Sábado, 27 de junho de 2026. A última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo começa às 18h e termina meia-noite, e a Argentina, bicampeã do mundo, entra em campo às 23h contra a Jordânia numa condição que poucos técnicos gostariam de administrar: com tudo resolvido e nada trivial.
Lionel Scaloni antecipou que Lionel Messi começa a partida no banco de reservas. A decisão não é capricho de treinador satisfeito — é cálculo cirúrgico. O camisa 10, que completou 39 anos em junho deste ano, atravessa sua última Copa do Mundo com o corpo sendo gerenciado como patrimônio nacional. Cada minuto poupado agora é um minuto disponível nas oitavas, nas quartas, na semifinal.
O que a liderança do Grupo L realmente significa
A Argentina soma seis pontos em dois jogos e lidera o Grupo L com folga. A Jordânia está eliminada, sem pontuar. O que parece um jogo de formalidade esconde uma disputa de bastidores: a definição do adversário nas oitavas de final depende diretamente de quem termina em primeiro e quem termina em segundo no grupo.
No outro jogo da chave, Argélia e Áustria se enfrentam às 23h, simultaneamente à partida dos argentinos. Os austríacos precisam de um empate para garantir a vice-liderança graças ao saldo de gols. Um placar igualado classifica ambos — e esse cenário, registrado por SportNavo nos últimos dias como alvo de atenção da FIFA, coloca as duas seleções europeias sob suspeita de acordo velado. Para a Argentina, o ideal é vencer e torcer para que o adversário nas oitavas seja o mais acessível possível entre os classificados dos grupos vizinhos.
"Vamos rodar o elenco, mas a equipe vai a campo para vencer. Não existe jogo sem importância numa Copa do Mundo", disse Scaloni em coletiva antes da partida, sinalizando que a poupança de Messi não significa rendição tática.
Messi no banco e o teste que Scaloni precisa passar
Há um subproduto valioso nesta decisão que vai além da preservação física do craque. Sem Messi em campo desde o início, Scaloni terá a chance de observar em situação real de Copa como Julián Álvarez, Paulo Dybala e Enzo Fernández se comportam quando o peso da criação recai inteiramente sobre eles. Nos dois primeiros jogos da fase de grupos, a Argentina venceu com Messi participando ativamente — mas o mata-mata exige respostas para cenários em que ele não esteja em campo, seja por suspensão, lesão ou gestão de carga.
Álvarez marcou dois gols nos dois primeiros jogos desta Copa. Dybala, recuperado de uma lesão muscular que o preocupou em maio, entrou como substituto na segunda rodada e mostrou mobilidade. O laboratório está montado. A Jordânia, que ainda busca seu primeiro ponto no torneio, é o adversário ideal para esse experimento — sem pressão de resultado, com espaço para errar e corrigir.
"Quando o Messi não está, os outros precisam tomar as decisões que ele tomaria. É crescimento coletivo", afirmou o auxiliar técnico Pablo Aimar em entrevista ao canal oficial da seleção argentina divulgada na véspera da partida.
Inglaterra, Croácia e os outros dramas do dia
Enquanto a Argentina administra, outros grupos vivem tensão genuína. Às 18h, a Inglaterra enfrenta o Panamá já eliminado e precisa da vitória para garantir a liderança do seu grupo. Harry Kane, que ainda não balançou as redes nesta Copa, carrega o peso de um torneio que parece resistir à sua presença. Os ingleses empataram sem gols com Gana na rodada anterior — resultado que, em qualquer análise honesta, foi abaixo do esperado para uma seleção montada para ir longe.
No mesmo horário, Croácia e Gana travam a batalha real do grupo. A seleção africana soma quatro pontos e está, no mínimo, entre os melhores terceiros colocados. Os croatas precisam de pelo menos um empate para não depender de outros resultados. Luka Modrić, aos 40 anos, enfrenta sua própria versão do dilema Messi — até onde o corpo aguenta o peso de uma Copa inteira?
Às 20h30, o confronto mais aguardado do dia coloca Colômbia e Portugal frente a frente. Os colombianos chegam com 100% de aproveitamento e precisam apenas de um empate para confirmar a liderança. Cristiano Ronaldo e a seleção portuguesa obrigatoriamente precisam vencer para ultrapassar os sul-americanos — um jogo sem margem de erro para quem quer chegar ao mata-mata em posição confortável.
Os cenários das oitavas e o caminho argentino
A Argentina termina a fase de grupos entre as seleções com melhor desempenho do torneio, independentemente do resultado desta noite. Seis pontos, saldo positivo, elenco preservado. O roteiro até aqui é quase perfeito — e é exatamente por isso que a decisão sobre Messi concentra tanto escrutínio.
Se a Argentina vencer e terminar na liderança do Grupo L, enfrentará o segundo colocado de um dos grupos vizinhos nas oitavas. Se terminar em segundo, o adversário muda — e pode ser mais ou menos perigoso dependendo dos resultados paralelos. O mata-mata começa no dia 1º de julho, e Scaloni precisa que Messi chegue a essa data com as pernas descansadas e o corpo inteiro.
A Copa do Mundo de 2026 é a última de Messi. Isso não é especulação — o próprio jogador confirmou publicamente antes do torneio. Cada escolha de Scaloni a partir de agora carrega esse peso. A questão que fica para as próximas semanas é concreta: se a Argentina chegar a uma semifinal e Messi acumular minutos poupados, ele terá energia suficiente para decidir um jogo em que os 90 minutos não bastam e a disputa vai aos pênaltis?










