Se o campeonato terminasse hoje, o Fluminense estaria eliminado da Copa Libertadores ainda na fase de grupos. Lanterna do Grupo C, com apenas um ponto conquistado em três rodadas, o Tricolor das Laranjeiras chega a Mendoza nesta quarta-feira (6), às 21h30, no Estádio Malvinas Argentinas, numa condição que poucos torcedores imaginavam possível há dois meses. A realidade, contudo, não espera por ninguém — e os números são brutais demais para serem ignorados.

O Grupo C que o Fluminense não esperava encontrar

O Independiente Rivadavia lidera o Grupo C com nove pontos em nove possíveis — aproveitamento de 100%. A diferença de desempenho entre os dois times nesta Libertadores é do tamanho da distância entre Recife e Porto Alegre: um time vence tudo, o outro ainda não encontrou o caminho da vitória. O "Azul del Parque", comandado por Alfredo Berti, já soma duas goleadas em casa na competição e chega a este duelo sabendo que uma simples vitória carimba a classificação às oitavas de final. O Fluminense, do outro lado, precisa vencer para manter qualquer esperança matemática real de avançar.

Segundo apuração do SportNavo, a campanha do Rivadavia na Libertadores deste ano é a mais sólida de um estreante argentino na fase de grupos desde que o formato atual foi adotado. Três jogos. Três vitórias. Zero gols sofridos em Mendoza. O Malvinas Argentinas virou uma fortaleza — e o Fluminense terá de derrubá-la sob pressão máxima.

O Fluminense que chegou ao fundo do poço sob Zubeldía

Luis Zubeldía assumiu o Fluminense com crédito de um currículo respeitável no futebol sul-americano, mas a Libertadores de 2026 está sendo um pesadelo. A derrota em casa para o Rivadavia na estreia — em pleno Maracanã — foi o sinal mais claro de que algo estava errado. Perder para um clube argentino de menor expressão histórica no estádio mais icônico do Brasil não é apenas um resultado ruim: é um diagnóstico.

Para o confronto desta quarta, Zubeldía não conta com Martinelli, lesionado, nem com Bernal, suspenso. O meio-campo será remontado com Alisson entre os titulares. A boa notícia é o retorno de Lucho Acosta, recuperado de lesão no joelho — o camisa 10 é o jogador com maior capacidade de criação no elenco tricolor e sua ausência nas rodadas anteriores pesou diretamente nos números ofensivos da equipe. Sem Acosta, o Fluminense não criou. Com ele, ao menos existe a possibilidade.

"Nas palavras do técnico Zubeldía, o time precisa de uma grande atuação coletiva para superar o momento difícil", segundo informações divulgadas pelo clube antes do embarque para Mendoza.

O adversário que virou sensação e por quê isso importa

O Independiente Rivadavia não é um time improvisado. Berti construiu uma equipe organizada, compacta e letal nas transições. Alex Arce, centroavante paraguaio, é o principal nome ofensivo e lidera as estatísticas de finalizações do grupo. A linha defensiva com Studer e Costa tem sido impermeável: zero gols sofridos em Mendoza na competição. O sistema de pressão alta do Rivadavia foi exatamente o que desestruturou o Fluminense no Maracanã — e em altitude, com a torcida do Malvinas empurrando, a tendência é que o time argentino seja ainda mais intenso.

Fábio, aos 43 anos, segue sendo o goleiro titular e terá uma noite de alta exigência. Guga e Renê precisam controlar os corredores contra Sartori e Fernández, que são os principais gatilhos ofensivos do Rivadavia pelas pontas. Qualquer espaço cedido na defesa tricolor pode ser fatal.

"Estamos prontos para fazer história novamente", declarou o técnico Alfredo Berti em entrevista à imprensa argentina antes do duelo, sinalizando que o Rivadavia não vai administrar a vantagem — vai atacar desde o primeiro minuto.

Os cenários matemáticos que o Fluminense precisa entender

Restam três rodadas após esta quarta-feira. Uma derrota em Mendoza deixa o Fluminense com apenas um ponto e torna a classificação dependente de uma combinação quase impossível de resultados: vencer os dois jogos restantes e torcer por tropeços simultâneos dos adversários diretos. Matematicamente, não é zero — mas é próximo disso.

Uma vitória, por sua vez, recoloca o Tricolor na briga com seis pontos a disputar. Seria o mínimo necessário para que a classificação voltasse às próprias mãos. Um empate é o pior dos mundos: mantém o Fluminense vivo apenas no papel, com a conta impossível de quitar nas rodadas finais.

A escalação confirmada para Mendoza é: Fábio; Guga, Jemmes, Freytes e Renê; Hércules, Alisson e Lucho Acosta; Savarino, Canobbio e Rodrigo Castillo. John Kennedy aparece como opção no banco. O árbitro uruguaio Gustavo Tejera apita a partida, com transmissão pela TV Globo e Disney+. Perder esta partida não é apenas um tropeço — é, muito provavelmente, o fim da participação tricolor na Libertadores de 2026.