Se o São Paulo fechasse sua temporada hoje, terminaria com a pior sequência de resultados de 2026 — seis partidas sem vitória, uma marca que não pertencia a nenhum técnico anterior neste calendário. O número chegou antes de Dorival Júnior. Mas, a partir desta terça-feira, 18 de maio, ele passa a ser cobrado por ele.

A estreia acontece no Morumbis, às 21h30 (horário de Brasília), diante do Millonarios, pela quinta rodada do grupo da Copa Sul-Americana. SBT e Disney+ transmitem o jogo. Uma vitória coloca o Tricolor em posição confortável para avançar de fase; um tropeço amplia o buraco e transforma o retorno do treinador em mais um título de crise no noticiário.

O peso dos seis jogos que antecederam a terceira chegada de Dorival Seis jogos s
O peso dos seis jogos que antecederam a terceira chegada de Dorival Seis jogos s

O peso dos seis jogos que antecederam a terceira chegada de Dorival

A sequência de seis partidas sem triunfo é, segundo o departamento de comunicação do clube, a pior do ano. Não há um adversário isolado responsável pelo colapso — o problema se distribuiu entre Brasileirão e Sul-Americana, contra times de padrões técnicos distintos. Esse detalhe importa: quando uma crise atravessa competições diferentes, ela não é conjuntural, é estrutural.

Dorival foi apresentado oficialmente na segunda-feira, 18 de maio, horas antes do jogo. O calendário não deixou margem para qualquer período de adaptação. Segundo apuração do SportNavo, o treinador teve menos de 48 horas de trabalho com o elenco antes de escalar o time para uma partida de nível continental.

A escalação divulgada indica Rafael no gol; Lucas Ramon, Dória, Sabino e Enzo na defesa; Bobadilla, Danielzinho, Artur e Cauly no meio; Ferreirinha e André Silva no ataque. O esquema sugere uma linha de quatro defensores com dois meias mais recuados — configuração diferente da utilizada pela comissão anterior nas últimas rodadas.

O que as duas passagens anteriores ensinaram — e o que Dorival ignorou em cada uma delas

Dorival Júnior tem um histórico documentado com o São Paulo. Na primeira passagem, o clube vivia instabilidade técnica parecida com a atual — troca de treinador em meio à temporada, elenco fragmentado, pressão da torcida. O técnico entrou, estabilizou resultados no curto prazo, mas saiu antes de consolidar qualquer projeto tático de médio prazo.

Na segunda passagem, o problema foi diferente: Dorival chegou com mais tempo, mas não conseguiu impor uma identidade de jogo consistente. A equipe oscilou entre sequências de vitórias e quedas bruscas de rendimento, sem que o treinador conseguisse manter um padrão mínimo de desempenho por mais de quatro rodadas consecutivas.

Quando acerta no posicionamento defensivo, o São Paulo fecha linhas e anula transições. Quando erra na pressão alta, o time abre espaços que equipes de velocidade exploram com facilidade. Essa dualidade foi a marca registrada das passagens anteriores e precisa ser resolvida agora.

O que as duas passagens anteriores ensinaram — e o que Dorival ignorou em cada u
O que as duas passagens anteriores ensinaram — e o que Dorival ignorou em cada u

O Millonarios chega ao Morumbis em alta. A equipe colombiana, comandada por Bustos, venceu na rodada anterior e deve manter a base: Diego Novoa no gol; Sarabia, Elizalde, Arias e Moreno na defesa; Valencia, Angulo, Del Castillo e Vega no meio; Castro e Jader Hurtado no ataque. Jorge Hurtado é apontado como principal ameaça ofensiva.

"Precisamos de uma vitória para encaminhar a classificação", disse Dorival Júnior em sua apresentação nesta segunda-feira, sem detalhar o esquema tático para a estreia.

A arbitragem será peruana: Kevin Ortega apita a partida, com Michael Orue e Jesus Sanchez nas bandeiras. Carlos Orbe, do Equador, opera o VAR.

O que Dorival precisa mudar para que a terceira passagem não vire estatística negativa

O pulmão da equipe tricolor — o meio-campo — foi o setor que mais sofreu nas últimas seis rodadas sem vitória. Bobadilla e Danielzinho juntos representam uma aposta na solidez defensiva do setor, mas a criação dependeu historicamente de Cauly, que entra mais adiantado nesta escalação.

A primeira mudança concreta que Dorival precisa implementar é de gestão de elenco: nas passagens anteriores, o treinador foi criticado internamente por não definir um time titular fixo, gerando insegurança nos jogadores. O rodízio excessivo fragmentou a coesão tática e impediu a formação de automatismos.

A segunda mudança é de ritmo de pressão. O São Paulo de Dorival nas versões anteriores oscilava entre momentos de pressing intenso e fases de recuo excessivo dentro da mesma partida — sem critério claro para a transição entre os dois comportamentos. Contra o Millonarios, que tem velocidade nas transições ofensivas com Castro e Hurtado, essa inconsistência pode ser fatal.

"O elenco tem qualidade. O problema não é individual, é coletivo", afirmou uma fonte interna do clube, sem se identificar, durante a semana de negociações para a contratação do treinador.

Quando Dorival estabelece um bloco médio compacto e usa Ferreirinha em profundidade pelos lados, o São Paulo tem capacidade real de criar superioridade numérica no terço final. Quando abre mão dessa estrutura por pressão de resultado e empilha jogadores no ataque, perde equilíbrio e fica exposto ao contra-ataque.

A tabela da Sul-Americana ainda permite ao Tricolor avançar de fase sem depender de terceiros — mas apenas com vitória nesta noite. Uma derrota ou empate joga o São Paulo para uma situação de dependência de resultados alheios na rodada final do grupo, que acontece em duas semanas.

O próximo compromisso pelo Brasileirão está marcado para o final de semana. Antes disso, o clube precisa de um número diferente do seis — e precisa dele hoje à noite, no Morumbis, diante de uma equipe colombiana que chegou ao Brasil querendo estragar a festa do reencontro.