"O Flamengo tem elenco para superar qualquer ausência." A frase, repetida como mantra por dirigentes rubro-negros ao longo dos últimos anos, será testada neste domingo (10) na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, às 20h30, pela 15ª rodada do Brasileirão. Desta vez, porém, as ausências não são de peças periféricas: são Alex Sandro e Arrascaeta — dois dos jogadores mais utilizados por Leonardo Jardim desde o início da temporada.

O peso das ausências no sistema de Jardim

Alex Sandro recebeu o terceiro cartão amarelo no clássico contra o Vasco e cumpre suspensão automática. O lateral-esquerdo, que retornou ao Brasil após passagem pela Juventus e pelo Al-Qadsiah, havia se firmado como titular absoluto na lateral esquerda do Flamengo em 2026. Arrascaeta, por sua vez, está fora por fratura na clavícula — lesão que o afasta por tempo indeterminado. O chileno Pulgar também desfalca por lesão no ombro direito, e Lucas Paquetá segue em recuperação de um edema no tendão da coxa esquerda. São quatro jogadores de meio-campo fora ao mesmo tempo — um número equivalente ao total de gols que o Grêmio sofreu em casa nas últimas cinco rodadas do Brasileirão.

Para o setor mais castigado pelas baixas, Jardim recorre a uma solução que o próprio calendário forçou: a entrada de Jorge Carrascal, que cumpriu suspensão nos últimos quatro jogos do Flamengo. O colombiano retorna justamente em Porto Alegre, cidade onde nasceu parte da rivalidade mais recente entre Flamengo e Grêmio nas competições nacionais.

O que os números dizem sobre Carrascal como titular

Nas ocasiões em que Carrascal atuou como titular pelo Flamengo nesta temporada, o time registrou aproveitamento de 61% nos pontos disputados — número inferior aos 73% obtidos quando Arrascaeta começa jogando. A diferença não é apenas de rendimento individual: o uruguaio funciona como organizador de transições curtas, enquanto o colombiano tende a buscar o drible e a jogada individual, o que altera o ritmo de circulação de bola do meio para o ataque. Segundo apuração do SportNavo, Jardim optou por manter o esquema base com três meias — Gerson, Pulgar e o camisa 10 —, mas a ausência simultânea de Pulgar e Arrascaeta obriga o treinador a redesenhar a função de cada jogador no setor.

A provável escalação confirmada pelo clube coloca em campo: Rossi; Varela, Ortiz, Léo Pereira, Ayrton Lucas; Pulgar, Gerson; Luiz Araújo, Carrascal, Bruno Henrique; Pedro. A presença de Ayrton Lucas na lateral esquerda é a solução mais direta para a ausência de Alex Sandro — o jogador já atuou na posição em diversas ocasiões ao longo da carreira, mas sua característica mais ofensiva pode deixar o corredor esquerdo mais exposto defensivamente.

A Arena do Grêmio como obstáculo histórico para o Flamengo

O histórico de confrontos entre Flamengo e Grêmio na Arena não favorece o visitante. Nas últimas dez partidas disputadas em Porto Alegre entre os dois clubes em competições nacionais, o Flamengo venceu apenas três vezes, com quatro empates e três derrotas. O Grêmio, que atravessa fase de recuperação no Brasileirão após início irregular, chega ao confronto com 100 dias sem perder como mandante na Arena — sequência que inclui resultados contra Palmeiras e Atletico Mineiro.

Historicamente, quando o Flamengo entra em campo sem ao menos um de seus meias titulares, o time tende a depender mais da criatividade individual de Gerson e da movimentação de Pedro para criar desequilíbrio. Em 2023, quando Arrascaeta ficou fora por lesão muscular por seis semanas, o Flamengo venceu apenas dois dos seis jogos disputados no período — ambos em casa. O desafio desta vez é maior: o jogo é fora, o adversário é sólido em seu estádio, e o elenco acumula baixas simultâneas em seu setor mais criativo.

A partida entre Grêmio e Flamengo está marcada para este domingo (10), às 20h30, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. Uma vitória coloca o Flamengo na briga direta pela liderança da competição, enquanto um tropeço pode abrir até seis pontos de distância para os times do topo da tabela.