca o brasileiro teve tantas janelas para assistir ao mesmo tempo", projetou um analista de mídia ouvido por publicações especializadas do setor.
O que o torcedor pode esperar a partir de junho
O torneio terá uma fase inédita de rodada de 32 times antes das oitavas de final — formato inaugurado em 2026 com a expansão para 48 seleções. Isso significa mais jogos, mais noites de Copa, mais disputas de audiência e, para o telespectador, mais decisões sobre qual canal ligar. Para quem ainda tem antena parabólica ou apenas a TV aberta, a novidade é concreta: haverá jogos de Copa que a Globo simplesmente não vai mostrar. Uma realidade que não existia desde o século passado.

O Brasil entra em campo pela primeira vez no dia 13 de junho de 2026, contra Marrocos, com transmissão simultânea em todas as plataformas que adquiriram direitos. A partir daí, a disputa entre Globo e SBT pelos índices do Ibope vai acontecer partida a partida, jogo a jogo, até que — se tudo correr como o país deseja — o Brasil chegue à final e todas as emissoras transmitam juntas, compulsoriamente, o que pode ser a sexta estrela.









