6 — esse é o número de jogadores fora de combate no São Paulo neste início de maio de 2026, e ele diz mais sobre a crise tricolor do que qualquer análise tática poderia revelar. Confirmados nesta segunda-feira, 4, os diagnósticos do zagueiro Alan Franco (estiramento no adutor direito) e do lateral-direito Lucas Ramon (lesão muscular na panturrilha esquerda) se somam à ruptura do tendão calcâneo de Lucas Moura e às ausências de Marcos Antonio, Pablo Maia e a dúvida permanente de Rafael Tolói. Roger Machado está, literalmente, montando um quebra-cabeça com peças faltando.
O diagnóstico do momento
O empate por 2 a 2 contra o Bahia, no último domingo, 3, custou caro além dos dois pontos desperdiçados. Lucas Ramon precisou ser substituído ainda no segundo tempo, enquanto Alan Franco — numa daquelas situações que qualquer torcedor já viu e teme — permaneceu em campo até o apito final mesmo sentindo desconforto. O clube confirmou que nenhum dos dois casos exige intervenção cirúrgica no momento, o que é um alívio parcial, mas os prazos de recuperação para estiramentos musculares costumam variar entre duas e quatro semanas, a depender da extensão da lesão.
O caso mais grave da lista continua sendo o de Lucas Moura. A ruptura do tendão calcâneo, diagnosticada semanas atrás, exigiu cirurgia e coloca o camisa 7 fora por pelo menos seis meses — um prazo que, historicamente, costuma se estender. Reparemos no detalhe: em 2013, quando Neymar sofreu lesão similar na estrutura do tornozelo direito durante a Copa das Confederações, o retorno levou quatro meses; rupturas completas do calcâneo, porém, têm cronograma bem mais longo e imprevisível.
Os fatores que explicam o quadro
A densidade de jogos é o fator mais imediato. O São Paulo disputa simultaneamente o Brasileirão Série A e a Copa Sul-Americana em 2026, o que força Roger Machado a utilizar praticamente o mesmo grupo de jogadores com intervalos de recuperação insuficientes. Segundo levantamento do SportNavo, entre março e abril o clube realizou 11 partidas em 42 dias — média de um jogo a cada 3,8 dias, limiar crítico para lesões musculares segundo a literatura médica esportiva.
Há também um componente histórico que merece atenção. O São Paulo já conviveu com ondas de lesões em momentos decisivos: em 2015, quando brigava pelo título brasileiro, perdeu Ganso, Calleri e Douglas em sequência e terminou a temporada sem levantar taça. Em 2019, uma lista semelhante de desfalques comprometeu a campanha na Libertadores. A diferença agora é que o clube enfrenta esse problema mais cedo no calendário, o que teoricamente dá tempo de recuperação — mas também significa que os jogadores lesionados podem ser pressionados a voltar antes do prazo ideal.
Rafael Tolói, que segue como dúvida para a partida contra o O'Higgins pela Copa Sul-Americana na quinta-feira, 7, representa outro ponto de atenção. O zagueiro ítalo-brasileiro, de 33 anos, tem histórico de lesões recorrentes e sua ausência obrigaria Machado a improvisar na zaga — setor que já perdeu Alan Franco por tempo indeterminado.

Os cenários possíveis daqui
A partida contra o O'Higgins, marcada para quinta-feira, 7, no Morumbi, é o teste imediato. Com Franco e Ramon fora, e Tolói em dúvida, o técnico Roger Machado terá de recorrer a opções do elenco que ainda não consolidaram titularidade em 2026. A análise do SportNavo aponta que, nas últimas cinco temporadas, o São Paulo perdeu 38% dos jogos em que entrou em campo com três ou mais desfalques simultâneos em posições de linha — índice que sobe para 52% quando as ausências incluem pelo menos um zagueiro titular.
No Brasileirão, o impacto pode ser ainda mais sensível. O calendário de maio prevê ao menos quatro rodadas, e recuperar Franco e Ramon dentro desse prazo exigiria um processo de reabilitação sem intercorrências. Historicamente, estiramentos no adutor têm recaída frequente quando o retorno é apressado — o caso de Maicon, que em 2016 sofreu a mesma lesão pelo São Paulo e voltou antes do tempo, resultando em nova ruptura três semanas depois, é o exemplo mais doloroso da própria história recente do clube.
"Temos que ser cuidadosos e não arriscar nenhum atleta antes do tempo", declarou o departamento médico do São Paulo em nota oficial divulgada nesta segunda-feira, sem estabelecer prazo de retorno para os dois novos lesionados.
O São Paulo entra em campo na quinta-feira, 7, contra o O'Higgins, pelo Grupo D da Copa Sul-Americana, às 21h30, no Morumbi — com ao menos cinco desfalques confirmados e a necessidade de pontuar para não complicar a classificação na fase de grupos.









