Se a Copa do Mundo começasse hoje e Craig Gordon fosse escalado no primeiro jogo da Escócia, ele já entraria para a história do futebol antes mesmo de defender uma bola. Com 43 anos completos, o goleiro foi incluído na convocação anunciada nesta terça-feira, 19 de maio, pelo técnico Steve Clarke — e sua presença no torneio representaria a segunda aparição mais velha de um jogador em Mundiais, superada apenas pelo egípcio Essam El Hadary, que jogou a Copa de 2018 com 45 anos e 161 dias. A resolução do hipotético é simples: Gordon já está convocado. O que acontece em campo depende de 90 minutos reais.
A Escócia de volta ao Mundial depois de 28 anos
A Copa do Mundo de 2026 marca o retorno histórico da Escócia ao torneio após uma ausência de 28 anos — a última participação foi em 1998, na França. Clarke montou uma lista que equilibra experiência europeia e renovação: Andy Robertson, do Liverpool, lidera a defesa; Scott McTominay e John McGinn, do Aston Villa, organizam o meio-campo; e nomes como Ryan Christie, do Bournemouth, e Ben Gannon-Doak completam o grupo. A Escócia está no Grupo C e enfrenta o Haiti em 13 de junho, em Boston, antes de medir forças com o Brasil no dia 24 de junho, em Miami — o confronto mais aguardado da fase de grupos para os escoceses.
A convocação final trouxe mudanças em relação à lista de março. O atacante Tommy Conway, do Middlesbrough, ficou de fora por lesão, assim como o defensor Ross McCrorie e os meias Connor Barron e Josh Mulligan. No gol, Gordon substituiu Liam Kelly, que havia atuado nos últimos amistosos. A aposta em um goleiro de 43 anos no lugar de um titular recente não é uma decisão técnica trivial — é uma declaração de confiança em uma trajetória construída ao longo de mais de duas décadas.
Lesões que teriam encerrado qualquer carreira comum
Craig Gordon iniciou sua carreira profissional no Heart of Midlothian, clube de Edimburgo, no início dos anos 2000, e chegou a ser um dos goleiros mais valorizados da Premier League quando foi contratado pelo Sunderland em 2007 por cerca de £9 milhões — recorde para um goleiro britânico na época. A sequência de lesões graves, incluindo uma fratura severa no braço que o afastou dos gramados por mais de dois anos entre 2012 e 2014, poderia ter encerrado sua carreira antes dos 35 anos. Gordon não apenas voltou, como retornou ao Celtic, onde reconquistou titularidade e acumulou títulos da Scottish Premiership. Hoje, defende as cores do Heart of Midlothian novamente, clube onde começou tudo.
Para ter dimensão da longevidade de Gordon: quando ele estreou pela seleção escocesa, em 2004, jogadores como Findlay Curtis — convocado com 19 anos após se destacar pelo Kilmarnock nesta temporada e já negociado com o Rangers — ainda não haviam nascido. A diferença de idade entre o goleiro veterano e o jovem atacante na mesma lista de convocados é de 24 anos, um dado que ilustra a amplitude geracional desta seleção.
O recorde que El Hadary estabeleceu e Gordon pode aproximar
Essam El Hadary entrou em campo pelo Egito diante da Arábia Saudita no dia 25 de junho de 2018, em Volgogrado, com 45 anos e 161 dias — tornando-se o jogador mais velho a atuar em uma Copa do Mundo. Gordon, caso jogue alguma partida no torneio de 2026, terá 43 anos e alguns meses, ficando atrás de El Hadary na lista histórica, mas à frente de todos os demais. O colombiano Faryd Mondragón, que atuou em 2014 com 43 anos e 3 dias, é o segundo mais velho até hoje — Gordon disputaria exatamente essa posição no ranking.
"Our Scotland. You're an easy country to love", publicou a seleção escocesa nas redes sociais ao anunciar a convocação nesta terça-feira, sinalizando o tom emocional com que o país encarará o torneio após quase três décadas de ausência.
A comparação com El Hadary vai além da idade: o egípcio também foi convocado como terceiro goleiro em 2018, com função simbólica e histórica dentro do grupo. Gordon chega à Copa do Mundo em condição semelhante — Angus Gunn, do Nottingham Forest, é o titular esperado — mas Clarke optou por sua experiência e liderança de vestiário como ativos insubstituíveis num torneio de alta pressão.
O que Gordon representa para a Escócia em Miami
A presença de Gordon na convocação não é apenas simbólica. Clarke utilizou o goleiro em momentos decisivos das eliminatórias, e sua influência sobre jogadores mais jovens — como o próprio Curtis, de 19 anos — tem sido reconhecida pela comissão técnica. A Escócia fará dois amistosos preparatórios antes da estreia: contra Curaçao e Bolívia, datas ainda a confirmar, mas previstas para a primeira quinzena de junho.
O grupo escocês tem representantes de clubes ingleses como Liverpool, Aston Villa, Everton, Southampton e Bournemouth, além de Celtic, Rangers e Hearts no futebol local — cada um dos três clubes escoceses com dois jogadores na lista. A mistura entre o futebol de alto nível da Premier League e a base doméstica é a marca desta convocação, e Gordon, formado nas categorias do Hearts e ainda em atividade pelo mesmo clube décadas depois, personifica essa combinação melhor do que qualquer outro nome da lista.
Segundo a imprensa escocesa, Clarke teria descrito Gordon como "um dos maiores goleiros que este país já produziu", justificando a convocação não pela ausência de alternativas, mas pelo valor inestimável de ter uma referência desse calibre no grupo durante um Mundial.
A estreia da Escócia acontece em 13 de junho, contra o Haiti, em Boston. O confronto com o Brasil está marcado para 24 de junho, em Miami. Se Craig Gordon entrar em campo em qualquer momento dessas partidas, ele terá 43 anos — a segunda maior idade registrada na história dos Mundiais.









