Se Harry Kane tivesse encerrado sua passagem pelo Bayern de Munique neste sábado (16), já carregaria consigo uma marca que nenhum estrangeiro havia conquistado com tanta velocidade na Allianz Arena: 140 gols em três temporadas, média superior a 0,8 por partida, e o 10º lugar na lista dos maiores artilheiros da história do clube. Mas Kane não parou — ele fez um hat-trick na goleada por 5 a 1 sobre o Colônia e empurrou ainda mais longe o que já era extraordinário.

A marca concreta chegou com a ultrapassagem de Giovane Élber, o centroavante brasileiro que passou seis temporadas no Bayern entre 1997 e 2003 e deixou 139 gols gravados na memória bávara. Élber foi ídolo, artilheiro da Bundesliga em 2003 e peça central em uma das fases mais vitoriosas do clube. Superar esse legado em menos de três anos de contrato diz muito sobre a consistência do inglês.

O que Élber levou seis anos para construir, Kane fez em três

Giovane Élber precisou de 210 partidas e seis temporadas para acumular seus 139 gols pelo Bayern. Kane chegou ao 140º em ritmo visivelmente diferente — com uma frequência que coloca seu rendimento entre os mais altos da história moderna do futebol europeu para um centroavante puro. A comparação não diminui Élber; ela apenas dimensiona o que Kane está fazendo em Munique.

Na temporada 2025/2026, Kane lidera a corrida pela Chuteira de Ouro com 36 gols na Bundesliga, vantagem considerável sobre Erling Haaland, segundo colocado com 26 na Premier League. Não é a primeira vez que o inglês conquista o prêmio de artilheiro europeu, mas a regularidade com que mantém esse nível — aos 32 anos — é o dado que diferencia esta fase de qualquer outra em sua carreira.

Uma carreira que parecia ter teto — até que o Bayern derrubou o telhado

Há algo de Rocky Balboa na trajetória de Kane: um atleta que passou anos sendo o melhor da categoria sem jamais subir no pódio mais alto, acumulando estatísticas enquanto os títulos escapavam. No Tottenham, foram 280 gols e nenhum troféu. Em Munique, a narrativa mudou. Aos 32 anos, Kane já soma três conquistas com o Bayern e persegue a quarta — a Copa da Alemanha, cuja final contra o Stuttgart está marcada para o dia 23 deste mês.

A DFB Pokal seria um título inédito em sua coleção pessoal e completaria um ciclo simbólico: o artilheiro que chegou sem troféus e passou a colecioná-los no ritmo em que marca gols. Kane é também o maior artilheiro da história da seleção inglesa e do Tottenham, e sua carreira total já ultrapassa 517 gols.

O próximo alvo e o que os números projetam para 2026/2027

Com 140 gols, Kane está a 16 de Roland Wohlfarth, que ocupa o 6º lugar na lista histórica do Bayern com 156 tentos. A distância é factível para uma única temporada no ritmo atual do inglês — algo em torno de 50 partidas disputadas por ano e média acima de 0,8 gol por jogo. Matematicamente, a marca de Wohlfarth está ao alcance da próxima campanha.

Acima de Wohlfarth estão nomes como Karl-Heinz Rummenigge (217 gols) e o intocável Gerd Müller (365). Chegar a esse patamar exigiria mais do que uma renovação — exigiria uma longevidade que nem mesmo o próprio Kane provavelmente projeta. Mas o contrato atual vai até junho de 2027, e conversas por renovação já foram iniciadas, segundo informações do entorno do clube.

"Aos 32 anos, o inglês vive uma de suas melhores fases na carreira", conforme apurado pelo Lance!, que acompanha as negociações entre o atacante e a diretoria bávara.

Por que este recorde importa além dos números

O Bayern tem o hábito de exigir muito de seus centroavantes e descartá-los com a mesma velocidade. Robert Lewandowski marcou 344 gols pelo clube e saiu sem despedida formal. Antes dele, outros grandes nomes passaram pela Allianz Arena sem deixar uma marca duradoura fora das estatísticas. Kane, ao entrar para o top 10 histórico em apenas três temporadas, cria um vínculo institucional diferente — o tipo que gera conversas de renovação e não de venda.

O próximo compromisso oficial de Kane é a final da Copa da Alemanha, no dia 23 de maio, contra o Stuttgart. Uma vitória colocaria o Bayern com mais um troféu na temporada e Kane com seu quarto título pelo clube — o mesmo número de anos que levou para Élber se tornar ídolo em Munique. A diferença é que Kane está fazendo isso em três.