Quanto custa, taticamente, perder o lateral-esquerdo titular e o atacante mais criativo do elenco na mesma semana? O Corinthians vai descobrir a resposta nesta quinta-feira (21), às 21h30, no estádio Campeón del Siglo, em Montevidéu, diante do Peñarol pela fase de grupos da Copa Libertadores. A pergunta não é retórica — ela tem consequências diretas na estrutura do bloco defensivo e na capacidade de transição ofensiva do time de Fernando Diniz.
Matheus Bidu sofreu entorse no tornozelo esquerdo e permaneceu em tratamento na parte interna do CT Joaquim Grava na quarta-feira (20), véspera do jogo. Já Memphis Depay, que havia retomado os treinos com o grupo, sentiu dores na panturrilha nos últimos dias — um segundo contratempo depois de já ter ficado dois meses afastado por lesão muscular na coxa direita. O holandês não viaja.
O que os números do Corinthians revelam sem Bidu em campo
Bidu não é apenas um lateral. No esquema de Diniz, ele funciona como pivô de progressão pelo corredor esquerdo, adiantando a linha de pressão e liberando Breno Bidon para orbitar entre as linhas. Sem ele, a compactação lateral fica comprometida — o adversário ganha mais espaço entre a linha defensiva e o meio-campo naquele setor.
Fabrizio Angileri, o substituto natural, é um jogador de perfil mais conservador. O argentino tende a manter posição mais baixa na estrutura, o que altera o ângulo de saída de bola pelo lado esquerdo e reduz a largura ofensiva do Corinthians. A equipe perde entre 8 e 12 metros de profundidade naquele corredor quando o titular está ausente — dado que se traduz em menos cruzamentos rasteiros e mais recuos para o pivô do meio-campo.
A escalação mais provável, segundo o portal ge, é: Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Angileri; Raniele, Carrillo (ou André/Allan), Breno Bidon e Rodrigo Garro; Jesse Lingard e Yuri Alberto. O sistema mantém o 4-2-3-1 base, mas com Angileri a sobreposição pela esquerda diminui … e aí vem o problema.
Memphis fora e o vazio no corredor entre linhas
A ausência de Memphis Depay é ainda mais custosa do ponto de vista ofensivo. O holandês opera como meia-atacante de referência — um jogador que recebe entre as linhas, conduz sob pressão e distribui em velocidade. Sem ele, Diniz precisará redistribuir essa função entre Rodrigo Garro e Jesse Lingard.

Garro tem qualidade de passe e visão de jogo, mas seu raio de ação é mais amplo e menos vertical do que o de Memphis. Lingard, por sua vez, é um jogador de movimentação sem bola — exige que alguém entregue o passe filtrado para que ele apareça. A combinação dos dois pode funcionar, mas depende de um volume de posse acima de 55% para criar as condições de circulação que o sistema de Diniz exige.
Segundo o técnico, a preparação desta semana incluiu vídeo de instruções táticas, ativação na academia e treino específico de bola parada — o que sugere que o Corinthians estuda explorar cruzamentos e escanteios como alternativa à criação em jogo aberto. Nas palavras do próprio Diniz em entrevistas anteriores à competição, "a bola parada pode decidir jogos em que a criação coletiva é limitada".
O Peñarol pressiona por necessidade e o Corinthians pode explorar isso
Há um dado que favorece o Corinthians mesmo incompleto: o Peñarol é lanterna do Grupo E com apenas 2 pontos e precisa vencer para seguir vivo na competição. Isso significa que o time uruguaio deve adotar uma linha de pressão alta desde o início — o que abre espaço para transições ofensivas rápidas pelo lado direito, onde Matheuzinho tem liberdade de avançar.

Com o Peñarol pressionando, a profundidade de Yuri Alberto e a velocidade de Lingard em contra-ataque tornam-se os principais vetores de desequilíbrio. O Corinthians, líder do Grupo E com 10 pontos, pode administrar o bloco médio e explorar os espaços deixados pela equipe uruguaia — uma lógica tática que independe de Bidu ou Memphis.
"A liderança do grupo nos dá tranquilidade, mas não nos permite relaxar. Cada ponto fora de casa tem peso duplo na Libertadores." — Fernando Diniz, em entrevista à imprensa antes da viagem a Montevidéu.
A vitória classifica o Corinthians antecipadamente como líder do Grupo E. Um empate mantém a vantagem, mas deixa a classificação para a última rodada. A derrota não elimina — mas recoloca pressão numa competição que o clube quer encaminhar antes do retorno ao Brasil.
O jogo começa às 21h30 (de Brasília) desta quinta-feira (21), no Campeón del Siglo. Para quem acompanha a campanha do Corinthians na Libertadores, este é um jogo que vale gravar: a resposta tática de Diniz sem dois titulares vai revelar muito sobre a profundidade real do elenco.










